Plano golpista para manter Bolsonaro no poder previa matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes; relembre

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Por gutoalves — Fundação Perseu Abramo

Assassinar o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), estava entre as ações planejadas por integrantes da trama golpista que tentou impedir a posse do governo eleito em 2022 e manter Jair Bolsonaro (PL) no poder.

A investigação identificou documentos, mensagens e ações de monitoramento de autoridades. Militares e um policial federal envolvidos no esquema foram presos e posteriormente condenados.

O caso voltou a ganhar atenção com a circulação da expressão “Bolsonaro mandou matar Lula”, usada em publicações e mobilizações para estimular pesquisas no Google. O movimento foi impulsionado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que administra o canal Exército do Lula, no WhatsApp. Entre as mensagens compartilhadas estava a hashtag #PesquiseBolsonaroMandouMatarLula.

O que era o plano Punhal Verde e Amarelo

O documento conhecido como Punhal Verde e Amarelo foi elaborado pelo general da reserva Mário Fernandes, que integrou a Presidência durante o governo Bolsonaro. Segundo a investigação, o arquivo foi impresso no Palácio do Planalto em 9 de novembro de 2022, dez dias depois da derrota do então presidente nas urnas.

O planejamento previa ações contra Lula, Alckmin e Moraes. Entre as possibilidades descritas estavam o emprego de armas de fogo, explosivos e envenenamento. A morte de Lula por envenenamento foi uma das hipóteses expressamente mencionadas na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

As investigações também identificaram a chamada Operação Copa 2022, relacionada ao monitoramento clandestino e à preparação de ações contra autoridades. Participavam das articulações militares com formação em Forças Especiais do Exército, conhecidos como “kids pretos”.

Segundo a PF, o grupo utilizava técnicas militares, comunicações destinadas a ocultar a identidade dos participantes e recursos públicos empregados ilegalmente. As primeiras evidências foram encontradas na análise do celular de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, incluindo mensagens trocadas com o coronel Marcelo Câmara.

Assassinatos integravam a tentativa de impedir a posse

O plano de violência fazia parte de uma articulação mais ampla para reverter o resultado eleitoral. A denúncia descreveu ataques ao sistema de votação, elaboração de documentos para uma ruptura institucional, pressão sobre comandantes militares e preparação de ações contra autoridades.

Outros documentos apreendidos previam a formação de um gabinete de crise para organizar o poder após a ruptura. Na avaliação da PGR, os diferentes movimentos tinham um objetivo comum: impedir a transferência da Presidência ao vencedor das eleições.

Os assassinatos não foram executados. Segundo a denúncia, os preparativos chegaram a ações de campo em dezembro de 2022, mas os operadores não conseguiram obter a adesão necessária do comando do Exército. Lula e Alckmin tomaram posse em 1º de janeiro de 2023.

O que a PGR afirmou sobre Bolsonaro

Na denúncia apresentada ao STF em fevereiro de 2025, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que Bolsonaro conhecia e concordou com o planejamento.

“O plano foi arquitetado e levado ao conhecimento do Presidente da República, que a ele anuiu”, escreveu Gonet. A Procuradoria sustentou que diálogos posteriores demonstravam que Bolsonaro acompanhava a evolução do esquema e as discussões sobre sua execução.

A defesa de Bolsonaro negou participação ou autorização para os assassinatos. A afirmação da PGR sobre conhecimento e anuência ao plano integra a acusação apresentada no processo; o ex-presidente não recebeu condenação específica por ordenar essas mortes.

Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão, considerando-o líder da organização criminosa responsável pela tentativa de golpe. A sentença abrange cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Quem foi preso e quais foram as condenações

Em novembro de 2024, a Operação Contragolpe alcançou cinco investigados que tiveram a prisão preventiva determinada por Alexandre de Moraes: Mário Fernandes, Hélio Ferreira Lima, Rafael Martins de Oliveira, Rodrigo Bezerra de Azevedo e Wladimir Matos Soares.

Nos julgamentos realizados em 2025, foram fixadas as seguintes penas:

Mário Fernandes, general da reserva e ex-integrante da Presidência: 26 anos e seis meses de prisão, no julgamento do núcleo 2 da trama golpista.

Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel do Exército: 24 anos de prisão

Rafael Martins de Oliveira, tenente-coronel do Exército: 21 anos de prisão

Rodrigo Bezerra de Azevedo, tenente-coronel do Exército: 21 anos de prisão

Wladimir Matos Soares, agente da Polícia Federal: 21 anos de prisão. Os quatro foram julgados na ação do núcleo 3.

Ao julgar esse grupo, o ministro Flávio Dino destacou que os documentos apreendidos demonstravam a gravidade da tentativa de ruptura: “Era um golpe que ia prender e matar pessoas, cassar a Constituição, a cidadania e a imprensa livre”.

Fonte: Fundação Perseu Abramo

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