Pesquisa mostra que 12% dos eleitores de baixa renda ainda podem mudar de voto
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial ainda apresenta espaço para mudanças na preferência dos eleitores, especialmente entre os brasileiros de menor renda. Uma pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta terça-feira (13), revela que 12% dos entrevistados com rendimento de até um salário mínimo admitem a possibilidade de rever sua escolha antes da votação.
Segundo informações publicadas pela coluna de Miriam Leitão, do jornal O Globo, o percentual registrado entre os eleitores de menor renda é quase duas vezes superior à média nacional, de 7%. O resultado indica que esse segmento reúne a maior proporção de pessoas abertas a uma mudança de voto na reta final da campanha presidencial.
O levantamento também mostra que 92% dos entrevistados afirmam estar convictos de sua decisão, enquanto 1% não soube responder. Embora a parcela de eleitores dispostos a reconsiderar o voto seja relativamente pequena, sua influência pode ser importante em uma eleição marcada pela proximidade entre os candidatos.
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, avalia que a disputa pelos eleitores que ainda não consolidaram sua escolha poderá interferir diretamente no resultado das urnas.
“A tentativa de conversão dos votos acontece nesses 7% que ainda podem mudar de ideia. É pouco, mas, numa disputa eleitoral tão acirrada como a que temos, pode ser decisivo para o resultado”, afirmou.
Possibilidade de mudança de voto diminui conforme aumenta a renda
A pesquisa identifica diferenças significativas no grau de convicção dos eleitores de acordo com a faixa de rendimento. Entre os brasileiros que recebem de um a dois salários mínimos, 9% admitem que ainda podem alterar sua escolha para presidente.
O menor percentual foi observado entre os entrevistados com renda de dois a cinco salários mínimos, grupo no qual apenas 4% demonstram disposição para reconsiderar o voto.
Já entre aqueles que recebem mais de cinco salários mínimos, a proporção é de 5%, ligeiramente superior à registrada na faixa intermediária.
Os resultados indicam que a maior possibilidade de mudança de preferência eleitoral está concentrada nos segmentos de renda mais baixa, sobretudo entre os brasileiros que recebem até um salário mínimo.
A diferença de oito pontos percentuais entre os grupos com renda de até um salário mínimo e de dois a cinco salários mínimos evidencia a desigualdade no grau de definição do voto conforme a condição econômica dos entrevistados.
Regiões metropolitanas concentram mais eleitores abertos à mudança
A localização dos entrevistados também aparece como fator de diferenciação. Nas regiões metropolitanas, 10% dos eleitores afirmam que ainda podem mudar de candidato, percentual três pontos acima da média nacional.
O dado aponta maior espaço para a disputa por votos nos grandes centros urbanos, onde a proporção de pessoas que admitem reconsiderar sua decisão supera a observada no conjunto do país.
A pesquisa, no entanto, não detalha quais regiões metropolitanas apresentam os maiores índices, nem identifica a preferência eleitoral dos entrevistados que admitem uma possível mudança.
Por isso, os percentuais não permitem determinar qual dos dois candidatos poderia ser mais beneficiado por eventuais alterações nas escolhas dos eleitores.
Evangélicos apresentam maior possibilidade de mudança de voto
O levantamento também revela diferenças entre os grupos religiosos. Entre os evangélicos, 9% afirmam que ainda podem modificar sua decisão no segundo turno, proporção superior à registrada entre os católicos, de 6%.
Entre os brasileiros que seguem outras religiões, apenas 3% admitem a possibilidade de mudança, o menor índice identificado nesse recorte da pesquisa.
Já entre os entrevistados que declaram não ter religião, o percentual chega a 5%.
A diferença entre evangélicos e católicos mostra que o eleitorado evangélico apresenta maior proporção de pessoas abertas a reconsiderar o voto. Isso, contudo, não significa necessariamente uma tendência de migração para um candidato específico, uma vez que o levantamento divulgado não apresenta a direção dessas possíveis mudanças.
Disputa acirrada aumenta importância dos eleitores que podem mudar de voto
Os resultados ganham relevância diante do cenário eleitoral definido no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Lula e Flávio Bolsonaro avançaram para a votação decisiva, marcada para 25 de outubro, em uma disputa na qual a capacidade de conquistar novos apoios poderá ter peso no resultado.
Com a ampla maioria do eleitorado declarando convicção sobre sua escolha, a margem para alterações no quadro eleitoral aparece concentrada em grupos específicos, principalmente entre os brasileiros de menor renda, moradores de regiões metropolitanas e evangélicos.
Os números também mostram que a possibilidade de mudança de voto não se distribui de maneira uniforme pela população. A disposição para reconsiderar a escolha varia conforme a renda, a localização e a religião dos entrevistados.
A pesquisa Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados ouviu 2.002 pessoas por telefone entre os dias 10 e 12 de outubro. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Os percentuais dos subgrupos estão sujeitos a margens de erro próprias, não informadas no material divulgado.
Fonte: Brasil 247