Petrobras (PETR4) ou Vale (VALE3): qual delas se dá melhor caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno

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Por Carolina Gama — Seu Dinheiro

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Com o resultado do primeiro turno das eleições nas mãos, investidores têm tentado entender o que uma eventual mudança de governo representaria para as ações ligadas a commodities. Segundo o Citi, a discussão deve se concentrar em quatro variáveis: preços, juros, câmbio e fluxo financeiro, ou seja, a entrada ou saída de dinheiro na bolsa brasileira. 

Na avaliação do banco, a expectativa em torno da nova administração aumenta a probabilidade de queda dos juros e do dólar.  

Esse movimento, segundo o Citi, tende a favorecer empresas mais alavancadas, isto é, aquelas com dívida elevada, que se beneficiam de juros menores porque pagam menos para financiar esse endividamento.  

Por outro lado, um dólar mais fraco pressiona as exportadoras, que recebem em moeda estrangeira e veem a receita em reais encolher. 

Petrobras entre as vencedoras 

No setor de óleo e gás, os analistas Gabriel Barra, Pedro Gama e Pedro Ferreira de Mello apontam a Petrobras como a principal beneficiada.  

Entre as medidas que poderiam ser adotadas estão uma maior aproximação dos preços domésticos à paridade internacional, a redução de opex e capex (despesas operacionais e investimentos, respectivamente) e uma eventual retomada de um programa de desinvestimentos, que envolve a venda de ativos. 

O Citi afirma que discussões sobre privatização podem voltar ao radar, mas se mostra cético diante da complexidade do processo. 

Os analistas também destacam que a Petrobras pode ser uma das ações mais beneficiadas por fluxo e liquidez, em razão do peso elevado nos índices de bolsa. No Ibovespa, o banco estima que a participação da estatal seja de cerca de 13,5%.  

Na prática, quando o investidor estrangeiro volta a comprar ações brasileiras, tende a fazê-lo primeiro pelos papéis de maior peso no índice.  

O relatório lembra ainda que os preços do petróleo e dos combustíveis, especialmente o diesel, seguem em patamar elevado, diante de disrupções de oferta no cenário global. 

O gatilho para Vibra e Cosan 

Ainda no setor de energia, o Citi vê juros menores como gatilho positivo para Vibra e Cosan, justamente pela alavancagem das companhias.  

Para a Vibra, o banco acrescenta outro ponto: uma nova gestão na Petrobras poderia desistir de encerrar o contrato de uso da marca BR, o que removeria um overhang relevante da tese de investimento.  

O termo, comum no mercado, designa um fator de incerteza que pesa sobre o preço da ação e afasta compradores. 

Agronegócio: juros x câmbio  

No agronegócio, o Citi afirma que preços mais favoráveis dos produtos agrícolas e juros menores podem ajudar as empresas do setor, que enfrentam alavancagem elevada após ciclos de investimento e compressão de margens. 

Há, porém, fatores contrários. O banco ressalta que o real mais forte tende a pesar, já que a maior parte do setor é exportadora.  

Além disso, os papéis podem capturar menos fluxo estrangeiro por terem menor peso nos índices.  

O Citi acrescenta que o fenômeno climático El Niño é uma preocupação, com potencial impacto sobre a produtividade nesta safra. 

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CSN e Vale 

Em metais e mineração, o Citi aponta a CSN como potencial beneficiária de juros menores, dado o peso da despesa financeira no caixa da companhia. 

Para a CSN Mineração e a Vale, o banco destaca que a sensibilidade ao câmbio pode afetar a leitura de micro, ou seja, a análise dos resultados das empresas.  

Ainda assim, o Citi afirma que a Vale pode ser uma das primeiras a reagir a um eventual aumento de fluxo para o Brasil, por causa da liquidez e do peso relevante no Ibovespa, mesmo com um perfil de resultados mais dolarizado. 

Siderúrgicas: defesa comercial é o ponto central 

Para as siderúrgicas, o Citi diz que o ponto central será a disposição do próximo governo de avançar na agenda de defesa comercial contra importações, especialmente as vindas da China. Isso inclui medidas como tarifas e outras barreiras para proteger o produto nacional. 

O banco avalia que ainda é cedo para medir se um eventual governo de Flávio Bolsonaro manteria ou ampliaria essas medidas.  

Os analistas citam sinalizações de campanha de maior aproximação com os Estados Unidos e de uma postura mais pró-mercado no comércio internacional. 

Papel e celulose: Klabin e Irani levam vantagem relativa 

No setor de papel e celulose, o Citi enxerga Klabin e Irani como beneficiárias relativas em um cenário de real mais forte.  

O motivo é que ambas têm maior exposição ao mercado doméstico e menor sensibilidade ao câmbio do que a Suzano, mais voltada à exportação.  

O banco observa, ainda, que juros mais baixos poderiam ajudar a trajetória de desalavancagem, especialmente a da Klabin. 

Confira abaixo um resumo das empresas avaliadas pelo Citi: 

Setor Empresas Efeito Óleo e gás  Petrobras  Principal beneficiada: preços, custos, desinvestimentos e fluxo  Distribuição e holding  Vibra e Cosan  Beneficiadas por juros menores; Vibra pode ver fim de incerteza sobre a marca BR  Agronegócio  Setor em geral  Juros e preços ajudam; real forte, menor fluxo e El Niño pesam  Mineração e siderurgia  CSN, CSN Mineração e Vale  CSN ganha com juros; Vale pode reagir primeiro a fluxo, apesar do câmbio  Papel e celulose  Klabin e Irani  Vantagem relativa com real forte; Suzano é mais sensível ao câmbio 

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Fonte: Seu Dinheiro

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