PF intima Galípolo, Campos Neto e André Esteves para prestar depoimento no caso banco Master
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – A Polícia Federal determinou que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ex-presidente da autarquia Roberto Campos Neto e o controlador do BTG Pactual, André Esteves, sejam intimados para prestar depoimento no inquérito que apura suspeitas relacionadas à fiscalização do Banco Master. O diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, também deverá prestar um novo depoimento.
Segundo o jornal O Estado de São Paulo, as intimações foram determinadas pela PF em 3 de agosto. Inicialmente, Galípolo, Campos Neto e Esteves serão ouvidos na condição de testemunhas, assim como Ailton.
Os depoimentos ainda não haviam sido colhidos porque outros interrogatórios estavam na fila do mesmo inquérito. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, prestou depoimento em 28 de agosto.
A decisão de ouvir os três, além de reinquirir Ailton de Aquino, ocorreu depois de eles serem mencionados no depoimento de Paulo Sérgio Souza, ex-chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central e um dos investigados no caso.
Em um trecho da determinação, a PF ordenou que o Banco Central apresentasse Galípolo e Ailton para audiências por videoconferência.
“Expeça-se ofício ao Banco Central do Brasil, solicitando a apresentação dos servidores seguintes na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, conforme pauta cartorária, para audiências por videoconferência na condição de testemunhas: a) Gabriel Muricca Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil; b) Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil, para reinquirição”.
PF apura suspeita de cooptação de servidores do BC
A investigação busca esclarecer suspeitas de que Vorcaro teria cooptado dois servidores do Banco Central: Belline Santana e Paulo Sérgio Souza, que ocupavam, respectivamente, os cargos de chefe e chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária.
Os dois foram alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero e afastados das funções. A PF investiga a suspeita de que tenham recebido pagamentos de propina de Vorcaro em troca do fornecimento de informações internas sobre a fiscalização do Master e da prestação de uma assessoria informal ao banqueiro para sua defesa perante a própria autarquia.
Belline e Paulo Sérgio negam favorecimento indevido ou participação em irregularidades.
Ex-diretor relata reuniões com Galípolo
Um dos pontos centrais do depoimento de Paulo Sérgio envolve reuniões realizadas com Gabriel Galípolo sobre a situação do Banco Master.
O ex-dirigente negou ter recebido propina de Vorcaro para repassar informações sigilosas e afirmou que comunicou a Ailton a necessidade de encaminhar ao Ministério Público Federal informações relacionadas às suspeitas envolvendo o Master.
“Relata que comunicou ao diretor Ailton a necessidade de fazer a comunicação ao Ministério Público, e que a comunicação estava pronta”, declarou à PF.
Paulo Sérgio afirmou ter participado de duas reuniões com Galípolo sobre o assunto. Segundo seu relato, no primeiro encontro informou que o Banco Master já havia entrado no compulsório e que seria necessário liquidá-lo ou encontrar uma solução de mercado com o BTG Pactual.
“Naquela primeira reunião, o diretor Galípolo pediu um voto de confiança para a solução do BRB, por volta do final de fevereiro ou início de março; que, na segunda reunião, no final de junho, o diretor Galípolo afirmou que não faria comunicação ao Ministério Público por gestão temerária, pois a informação que havia recebido internamente era de que havia fraude na carteira”, afirmou.
Paulo Sérgio também declarou que, no período em que Galípolo passava pela sabatina no Senado relacionada à sua indicação para comandar o Banco Central, recebeu de Ailton a orientação de “jogar parado”.
Relato cita suposta fraude de R$ 32 bilhões
Outro episódio narrado pelo ex-dirigente envolve Roberto Campos Neto e o BTG Pactual. Paulo Sérgio afirmou que, em novembro de 2024, Ailton lhe informou que o BTG havia concluído uma due diligence — processo de análise realizado antes de uma possível negociação — no Banco Master e comunicado a descoberta de uma suposta fraude de R$ 32 bilhões.
Segundo Paulo Sérgio, a comunicação teria sido feita verbalmente e uma apresentação sobre o assunto ocorreu em 3 de dezembro de 2024, com a presença de Campos Neto.
“Relata que a comunicação do BTG foi verbal, feita por telefone no dia 29 de novembro, e que o diretor Ailton lhe disse para ir a São Paulo na segunda-feira, pois na terça-feira o BTG faria uma apresentação; que a apresentação foi realizada no dia 3 de dezembro de 2024, estando presentes o presidente Roberto Campos Neto (…); que o BTG não entregou documentação na reunião”, afirmou Paulo Sérgio.
Os investigadores pretendem agora colher os depoimentos para esclarecer e confrontar os episódios descritos pelo ex-dirigente do Banco Central, incluindo as reuniões e comunicações relacionadas à situação financeira do Master.
Defesa de Campos Neto critica divulgação
A defesa de Roberto Campos Neto afirmou que ainda não havia recebido a intimação e disse desconhecer a existência do despacho de 3 de agosto. Os advogados também criticaram a divulgação da informação antes de uma comunicação formal.
“A defesa de Roberto Campos Neto esclarece que jamais foi intimada e sequer tinha conhecimento da existência do alegado despacho de 3 de agosto. Se, de fato, existe determinação para que Roberto Campos Neto seja ouvido, é lamentável que tal informação tenha sido vazada à imprensa. Sem acesso ao documento, a defesa não tem como confirmar sua existência, autenticidade ou teor”, afirmaram os advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti.
O BTG Pactual informou que não comentaria o caso. O Banco Central não respondeu aos questionamentos do jornal.
As intimações não significam, por si só, que Galípolo, Campos Neto ou Esteves sejam investigados pelas irregularidades apuradas no caso. Conforme a reportagem, eles deverão ser ouvidos inicialmente como testemunhas. Os depoimentos devem ajudar a PF a esclarecer as referências feitas por Paulo Sérgio e reconstruir as decisões, reuniões e comunicações relacionadas à fiscalização do Banco Master.
Fonte: Brasil 247