PF investiga vazamento de operação contra cartel de combustíveis no Rio
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – No relatório em que solicitou a prisão do deputado estadual eleito Marcio Canella (União) e do ex-chefe da Polícia Civil Marcus Amim, a Polícia Federal afirmou acreditar que a sexta etapa da Operação Unha e Carne vazou antecipadamente para os investigados, informa o jornal O Globo. Deflagrada em julho, a ação tinha como objetivo cumprir mandados de busca e apreensão contra suspeitos de integrar um cartel e de lavar dinheiro por meio de postos de combustíveis, resultando na prisão em flagrante do ex-prefeito de Belford Roxo após agentes encontrarem um fuzil em sua posse.
De acordo com as investigações, no próprio dia da operação, a Polícia Federal recebeu uma denúncia anônima vinda de um morador do condomínio onde um dos alvos residia, em Niterói. A testemunha relatou que o suspeito já tinha conhecimento prévio da ação policial, destacando que “na semana anterior, com ajuda de outros indivíduos, usou alguns carros para retirar tudo que havia no local e pudesse lhe incriminar”.
Além do relato anônimo, levantou forte suspeita entre os investigadores o comportamento do escrivão da Polícia Federal Fabio Henrique Ferreira, lotado na Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários. Na véspera da deflagração da fase, Fabio questionou o policial civil Pablo Jukiá se este se encontrava em casa e, após confirmação positiva, dirigiu-se até o local para um encontro presencial.
No documento encaminhado à Justiça, os delegados ressaltaram o conjunto de indícios que fundamenta a suspeita de viciamento do sigilo operacional: “a convergência entre a proximidade funcional de FÁBIO com estruturas da Polícia Federal capazes de deter informações sigilosas sobre operações em curso; (ii) o padrão de comunicação orientado à autodestruição de mensagens; (iii) as chamadas de voz não documentadas em momento imediatamente anterior à deflagração da operação; e (iv) o encontro pessoal combinado na véspera da 6ª fase da Operação Unha e Carne, autoriza a formação de fundada suspeita de que houve repasse antecipado e não autorizado de informação sigilosa relativa à referida operação, em benefício de PABLO JUKIÁ FÉLIX FERREIRA e de terceiros a ele vinculados, com possible contrapartida indevida”.
A Operação Unha e Carne vem desdobrando-se em diversas etapas sucessivas no estado do Rio de Janeiro. A primeira fase ocorreu em 3 de dezembro, quando o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, foi preso sob a acusação de repassar informações sigilosas da Operação Zargun ao ex-deputado estadual TH Jóias, investigado por elos com o Comando Vermelho. Em 16 de dezembro, na segunda fase, o desembargador Macário Júdice Neto, relator do caso de TH Jóias no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, foi detido após a PF localizar mensagens em celular demonstrando relação estreita com Bacellar.
O avanço das investigações levou à segunda prisão de Rodrigo Bacellar em 27 de março, durante a terceira fase em Teresópolis, ocasião em que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes citou a perda do mandato do parlamentar e indícios de obstrução às investigações contra o crime organizado. A quarta fase, em 6 de maio, culminou na prisão do deputado estadual Thiago Rangel e mais seis investigados por integração em organização criminosa voltada a fraudes em licitações e contratações na Secretaria Estadual de Educação.
Em 2 de julho, a quinta fase partiu de uma lista de propina vinculada ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, resultando na prisão do pastor Márcio Poncio e em buscas contra o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral. Em seguida, no dia 7 de julho, a sexta fase apurou o uso de postos de combustíveis para lavagem de verbas estimadas em R$ 7,6 bilhões com participação de agentes públicos, etapa em que Márcio Canella foi preso com um fuzil.
Recentemente, em 22 de julho, a sétima fase resultou no flagrante do vereador Jorge Eduardo Barreto de Andrade Filho (conhecido como Jorge Canella), em cuja residência foram apreendidos dois fuzis e uma submetralhadora de uso restrito. Por fim, na oitava etapa da operação, na quinta-feira (15), foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios fluminenses, resultando nas prisões do deputado estadual eleito Márcio Canella, do ex-secretário de Polícia Marcus Amim e de outros quatro policiais.
Fonte: Brasil 247