PF investiga Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro com Dark Horse

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Por RedaçãoEsquerda Diário

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A Polícia Federal investiga o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Investigação é comandada por Flávio Dino, que mira o bolsonarismo nos marcos da Operação Master, após os vazamentos do ministro André Mendonça contra Alexandre de Moraes. Não são os métodos do judiciário, amigo do mesmo banqueiro que sustenta o bolsonarismo, que podem enfrentar de fato a extrema-direita.

Desde o início do ano, mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicam que Flávio participou diretamente das negociações para financiar a produção e cobrou a liberação de recursos. Segundo a investigação, Vorcaro teria realizado pagamentos de pelo menos US$ 10 milhões para o projeto, cerca de R$ 56 milhões na cotação da época. Flávio nega irregularidades e afirma que buscou apenas investimento privado para um filme privado.

As suspeitas ganharam uma nova dimensão com a investigação sobre a empresária Karina da Gama, responsável pela produtora do filme. A PF identificou indícios de uma triangulação de ao menos R$ 6,1 milhões envolvendo o Instituto Conhecer Brasil, empresas terceirizadas e a Academia Nacional de Cultura, ambas entidades ligadas a Karina. Parte do dinheiro investigado tem origem no contrato de R$ 157 milhões firmado pelo ICB com a Prefeitura de São Paulo para o programa de wi-fi da capital. Para o ministro Flávio Dino, do STF, as movimentações apresentam “fortes indícios” de retorno de recursos públicos à esfera de disponibilidade dos responsáveis pelas entidades, com potencial caracterização de desvio e lavagem de dinheiro. A defesa de Karina nega irregularidades.

Outro elemento que chamou a atenção da PF foi o chamado “Plano de Negócio Capitão do Povo”, encontrado no celular de Vorcaro. O documento previa investimento de US$ 24 milhões no filme e projetava uma bilheteria de até US$ 100 milhões, cerca de R$ 510 milhões na cotação atual. A estimativa ultrapassaria em várias vezes os parâmetros de bilheteria do cinema brasileiro, superando até mesmo blockbusters como “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, e pode indicar um planejamento para lavagem de dinheiro, a ser investigado. Parte dos valores destinados à produção também teria sido enviada a um fundo nos Estados Unidos, enquanto mensagens mostram Flávio Bolsonaro acompanhando e cobrando repasses ao projeto.

A rede que conecta o clã Bolsonaro com Vorcaro é cada vez maior e o discurso de Flávio de que se trata de “dinheiro privado” se sustenta cada vez menos. Mostra que essa extrema-direita nunca teve nada de “antissistema”, mas sim representa a sua face mais corrupta e degradada, um dos principais representantes da “República de banqueiros” que se tornou o regime degradado pelo golpe institucional.

Mas também é evidente que não cabe nenhuma confiança que Flávio Dino ou qualquer ministro do STF que esteja apontando a investigação da Operação Master para a família Bolsonaro como aliados no enfrentamento à extrema-direita. Enquanto André Mendonça busca favorecer diretamente o Bolsonaro, ao vazar trocas de áudio sobre Alexandre de Moraes, como forma de minar o ministro que aparecia como “anti-bolsonarista” e aliado do governo, tanto Moraes quanto sua ala do STF sempre se utilizaram dos mesmos métodos para favorecer o seu jogo político. Um jogo que nunca esteve a serviço dos trabalhadores, ao contrário, mas para garantir o golpe institucional, a validação das contrarreformas e uma série de outros ataques à população, inclusive abrindo caminho para a extrema-direita de Bolsonaro com a prisão arbitrária de Lula em 2018.

Apenas uma saída política que fortaleça a auto-organização dos trabalhadores para combater todas as alas desse regime de banqueiros e anti-operário é que ser uma alternativa. Aqueles que querem combater a extrema-direita não só nas eleições, mas nas ruas, tem como alternativa a luta por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que combata os privilégios dos políticos e juízes, fazendo com que recebam como uma professora. E que sirva para debater as reais demandas dos trabalhadores do país e de defesa da soberania frente a ofensiva imperialista, que também está por trás dos diferentes atores do STF.

Uma Constituinte que seja imposta pela força da mobilização, se apoiando nas greves em curso, como a de bancários da Caixa e dos Correios, que se enfrentam com a política privatista e de sucateamento das estatais pelo governo Lula, para mudar não só os jogadores, mas todas as regras desse jogo. A começar com o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho para 30h sem redução salarial, com revogação da reforma trabalhista e da previdência. Assim como a estatização do sistema bancário sob controle dos trabalhadores e a nacionalização do solo e de todas as riquezas naturais.

Editorial MRT | Abaixo a república dos banqueiros, por uma saída dos trabalhadores

Fonte: Esquerda Diário

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