PF arquiva investigação sobre interferência estrangeira nas eleições do Brasil

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Por Maiara Marinho — Carta Capital

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A corporação sustenta não ter encontrado elementos suficientes de ilícitos que confirmem que o governo de Donald Trump tenha interferido no processo eleitoral

A Polícia Federal arquivou, nesta quarta-feira 7, uma apuração preliminar sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026. No domingo 4, o diretor-geral da corporação, Andrei Passos Rodrigues, afirmou que o procedimento teve início após uma representação da Advocacia-Geral da União.

O braço jurídico do governo federal pediu à PF e ao Ministério Público Federal a imediata apuração de um suposto financiamento de uma agenda de extrema-direita no Brasil pelo governo de Donald Trump. A ação teve origem em uma atuação da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, motivada por revelações trazidas pela imprensa internacional.

A base da denúncia é uma reportagem veiculada em setembro pelo jornal britânico The Guardian, intitulada “Governo Trump desvia recursos destinados aos direitos humanos para promover uma agenda de extrema direita no exterior”.

O dinheiro teria como suposto objetivo o “financiamento e a sustentação financeira de entidades e grupos da sociedade civil focados em desestabilizar e atentar contra a institucionalidade do Poder Judiciário brasileiro, sob o pretexto de combater suposta ‘extrapolação judicial’ e ‘censura’ supostamente atribuídas ao Supremo Tribunal Federal”.

Ao decidir pelo arquivamento da ação sobre uma suposta interferência estrangeira, a PF disse não ter encontrado elementos suficientes de ilícitos que confirmem que o governo de Trump tenha interferido no processo eleitoral. A reportagem de CartaCapital apurou que a denúncia da AGU não chegou a resultar na abertura de um inquérito propriamente dito.

O movimento da PF ocorre três dias após o primeiro turno das eleições. Contrariando as expectativas, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), responsável por uma agenda mais extremista à direta, terminou a apuração em primeiro lugar, alcançando 47,03% dos votos contra 45,16% obtidos por Lula (PT), que busca uma reeleição.


Maiara Marinho

Repórter de CartaCapital baseada em Brasília, cobrindo o Poder Judiciário. Possui menção honrosa pela Agência LivreJor e mestrado em Comunicação e Cultura na UFRJ. Publicações em Le Monde Diplomatique Brasil, UOL e Repórter Brasil.


Wendal Carmo

Repórter do site de CartaCapital no Nordeste

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Fonte: Carta Capital

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