PF vê incompatibilidade entre renda de Mario Frias e R$ 645 mil à GoUp

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Por Leonardo LucenaBrasil 247

247 – A Polícia Federal identificou uma incompatibilidade entre a renda declarada do deputado federal Mario Frias (PL-SP) e transferências que somaram R$ 645,4 mil para a GoUp Entertainment, produtora ligada ao filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro (PL). O dinheiro movimentado pelo bolsonarista não corresponde aos créditos encontrados em suas contas bancárias. Por meio da Operação Make Up, a PF apura financiamento ilegal à cinebiografia.

De acordo com a PF, a movimentação financeira faz com que o deputado “transcenda a condição de mero autor de emendas parlamentares posteriormente desviadas por terceiros” e demonstra que o parlamentar era um “participante ativo da engrenagem financeira sob investigação”.

A investigação registra que, em um intervalo inferior a dois meses, Frias enviou os R$ 645,4 mil diretamente para a GoUp Entertainment, empresa ligada à produtora Karina Gama. Segundo a PF, o deputado recebe R$ 44.008,52 mensais. 

“Destaca-se, ainda, o envio de R$ 645.400,00 para a Go Up pelo próprio Deputado Federal Mário Frias, cujos rendimentos mensais alcançam a monta de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de sessenta dias”, disse a PF. 

Entenda

O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino derrubou o sigilo do caso Dark Horse. Já a PF deflagrou nesta quinta (10) uma investigação com o objetivo de apurar o financiamento ilegal para o filme. Os deputados federais Mario Frias (PL-SP) e Bia Kicis (PL-DF) estão entre os alvos. A PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão,

A PF também rastreou R$ 8,5 milhões de uma ONG ligada à empresária Karina Gama, produtora de Dark Horse. As investigações apuram a suposta participação de empresas de possíveis laranjas.

Outro escândalo é que o publicitário Marcello Lopes, amigo pessoal do atual candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), transferiu R$ 1 milhão para a Go Up Entertainment Ltda., produtora responsável por Dark Horse. O marqueteiro é ex-integrante da pré-campanha presidencial do senador da extrema direita e filho de Jair Bolsonaro.

PF aponta Frias como “agente central”

Os investigadores atribuem ao parlamentar papel central no esquema que analisam. Para a Polícia Federal, os elementos reunidos até agora indicam a atuação coordenada de pessoas e empresas na movimentação de recursos de origem pública.

Segundo a PF, “há fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas”.

A PF concentra a análise tanto nas emendas parlamentares que ele direcionou quanto nas transferências pessoais feitas à GoUp Entertainment. Os investigadores procuram estabelecer a origem do dinheiro, o caminho percorrido pelos recursos e a relação entre os pagamentos e as empresas envolvidas na produção do longa.

A investigação tenta determinar se as transferências de R$ 645,4 mil partiram de recursos próprios do parlamentar ou se outros valores alimentaram suas contas antes dos repasses.

Flávio Bolsonaro, Vorcaro e Dark Horse

Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que Vorcaro enviou US$ 1.666.667 ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, em 16 de setembro de 2025. O fundo concentrava os recursos usados na produção do filme Dark Horse.

A revista Piauí revelou a operação, que diverge do relato feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. Ele havia dito que Vorcaro interrompera os aportes ao projeto em maio de 2025.

Os registros do Coaf mostram que o fluxo de recursos seguiu por pelo menos mais quatro meses. A remessa ocorreu oito dias depois de Flávio Bolsonaro ter enviado uma mensagem ao banqueiro cobrando parcelas que estariam pendentes.

Após essa transferência, o total destinado por Vorcaro à produção teria passado de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões. Convertido pela cotação vigente naquele momento, o montante ultrapassava R$ 65 milhões.

Os investigadores também apuram uma segunda possível remessa, calculada em cerca de US$ 1,6 milhão. Se confirmada, ela elevaria o total dos repasses ligados ao longa para aproximadamente R$ 72 milhões.

Fonte: Brasil 247

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