Polícia Federal apreende R$ 1,8 milhão e investiga indícios de compra de votos no Amapá
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão e de afastamento cautelar de duas servidoras públicas no Amapá na quinta-feira (1º), em uma operação conduzida em conjunto com o Ministério Público Eleitoral para apurar possíveis crimes eleitorais, informa a Folha de São Paulo.
Ao todo, os agentes apreenderam aproximadamente R$ 1,85 milhão em espécie, além de quantias em euros e dólares. Diante dos indícios apresentados, a Justiça Eleitoral determinou o afastamento temporário de uma servidora do governo do estado e de outra servidora da Assembleia Legislativa do Amapá, medidas que devem vigorar até o término do segundo turno das eleições.
As autoridades policiais e eleitorais apuram a suposta prática de crimes como compra de votos, coação eleitoral e o uso indevido da máquina pública para a obtenção de benefícios eleitorais. No total, sete pessoas são investigadas no processo. Entre os alvos está a deputada estadual Aldilene Souza (PDT), candidata à reeleição e aliada política do atual governador Clécio Luís (União Brasil) — que não é alvo da operação.
Conforme apontado pela investigação, foram identificados fortes indícios de que o programa social estadual Renda para Viver Melhor e a distribuição de cestas básicas estariam sendo manipulados irregularmente em troca de apoio político nas urnas.
De acordo com informações prestadas pelo Ministério Público Eleitoral, a inclusão e a manutenção de famílias em situação de vulnerabilidade no referido programa assistencial dependiam da promessa expressa de voto em candidatos apoiados pelo grupo investigado. Houve, inclusive, relatos de ameaças veladas de cancelamento do benefício social caso o apoio político não fosse confirmado nos pleitos.
A Promotoria Eleitoral também chamou a atenção para a evolução do número de beneficiários do programa social. Historicamente estabilizado em aproximadamente 10 mil famílias, o contingente de atendidos alcançou 13.305 inscritos em junho de 2026. Para os investigadores, esse crescimento atípico, somado ao conjunto de comunicações e documentos apreendidos, justifica plenamente o aprofundamento das apurações.
O Governo do Amapá informou, por meio de nota oficial, que as investigações em curso não possuem qualquer relação com a gestão institucional nem com os procedimentos regulares de concessão do Renda para Viver Melhor. Por sua vez, a Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas) repudiou publicamente a “tentativa de utilização de programas assistenciais para fins políticos ou eleitorais.”
“A pasta assegura que todas as ações e concessões de benefícios seguem critérios rigorosamente técnicos e legais, pautados pela transparência, impessoalidade e pelo compromisso de atender às famílias em situação de vulnerabilidade social”, acrescenta a nota da Seas.
Nas redes sociais, a deputada Aldilene Souza faz campanha ativa para a reeleição do governador Clécio Luís. Ele ocupa o segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto desde o início da corrida eleitoral. A liderança do pleito para o Executivo estadual é ocupada pelo ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD).
A Folha de São Paulo buscou contato com as assessorias de comunicação e jurídica da deputada Aldilene Souza, mas não obteve retorno até a publicação. O governador Clécio Luís também foi procurado para se manifestar sobre a sua aliança política com a parlamentar, contudo também não se pronunciou.
Fonte: Brasil 247