Pedidos de recuperação judicial no agronegócio recuam 20,7%, aponta Serasa
Por Felipe Rabioglio — ICL Notícias
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O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, uma redução de 20,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (19) pela Serasa Experian e representam a primeira queda do indicador para um segundo trimestre desde 2022.
O levantamento considera solicitações apresentadas por produtores rurais que atuam como pessoas físicas ou jurídicas, além de empresas ligadas à cadeia produtiva do agronegócio. Na comparação com os três primeiros meses deste ano, quando foram contabilizados 474 pedidos, houve recuo de 5,5%.
Apesar da redução, o cenário ainda exige atenção. O setor enfrenta dificuldades relacionadas ao endividamento, aos custos elevados de produção e à maior restrição na concessão de crédito.
Para Marcelo Pimenta, responsável pela área de agronegócio da Serasa Experian, a diminuição dos pedidos pode estar relacionada a fatores sazonais e à melhora temporária das condições financeiras de parte dos produtores.
“A retração nesse segundo trimestre registrada em pelo menos dois dos três perfis analisados pode estar relacionada a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço de renegociações com credores”, afirmou Pimenta.
“Por isso, é importante acompanhar se essa redução será sustentada nos próximos trimestres”, acrescentou o executivo.
Mato Grosso lidera pedidos de recuperação judicial
Entre os estados brasileiros, Mato Grosso concentrou o maior número de solicitações de recuperação judicial no segundo trimestre, com 107 registros.
O estado, que está entre os principais produtores de grãos e de carne bovina do país, foi seguido por Goiás, com 84 pedidos, e São Paulo, com 72.
Minas Gerais apareceu na quarta posição, com 54 solicitações, enquanto o Paraná contabilizou 42.
Na divisão por atividade econômica, o cultivo de soja liderou os pedidos de recuperação judicial, com 70 registros. A criação de bovinos apareceu em seguida, com 28 solicitações.
Os números mostram que as dificuldades financeiras continuam presentes em atividades importantes para a produção agropecuária brasileira, mesmo diante da redução geral dos pedidos.
Solicitações caem entre produtores rurais
O levantamento também identificou queda nos pedidos apresentados diretamente por produtores rurais, tanto pessoas físicas quanto jurídicas.
Entre os produtores que atuam como pessoa física, foram registradas 197 solicitações no segundo trimestre, uma redução de 10,5% em relação ao mesmo período de 2025.
Já entre os produtores rurais constituídos como pessoa jurídica, a retração foi mais expressiva, de 34,2%, com 160 pedidos.
A Serasa Experian também analisou a distribuição das solicitações conforme o porte dos produtores.
A categoria classificada como “sem propriedades”, que pode incluir produtores que trabalham em terras arrendadas, concentrou 70 pedidos de recuperação judicial.
Em seguida, apareceram os grandes proprietários, com 51 registros, os pequenos, com 39, e os médios, com 37.
Embora os indicadores apontem uma melhora em relação ao ano anterior, a Serasa ressalta que ainda não é possível afirmar que o agronegócio tenha superado suas dificuldades financeiras.
A continuidade da redução dos pedidos dependerá, entre outros fatores, das condições de crédito, da capacidade de renegociação das dívidas e da evolução das receitas dos produtores nos próximos trimestres.
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Fonte: ICL Notícias




