PL é o partido que recebeu o maior valor de doações privadas, enquanto PT tem maior número de doadores na eleição
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – Candidatos do PL, partido do presidenciável Flávio Bolsonaro, concentram o maior volume de doações privadas feitas diretamente por pessoas físicas nas eleições de 2026. A pouco mais de duas semanas do primeiro turno, a legenda recebeu R$ 49,2 milhões de 4.602 doadores.
Os dados foram levantados pela Folha de São Paulo com base nas prestações de contas entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até a última terça-feira (15), prazo da prestação parcial. O PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aparece na liderança em número de doadores: foram 7.251 pessoas diferentes, que repassaram R$ 34,6 milhões a candidatos da legenda.
PL e PT são os partidos dos dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais e aparecem no topo do financiamento privado direto. No ranking por valores arrecadados de pessoas físicas, além do PL, também se destacam o PSD, com R$ 36,4 milhões, o PT, com R$ 34,6 milhões, e o MDB, com R$ 29,8 milhões. Juntas, essas quatro siglas concentram metade de todas as doações feitas por pessoas físicas a candidatos.
Ao todo, 48.260 doações privadas diretas a candidatos somaram R$ 299,6 milhões até a prestação parcial. Esse montante representa apenas 6% da receita arrecadada nas eleições de 2026. A maior parte do financiamento de campanha continua vindo de recursos públicos repassados pelos partidos, por meio dos fundos eleitoral e partidário, que somam R$ 4,8 bilhões e equivalem a 90% das receitas.
A Folha também apontou que metade do dinheiro público destinado às campanhas para deputado federal está concentrada em 7% dos candidatos. Além das doações de pessoas físicas e dos repasses partidários, as campanhas podem contar com financiamento coletivo pela internet e recursos próprios dos candidatos.
Outro dado destacado pelo levantamento é a existência de R$ 74,9 milhões em doações privadas feitas aos partidos, e não diretamente aos candidatos. Segundo a Folha, esse mecanismo tem sido usado para dificultar a identificação do vínculo eleitoral entre doadores e candidaturas beneficiadas.
Desde 2015, as doações empresariais estão proibidas no Brasil. Pela legislação atual, pessoas físicas podem doar até 10% do rendimento bruto obtido no ano anterior à eleição. A regra tem exceção para doações de bens móveis ou imóveis de propriedade do doador, no valor de até R$ 40 mil. As contribuições podem ser feitas em dinheiro ou por meio de bens e serviços estimáveis em dinheiro.
Quando as doações são agrupadas pela metodologia do GPS Partidário, usada pela Folha para classificar os partidos entre esquerda, centro e direita, candidatos de legendas de direita receberam a maior fatia dos recursos privados diretos: R$ 153,9 milhões, o equivalente a 51,4% do total. Partidos de centro somaram R$ 78,9 milhões, ou 26,4%. Já candidatos de siglas de esquerda receberam R$ 66,8 milhões, correspondentes a 22,3%.
O perfil dos doadores varia de contribuições simbólicas a repasses milionários. Entre os 41.712 CPFs únicos identificados nas prestações de contas, 490 pessoas doaram mais de R$ 100 mil a candidatos. Também foram registradas 234 doações entre R$ 0,01 e R$ 0,99, além de 229 contribuições de R$ 1.
O maior doador individual identificado no levantamento é o empresário Alexandre Grendene Bartelle, cofundador da calçadista Grendene. Ele repassou R$ 3,6 milhões a quatro candidatos de partidos de diferentes campos políticos, como PDT, PL, PSDB e PSB.
O segundo maior doador é Pedro Grendene Bartelle, irmão gêmeo de Alexandre e também empresário. Ele destinou R$ 2,4 milhões a seis candidatos de legendas como PL, PSB, PSD, PSDB e PT. Segundo a análise, 44% das pessoas físicas que doaram para mais de um candidato financiaram candidaturas do mesmo espectro político.
Entre os exemplos citados está a empresária Maria Consuelo Saraiva Leão Dias Branco, do setor de alimentos. Ela doou R$ 2,1 milhões a dois candidatos, um do PSB e outro do PT.
As chamadas vaquinhas virtuais arrecadaram R$ 12,2 milhões para 959 candidatos a diferentes cargos. O modelo, autorizado pelo TSE, permite que plataformas digitais recolham doações individuais e depois informem à Justiça Eleitoral os dados dos doadores, com valores, datas e formas de pagamento.
O candidato que mais arrecadou por financiamento coletivo foi o presidenciável Renan Santos, do Missão, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL). Ele recebeu R$ 1,92 milhão em sete vaquinhas, que reuniram 36.364 doações únicas. Em seguida aparecem Marcel van Hattem, do Novo, candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, com R$ 703 mil em uma vaquinha de 14 mil doações, e o historiador Jones Manoel, do PSOL de Pernambuco, candidato à Câmara dos Deputados, com R$ 545 mil arrecadados em 13.680 contribuições.
O levantamento também mostra que 3.827 candidatos usaram dinheiro próprio para financiar suas campanhas, em um total de R$ 85,2 milhões. O autofinanciamento é permitido pela Justiça Eleitoral, desde que respeite o limite de 10% do teto de gastos definido para cada cargo.
O maior valor declarado como recurso próprio foi informado por Gelson Merísio, do PSB, candidato ao governo de Santa Catarina: R$ 1 milhão. Segundo a prestação de contas, essa foi a única fonte de financiamento apresentada por sua campanha.
Em 355 candidaturas, os recursos próprios representam 100% da receita declarada. O grupo inclui cinco candidatos a governador, nove ao Senado, 78 à Câmara dos Deputados e 263 às Assembleias Legislativas e à Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Entre os presidenciáveis, Wilson Grassi, do Democrata, também declarou campanha quase integralmente financiada com recursos próprios. Ele informou R$ 565 mil do próprio bolso e apenas uma doação de pessoa física, no valor de R$ 150.
Fonte: Brasil 247