PEC da Transição ‘às avessas’: plano de Flávio Bolsonaro para cortes de R$ 200 bi repercute na Faria Lima
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – Relatos sobre um plano econômico do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltaram a circular entre investidores da Faria Lima nesta quarta-feira (7). As informações foram divulgadas pelo Valor Econômico, a partir de relatos de participantes de uma reunião realizada no mês passado pela consultoria Eurasia Group.
Segundo os relatos, Luiz Felipe Trevisan, ex-diretor do Itaú BBA e um dos assessores econômicos de Flávio, apresentou propostas que incluem uma espécie de PEC da Transição “às avessas”. A ideia seria encaminhar o texto entre a eleição e a posse, caso o senador bolsonarista seja eleito, com um pacote de medidas para reduzir as despesas públicas.
O projeto teria entre nove e dez medidas, com previsão de cortes que somariam R$ 200 bilhões, equivalente a cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A promessa de reduzir R$ 200 bilhões em despesas já havia sido apresentada em outras ocasiões por Daniella Marques, coordenadora do plano econômico da campanha de Flávio.
Os relatos da reunião, feitos por pessoas que participaram do encontro, voltaram a circular em grupos de WhatsApp com integrantes do mercado financeiro durante a manhã desta quarta-feira (7). De acordo com a apuração, as propostas foram recebidas positivamente por investidores, que as classificaram como um “game changer”.
Fim da reeleição
Durante a reunião, Trevisan também teria citado o fim da reeleição para presidente como uma possível moeda de troca para viabilizar a aprovação do pacote fiscal no Congresso. A proposta poderia facilitar uma aproximação com o Centrão e concentrar medidas consideradas impopulares no início de um eventual governo.
Pessoas próximas à campanha de Flávio, ouvidas sob anonimato após o primeiro turno, afirmaram que uma PEC para acabar com a reeleição já estaria elaborada. O texto também teria restrições para parentes e consanguíneos do político eleito. Na manhã desta quarta-feira (7), o senador voltou a mencionar a possibilidade de acabar com a reeleição.
Cortes na máquina pública
De acordo com os relatos da reunião, o ajuste fiscal previsto na chamada PEC da Transição “às avessas” seria obtido inicialmente por meio de cortes dentro da estrutura do governo, sem atingir a Previdência ou reduzir benefícios sociais.
Entre as medidas mencionadas estão uma reforma administrativa, a redução do número de ministérios e de cargos comissionados, além da revisão das curvas salariais do funcionalismo público.
O plano também incluiria ações de combate a fraudes e uma revisão de despesas do Estado. No caso das emendas parlamentares, a eventual administração de Flávio Bolsonaro avaliaria uma renegociação do volume de recursos dentro da própria PEC.
Fonte: Brasil 247