Petrobras alcança R$ 800 bilhões na Bolsa e alcança maior valor de mercado de sua história
Por Luis Mauro Filho — Brasil 247
247 – A Petrobras atingiu R$ 800 bilhões em valor de mercado no fechamento do pregão de quarta-feira (14) na B3, estabelecendo um novo recorde histórico de capitalização. A companhia alcançou pela primeira vez esse patamar, após acumular uma valorização expressiva de suas ações ao longo de 2026. Os papéis preferenciais (PETR4) registram ganhos próximos de 100% no ano, enquanto os ordinários (PETR3) apresentam uma alta de aproximadamente 110%.
A valorização levou a estatal a acrescentar cerca de R$ 100 bilhões ao seu valor de mercado em apenas 11 dias. Em 3 de outubro, a Petrobras havia ultrapassado pela primeira vez a marca de R$ 700 bilhões, impulsionada pelo anúncio de uma descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na Bacia da Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial brasileira.
No pregão em que atingiu o novo recorde, as ações preferenciais avançaram 2,22%, enquanto os papéis ordinários tiveram valorização de 1,94%. O desempenho ocorreu em um ambiente favorável às cotações internacionais do petróleo e foi acompanhado por novidades na agenda corporativa da companhia.
Entre os fatores que contribuíram para o movimento está um acordo envolvendo campos de petróleo na Bacia de Santos, que permitirá à estatal receber aproximadamente US$ 859 milhões líquidos até novembro de 2026.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, relacionou o desempenho das ações aos resultados financeiros e operacionais apresentados pela empresa.
“Ao longo dos últimos meses, afirmei diversas vezes que quem apostasse contra a Petrobras iria perder dinheiro. E temos demonstrado isso, com responsabilidade e transparência, por meio de entregas consistentes e recordes sucessivos. A companhia está forte, eficiente e cada vez mais capaz de gerar valor”, afirmou a executiva.
Petrobras receberá US$ 859 milhões após acordo com parceiras
A Petrobras assinou acordos de equalização de gastos e volumes relacionados às jazidas compartilhadas de Berbigão e Sururu, na Bacia de Santos, com as empresas Shell, TotalEnergies e Petrogal.
Os instrumentos estabelecem ajustes entre as companhias participantes dos projetos de exploração e produção. Como resultado, a estatal brasileira receberá aproximadamente US$ 859 milhões líquidos, com pagamentos previstos até novembro deste ano.
O anúncio integrou o conjunto de informações corporativas que repercutiram no mercado financeiro durante o pregão de quarta-feira.
A perspectiva de entrada desses recursos ocorre em um período de expansão da produção e de crescimento dos lucros da companhia, fatores que também ajudam a explicar o desempenho de suas ações em 2026.
Lucro da Petrobras cresce 37,6% e alcança R$ 85,1 bilhões
A Petrobras acumulou lucro líquido de R$ 85,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, resultado aproximadamente 37,6% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Do total, R$ 32,7 bilhões foram obtidos no primeiro trimestre e R$ 52,4 bilhões no segundo. Os números mostram uma aceleração dos resultados ao longo dos seis primeiros meses do ano.
A expansão financeira foi acompanhada pelo aumento da produção de petróleo no Brasil.
No segundo trimestre, a produção própria de óleo atingiu 2,7 milhões de barris diários, crescimento de 15% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
O desempenho reflete o aumento dos volumes extraídos pela companhia, que ampliou sua atividade operacional durante o período.
A produção de combustíveis também apresentou crescimento superior a 10% na comparação anual. A companhia informou ainda que seu parque de refino alcançou um fator de utilização total (FUT) superior a 100% no segundo trimestre, estabelecendo um recorde para o indicador.
Petrobras amplia atuação em combustíveis renováveis e fertilizantes
Além dos resultados na exploração e no refino de petróleo, a Petrobras vem ampliando a comercialização de produtos com conteúdo renovável.
Entre os combustíveis estão o Diesel R5, produzido por coprocessamento e com 5% de conteúdo renovável, e o Bunker B24, destinado ao transporte marítimo e composto por 24% de biodiesel.
A ampliação dessas linhas integra a estratégia de inserção de produtos da companhia em novos mercados.
Outra frente de atuação envolve a retomada da produção nacional de fertilizantes nitrogenados, especialmente ureia e amônia.
A empresa avançou na reativação de suas fábricas de fertilizantes nitrogenados no Nordeste, conhecidas como FAFENs, e das operações da Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA), localizada em Araucária, no Paraná.
A estratégia inclui ainda a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), empreendimento destinado a ampliar a capacidade nacional de produção de insumos agrícolas.
O movimento busca aumentar a oferta doméstica de fertilizantes e ampliar a participação da Petrobras nesse segmento.
Descoberta na Margem Equatorial antecedeu recorde histórico
A valorização da Petrobras também foi influenciada por acontecimentos recentes relacionados à exploração de novas reservas.
Em 3 de outubro, quando a companhia alcançou R$ 700 bilhões em valor de mercado pela primeira vez, o avanço das ações ocorreu após o anúncio de uma descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na Bacia da Foz do Amazonas.
A região integra a Margem Equatorial brasileira, considerada uma das áreas de interesse da companhia para a expansão de suas atividades exploratórias.
O anúncio contribuiu para impulsionar as expectativas dos investidores em relação ao potencial de novas descobertas de petróleo.
Onze dias depois, a estatal alcançou a marca de R$ 800 bilhões, consolidando uma sequência de recordes de capitalização na Bolsa brasileira.
A valorização acumulada dos papéis preferenciais e ordinários ao longo de 2026, somada ao crescimento da produção e do lucro semestral, acompanha a trajetória de expansão do valor de mercado da companhia.
Fonte: Brasil 247