Pesquisas com amostras maiores poderiam mostrar movimento mais forte nos votos, diz cientista político
Por Leonardo Miazzo — Carta Capital
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Rui Tavares Maluf afirma que sondagens com 10.000 entrevistas ofereceriam mais segurança na análise. Custos e concorrência dificultam, porém, a tarefa
Pesquisas com mais entrevistados poderiam indicar movimentos mais significativos nas intenções de voto, em comparação com as amostras atualmente utilizadas pelos institutos, afirmou a CartaCapital o cientista político Rui Tavares Maluf.
Divulgado na quinta-feira 15, o Datafolha mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 51% dos votos válidos no segundo turno, contra 49% de Lula (PT). O instituto ouviu 2.520 eleitores, e os resultados têm margem de erro de dois pontos percentuais. Na rodada anterior, de 8 de outubro, o senador marcava 52%, ante 48% do presidente.
“O tamanho das amostras, mesmo que elas não estejam erradas do ponto de vista do agregado, torna muito difícil — para um país com um eleitorado tão grande e com tantas clivagens — que tenhamos segurança na abertura dos dados”, avalia Maluf.
Amostras maiores tornariam mais precisa a análise de dados como as intenções de voto por religião, renda e região, defendeu. “Deveríamos ter, para obter um pouco mais de segurança, amostras que se faziam mais no passado, com 6.000, 7.000, até perto de 10.000 entrevistas.”
Maluf admite, porém, que o aumento nos custos e na concorrência do setor de pesquisas dificulta essa aspiração. Ainda, assim, segundo ele, as atuais amostras podem ajudar a explicar por que diversos institutos não captaram o avanço nas intenções de voto de Flávio na reta final do primeiro turno.
“Talvez se tivéssemos amostras maiores, permitindo clivagens e sendo mais representativas na abertura por faixa etária e por outras categorias, pudéssemos antever que alguma coisa estava se movimentando mais fortemente”, explicou. “No agregado, na superfície, não dava para ver.”
Leonardo Miazzo
Editor de CartaCapital
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Fonte: Carta Capital