Petrobras lidera leilões de petróleo e destina R$ 3,22 bilhões a novas áreas de exploração
Por Luis Mauro Filho — Brasil 247
247 – A Petrobras conquistou 21 blocos exploratórios e comprometeu aproximadamente R$ 3,22 bilhões em bônus de assinatura nos dois leilões realizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na quarta-feira (7). A estatal concentrou a maior parte de seus investimentos na Bacia de Campos, mas também ampliou sua presença na Margem Equatorial e no pré-sal da Bacia de Santos. As duas rodadas arrecadaram, juntas, cerca de R$ 3,54 bilhões.
Os números constam de relatório da XP Investimentos divulgado nesta quinta-feira (8), elaborado pelos analistas Regis Cardoso e Enzo Sozzi. A avaliação aponta que os resultados ampliam as alternativas de exploração futura das empresas vencedoras, sem representar uma mudança expressiva na alocação de capital no curto prazo.
A maior parcela dos recursos comprometidos pela Petrobras, de R$ 2,99 bilhões, corresponde à sexta rodada da Oferta Permanente de Concessão. Nessa modalidade, a empresa arrematou 19 blocos, dos quais 12 estão localizados na Bacia de Campos e sete na Bacia do Ceará.
Nos blocos de Campos, a Petrobras terá participação integral. Já no Ceará, a estatal atuará em consórcio com a QatarEnergy, mantendo 70% dos direitos exploratórios, enquanto a companhia do Catar ficará com os 30% restantes.
Quatro blocos de águas ultraprofundas na Bacia de Campos concentraram R$ 2,766 bilhões das ofertas da Petrobras. O montante corresponde a aproximadamente 93% de seus compromissos nessa rodada e equivale a cerca de 196 vezes o bônus mínimo exigido para essas áreas.
Os blocos C-M-115 e C-M-161 receberam propostas de R$ 754 milhões cada. Nos blocos C-M-163 e C-M-216, as ofertas vencedoras chegaram a R$ 629 milhões por área.
A disputa por esses ativos ocorreu com concorrência limitada. O consórcio formado por TotalEnergies e QatarEnergy apresentou propostas inferiores às da Petrobras. As áreas estão localizadas a aproximadamente 115 a 140 quilômetros do campo de Roncador, fora do polígono do pré-sal.
Petrobras amplia presença no pré-sal e na Bacia de Campos
Na quarta rodada da Oferta Permanente de Partilha de Produção, a Petrobras conquistou outros dois blocos, Azurita e Cruzeiro do Sul, assumindo participação de 100% em ambos. Os bônus de assinatura somaram aproximadamente R$ 232 milhões.
O bloco Azurita, situado na Bacia de Campos, recebeu uma oferta de R$ 98,4 milhões. A companhia também se comprometeu a destinar à União 30% do excedente em óleo, percentual superior ao mínimo exigido de 12,51%.
A área fica próxima aos campos de Tartaruga Verde e Espadarte, permitindo à companhia ampliar sua presença em uma região onde já desenvolve atividades de exploração e produção.
Na Bacia de Santos, a Petrobras conquistou o bloco Cruzeiro do Sul mediante bônus de R$ 134 milhões e uma participação governamental de 15,27% no excedente em óleo, acima do mínimo estabelecido de 14,13%.
Cruzeiro do Sul está situado no pré-sal, próximo aos campos de Tupi e Sépia, e já havia sido oferecido em duas oportunidades anteriores, sem receber propostas.
Em 2019, o bônus de assinatura exigido para o bloco era de R$ 1,15 bilhão, com participação mínima da União de 29,5% no excedente em óleo. Em 2022, as condições foram flexibilizadas, com redução do bônus para R$ 134 milhões e da participação mínima para aproximadamente 14,1%, mas a área continuou sem interessados.
Na rodada desta semana, a Petrobras conquistou o ativo sob as mesmas condições estabelecidas em 2022, sem enfrentar propostas concorrentes.
Bacia de Campos concentra arrecadação na rodada de concessões
A sexta rodada da Oferta Permanente de Concessão disponibilizou 308 blocos exploratórios, mas somente 49 receberam propostas.
Apesar da baixa proporção de áreas arrematadas, os bônus de assinatura alcançaram aproximadamente R$ 3 bilhões, montante 36,1 vezes superior à soma dos valores mínimos estabelecidos para os blocos que receberam ofertas.
A Bacia de Campos respondeu por R$ 2,97 bilhões, equivalentes a 99% da arrecadação dessa rodada. As bacias de Santos e do Espírito Santo não receberam propostas.
O resultado evidencia a concentração do interesse das empresas em áreas marítimas específicas, especialmente aquelas associadas à estratégia exploratória da Petrobras.
Na quarta rodada de partilha, sete dos 13 blocos disponibilizados foram arrematados. A arrecadação chegou a R$ 530 milhões, distribuídos entre R$ 337 milhões na Bacia de Santos e R$ 193 milhões na Bacia de Campos.
Os pagamentos dos bônus de assinatura das duas rodadas estão previstos para ocorrer até 30 de dezembro de 2026.
PRIO conquista áreas próximas aos campos de Frade e Wahoo
A PRIO também ampliou seu portfólio exploratório ao conquistar os blocos Magnetita e Hematita, ambos localizados na porção norte da Bacia de Campos.
A companhia comprometeu aproximadamente R$ 95 milhões em bônus de assinatura, sendo R$ 93,3 milhões destinados a Magnetita e R$ 1,6 milhão a Hematita.
As propostas incluem participações governamentais de 32,8% no excedente em óleo de Magnetita e 7,18% em Hematita. Nenhum dos dois blocos recebeu ofertas concorrentes.
A localização das áreas é considerada relevante por sua proximidade com os campos de Frade e Wahoo, integrantes do portfólio da companhia.
A PRIO pretende avaliar os recursos petrolíferos potencialmente existentes nos blocos. Caso as reservas sejam confirmadas e apresentem viabilidade de desenvolvimento, a empresa poderá estudar sua conexão à unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência FPSO Valente, instalada no campo de Frade.
Essa possibilidade permitiria aproveitar infraestrutura existente, embora a decisão dependa dos resultados das avaliações exploratórias
Empresas internacionais também conquistam blocos
A rodada de partilha contou ainda com a participação de companhias internacionais.
O consórcio formado pelas chinesas CNOOC, com participação de 70%, e Sinopec, com 30%, conquistou o bloco Jade, na Bacia de Santos, mediante bônus de R$ 104,7 milhões.
A norueguesa Equinor arrematou o bloco Rubi, localizado nas proximidades do campo de Búzios, com bônus de R$ 77,6 milhões.
A companhia também venceu a disputa pelo bloco Rodocrosita, em parceria com a portuguesa Galp. Nesse consórcio, a Equinor terá participação de 70%, enquanto a Galp ficará com os 30% restantes. O bônus de assinatura foi de R$ 20,8 milhões.
A presença dessas empresas demonstra que houve interesse internacional pelas áreas brasileiras, embora a participação tenha sido concentrada em um número limitado de blocos.
Seis áreas oferecidas na rodada de partilha não receberam propostas. Entre elas estão Cerussita e Opala, na Bacia de Santos, que possuíam os maiores bônus mínimos da licitação, de R$ 329,1 milhões e R$ 249,1 milhões, respectivamente.
Também permaneceram sem ofertas os blocos Granada, Aragonita, Larimar e Turmalina. Juntas, as seis áreas poderiam representar R$ 705 milhões em bônus de assinatura, caso fossem arrematadas pelos valores mínimos estabelecidos.
Leilões também atraem empresas para exploração em terra
A sexta rodada de concessões incluiu áreas terrestres, que atraíram propostas de menor valor financeiro.
A Eneva conquistou seis blocos na Bacia do Parnaíba, mediante bônus de assinatura que somaram R$ 1,5 milhão. Todas as ofertas corresponderam aos valores mínimos exigidos.
A PetroReconcavo, por sua vez, arrematou dois blocos, um na Bacia Potiguar e outro na Bacia do Recôncavo, com compromisso financeiro de aproximadamente R$ 350 mil em bônus de assinatura.
Outras companhias, como Águila, Origem, Alvopetro, Petrom e Tucano Serviços, também figuraram entre as vencedoras de blocos terrestres.
Na avaliação dos analistas da XP, o conjunto das aquisições amplia as possibilidades de descoberta e desenvolvimento de recursos petrolíferos no futuro. O relatório pondera, entretanto, que os compromissos financeiros assumidos nos leilões representam parcelas reduzidas do valor de mercado das companhias analisadas, especialmente Petrobras, PRIO e PetroReconcavo.
A Petrobras comprometeu aproximadamente 0,44% de seu valor de mercado nos dois certames, enquanto os bônus assumidos pela PRIO equivalem a cerca de 0,2%. Para a PetroReconcavo, a proporção ficou próxima de 0,01%.
Dessa forma, os resultados reforçam a expansão dos portfólios exploratórios sem indicar, por si só, investimentos imediatos de grande escala no desenvolvimento das áreas adquiridas.
Fonte: Brasil 247