Petrobras quer produzir no Brasil 100% do diesel consumido no país até 2030

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Por Aquiles LinsBrasil 247

247 – A Petrobras estabeleceu como meta alcançar, até 2030, uma produção de diesel suficiente para atender integralmente ao consumo brasileiro. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a estratégia busca reforçar a segurança energética do país diante das turbulências internacionais e da importância do combustível para o funcionamento da economia.

As declarações foram feitas durante palestra no Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, na quarta-feira (16), segundo reportagem publicada pela Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet). Ao tratar da importância estratégica do combustível, Magda afirmou que o diesel “leva a comida para a casa dos brasileiros”.

A estatal também pretende recuperar espaço na produção brasileira de fertilizantes nitrogenados. De acordo com Magda, a meta é passar de uma produção equivalente a zero da demanda nacional, em 2025, para 35% do consumo do país nos próximos quatro anos.

Os planos fazem parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da capacidade produtiva da Petrobras, que envolve refino, fertilizantes, exploração de petróleo, logística, construção naval e investimentos relacionados à transição energética.

Refino ganha peso na estratégia da estatal

A decisão de ampliar a produção doméstica de diesel ocorre em um momento no qual conflitos internacionais reforçam a preocupação com a segurança do abastecimento energético. Para a Petrobras, reduzir a dependência externa de um combustível utilizado principalmente no transporte de cargas representa uma questão estratégica.

Magda também relacionou os investimentos ao futuro da produção de petróleo. Segundo ela, embora o pico produtivo do pré-sal tenha sido projetado para ocorrer mais adiante, a companhia precisa preparar desde já novas frentes capazes de sustentar suas atividades no longo prazo.

Nesse contexto, a presidente da Petrobras mencionou investimentos em fertilizantes, refinarias, dutos, logística, navios e embarcações de apoio. Ela ponderou, porém, que a execução desses projetos depende de controle financeiro.

“Dependem da disciplina de capital”, afirmou.

Magda defende exploração permanente

A presidente da estatal também defendeu a continuidade dos investimentos em exploração e produção de petróleo. Segundo Magda, fontes não renováveis exigem reposição constante das reservas para preservar a capacidade produtiva da companhia.

“Energia não renovável exige exploração permanente. No Amapá encontramos um cenário bastante promissor”, declarou.

Ela citou, nesse contexto, as atividades da Petrobras na Margem Equatorial e projetos internacionais, incluindo iniciativas na África.

A estratégia ganha relevância diante da necessidade de encontrar novas reservas que possam substituir, no futuro, a produção de campos atualmente responsáveis por grande parte da oferta brasileira.

“Disciplina de capital”

Ao abordar a capacidade financeira da companhia para realizar novos investimentos, Magda ressaltou repetidamente a necessidade de “disciplina de capital”.

A executiva argumentou que a Petrobras está submetida a variáveis sobre as quais não possui controle, especialmente a cotação internacional do petróleo e a taxa de câmbio.

“O petróleo voltará a ficar barato”, afirmou.

Magda também associou a discussão sobre lucratividade às privatizações realizadas em administrações anteriores da companhia.

“O lucro menor virou argumento para vender a Liquigás e a BR Distribuidora”, disse.

A presidente lamentou a venda dos dois ativos e sustentou que a manutenção da capacidade de investimento exige planejamento financeiro diante das oscilações do setor petrolífero.

Indústria naval volta a ganhar encomendas

Outro eixo destacado por Magda foi a retomada da indústria naval brasileira. Segundo ela, a Petrobras encomendou 400 embarcações de apoio a estaleiros instalados no país.

“Nossos estaleiros já estão competitivos, inclusive em relação à Cingapura e China”, afirmou.

A presidente lembrou que a indústria naval brasileira chegou à segunda posição mundial durante seu auge, na década de 1970, mas posteriormente atravessou sucessivos períodos de retração.

Magda destacou especialmente o ciclo entre 2004 e 2015, quando as exigências de conteúdo local e as encomendas ligadas à Petrobras contribuíram para a expansão da atividade. De acordo com os números apresentados por ela, aquele período chegou a gerar 83 mil empregos.

A executiva afirmou que uma nova recuperação começou nos últimos anos.

“Esta indústria, que viveu seu pior momento em 2019, a partir de 2024 vive um expressivo crescimento, com 17 mil empregos acrescentados aos 71 mil que existiam”, afirmou.

Petrobras mira participação na transição energética

Magda também colocou a Petrobras como uma das empresas responsáveis pela ampliação da oferta de energia necessária ao desenvolvimento brasileiro.

Segundo a presidente da companhia, fontes renováveis já representam 54% da matriz energética brasileira e a expectativa é que essa participação avance para 64%. A Petrobras pretende responder por 30% do esforço necessário para essa expansão.

A executiva relacionou o aumento da oferta energética ao desenvolvimento econômico e social, destacando que o consumo brasileiro de energia por habitante ainda é relativamente baixo.

“O Brasil é uma das dez maiores economias do mundo, mas seu consumo per capita de energia é semelhante ao da Ucrânia ou Vietnã, abaixo da média mundial. Para chegar ao nível da África do Sul, por exemplo, tem que expandir 50% e mais que dobrar para chegar ao consumo da França.”

Na sequência, Magda ressaltou que o desafio ultrapassa a atuação da estatal.

“A Petrobras vai participar com 30% desse esforço. Quem vai gerar os outros dois terços?”, questionou.

Petros não foi abordada

Durante a apresentação, Magda não comentou a situação da Petros, fundo de previdência dos trabalhadores da Petrobras.

O tema envolve equacionamento de déficits e mudanças em planos previdenciários que atingem funcionários da ativa, aposentados e pensionistas.

Fonte: Brasil 247

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