PF mira produtora de filme sobre Bolsonaro e deputado Mario Frias em operação sobre emendas

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Por Giovanna CamposJornal Opção

PF mira produtora de filme sobre Bolsonaro e deputado Mario Frias em operação sobre emendas

A Polícia Federal cumpre, nesta quinta-feira, 10, 49 mandados de busca e apreensão em uma operação que investiga o financiamento do filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação foi deflagrada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e recebeu o nome de Operação Make Up.

Entre os alvos estão a produtora do filme, Karina Gama, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP). Também são alvo de buscas duas entidades ligadas à produtora: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).

O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito, que tramitava em São Paulo, foi encaminhado ao Supremo. Não há mandados de prisão, apenas de busca e apreensão.

Segundo a PF, a investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. A suspeita é de que uma organização formada por agentes públicos e privados tenha direcionado recursos destinados a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas de forma irregular.

A investigação aponta ainda que não haveria comprovação de que parte dos serviços contratados foi efetivamente realizada. A PF identificou movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas que teriam ligação com o esquema e afirma que as tentativas de ocultar os supostos desvios continuaram até julho deste ano.

Os investigados podem responder por peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.

Uma auditoria da CGU apontou suspeitas envolvendo uma emenda de R$ 2 milhões indicada por Mario Frias para entidades ligadas a Karina Gama. O relatório identificou, entre outros pontos, despesas sem comprovação.

Investigações no STF

Há duas investigações no STF relacionadas ao financiamento de Dark Horse.

O inquérito relatado por Flávio Dino apura o possível uso irregular de emendas parlamentares e de recursos públicos destinados a entidades e empresas ligadas à produtora.

Outro inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça, investiga repasses realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), além do caminho percorrido pelo dinheiro.

Repasses para o filme

Em maio, o site Intercept Brasil publicou mensagens e um áudio nos quais Flávio Bolsonaro cobraria de Vorcaro recursos para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, o ex-banqueiro teria repassado pelo menos R$ 61 milhões em 2025.

Ainda de acordo com a publicação, os valores foram enviados a um fundo nos Estados Unidos administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).

O ator norte-americano Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro em Dark Horse.

Delação de empresário

Na quarta-feira (9), André Mendonça homologou o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”.

Freixo é dono da Entre Investimentos, empresa que teria realizado repasses para o financiamento do filme a mando de Daniel Vorcaro. Segundo as investigações, os recursos foram solicitados a Vorcaro por Flávio Bolsonaro.

Em sua delação, assinada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto, Mineiro afirmou que era responsável por gerar dinheiro em espécie para a equipe de Vorcaro. Segundo o empresário, os valores eram transportados em malas e destinados ao pagamento de propinas.

Ele também relatou ter realizado sete transferências, registradas como “subscrições de cotas”, para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. As operações ocorreram entre janeiro e setembro de 2025 e somaram US$ 12,333 milhões, equivalentes a cerca de R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro daquele ano.

A subscrição de cotas ocorre quando um fundo emite novas cotas para receber novos aportes de investidores.

Flávio Bolsonaro havia afirmado que o último pagamento feito por Vorcaro ocorreu em maio de 2025. A delação aponta, porém, uma transferência de US$ 1,666 milhão em setembro daquele ano.

A Polícia Federal investiga se todo o dinheiro foi destinado ao filme Dark Horse, como sustentam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se parte dos recursos teve outra finalidade, incluindo o possível financiamento de atividades de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

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Fonte: Jornal Opção

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