PF prende Márcio Canella e ex-chefe da Polícia Civil do Rio em operação contra lavagem de dinheiro

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, foram presos nesta quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal (PF). A investigação apura a atuação de uma organização suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro, em um esquema que teria movimentado R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos.

As prisões fazem parte de uma ofensiva contra uma estrutura financeira suspeita de operar com a anuência de agentes políticos. Canella e Amim já haviam sido alvos de mandados de busca e apreensão em etapas anteriores da investigação, que busca identificar as conexões entre empresários, integrantes do poder público e possíveis organizações criminosas.

Ao todo, a Polícia Federal foi mobilizada para cumprir seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em sete municípios fluminenses: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios.

A operação também atingiu diretamente a estrutura empresarial investigada. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o sequestro de bens e valores dos envolvidos, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas apontadas como integrantes do suposto esquema. A maior parte desses estabelecimentos atua no setor de combustíveis, especialmente na operação de postos de gasolina.

Relatório do Coaf identificou movimentação bilionária

As investigações tiveram início após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhar à Polícia Federal um relatório de inteligência financeira com informações sobre transações consideradas suspeitas.

O levantamento identificou movimentações de aproximadamente R$ 7,6 bilhões em um período de seis anos, valor que passou a ser analisado pelos investigadores para identificar a origem dos recursos, seus destinatários e eventuais mecanismos utilizados para ocultar sua procedência.

A dimensão financeira das operações levou os investigadores a aprofundar a apuração sobre a rede empresarial e suas possíveis conexões com agentes públicos. A suspeita é de que empresas do setor de combustíveis tenham sido utilizadas em operações destinadas à lavagem de dinheiro.

O montante identificado pelo Coaf corresponde ao volume de recursos movimentados pelo grupo investigado e não significa, necessariamente, que toda a quantia tenha origem criminosa. A identificação de eventuais valores ilícitos depende do aprofundamento das investigações.

Além das suspeitas de lavagem de dinheiro, a Polícia Federal apura possíveis irregularidades em contratações e a existência de uma organização criminosa.

“Além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações”, informou a PF.

Operação está relacionada a decisão do STF sobre atuação de facções

A oitava fase da Operação Unha e Carne também está vinculada às determinações estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas.

No âmbito desse processo, o STF estabeleceu medidas relacionadas à atuação das forças de segurança no Rio de Janeiro, incluindo a necessidade de aprofundar investigações sobre possíveis vínculos entre integrantes do poder público e organizações criminosas.

Uma das determinações prevê a atuação da Polícia Federal na apuração de relações entre agentes estatais e facções criminosas, com o objetivo de identificar eventuais estruturas de colaboração, financiamento e proteção institucional a atividades ilegais.

Fonte: Brasil 247

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