Pesquisa aponta que 49% dos eleitores de Flávio Bolsonaro acreditam que ele barraria fim da escala 6×1
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A possibilidade de Flávio Bolsonaro (PL) impedir o fim da escala de trabalho 6×1, caso seja eleito presidente da República, é a informação com maior potencial de prejudicar sua candidatura entre onze temas analisados em uma pesquisa encomendada por sua própria campanha. O levantamento aponta que 49% dos entrevistados consideram verdadeira a afirmação de que o candidato barraria a mudança na jornada de trabalho. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (13) pelo jornalista Lauro Jardim, em sua coluna no jornal O Globo.
O estudo foi realizado pelo Instituto Gerp, por meio de entrevistas telefônicas com 2 mil pessoas, na última sexta-feira (9), e serviu de base para um documento interno da campanha de Flávio Bolsonaro.
A pesquisa avaliou a percepção dos eleitores sobre onze afirmações relacionadas ao candidato do PL. Os participantes foram questionados se consideravam cada informação verdadeira, falsa ou se nunca haviam ouvido falar do assunto. Entre todos os temas apresentados, o possível bloqueio ao fim da escala 6×1 registrou o maior percentual de entrevistados que acreditam na afirmação.
“É a única das onze em que metade do país acredita”, afirma o documento produzido a partir do levantamento, segundo a coluna.
O resultado chama a atenção porque a redução da jornada de trabalho se tornou um dos temas centrais do debate político e eleitoral. A discussão envolve o modelo em que trabalhadores cumprem seis dias de expediente para apenas um de descanso, além de propostas para ampliar o tempo livre sem redução salarial.
O levantamento também revela que, de maneira geral, 69% dos eleitores de Flávio Bolsonaro não acreditam nas informações negativas apresentadas sobre o candidato. A questão da escala 6×1, entretanto, aparece como um ponto de maior vulnerabilidade identificado pela campanha.
Além da jornada de trabalho, a pesquisa investigou a percepção dos entrevistados sobre possíveis alterações em direitos trabalhistas, programas sociais e benefícios mantidos pelo governo federal.
A afirmação de que Flávio Bolsonaro poderia modificar a Constituição para retirar direitos foi considerada verdadeira por 37% dos participantes, o segundo maior percentual entre os onze assuntos pesquisados.
Outras duas informações relacionadas a direitos e benefícios também registraram índices expressivos. Segundo o levantamento, 33% acreditam que o candidato acabaria com o programa Pé-de-Meia, voltado à permanência de estudantes de baixa renda no ensino médio. O mesmo percentual considera verdadeira a afirmação de que ele retiraria direitos como férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
No caso de programas de assistência social, 28% dos entrevistados acreditam que Flávio Bolsonaro cortaria o Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. Outros 28% consideram verdadeira a possibilidade de encerramento do programa Farmácia Popular.
O mesmo índice, de 28%, foi registrado nas afirmações sobre uma eventual privatização das praias brasileiras e a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida.
Entre os demais assuntos avaliados, 27% acreditam que o candidato poderia acabar com o salário mínimo. O percentual se repete nas afirmações sobre o encerramento do Bolsa Família e do Minha Casa, Minha Vida, dois dos principais programas sociais do governo federal.
Os resultados mostram que as preocupações relacionadas à legislação trabalhista e à continuidade de políticas públicas estão entre os temas avaliados pela campanha de Flávio Bolsonaro. A pesquisa, contudo, mede a percepção dos entrevistados sobre as afirmações apresentadas, não constituindo comprovação de que o candidato pretenda adotar essas medidas.
A escala 6×1 se destaca nesse conjunto por apresentar uma diferença de 12 pontos percentuais em relação ao segundo tema mais citado, a possibilidade de alteração da Constituição para retirar direitos.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou espaço na agenda nacional com propostas de redução da jornada semanal e ampliação dos períodos de descanso. O tema mobiliza trabalhadores, sindicatos, parlamentares e representantes do setor empresarial, diante de seus possíveis impactos nas relações de trabalho e na organização das atividades econômicas.
Fonte: Brasil 247