Paulinho da Força pede impeachment de Kassio, Mendonça e Fux
Por Vinícius Nunes — Carta Capital
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O deputado cita relações dos ministros e de familiares com Daniel Vorcaro e o Banco Master; contra Mendonça, também questiona suposto favorecimento a grupo político
O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), presidente nacional do partido, protocolou no Senado pedidos de impeachment contra os ministros André Mendonça , Kassio Nunes Marques e Luiz Fux , do Supremo Tribunal Federal. As representações apontam supostos crimes de responsabilidade e foram apresentadas em meio à crise envolvendo ministros da Corte e as investigações sobre o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro .
O pedido contra Mendonça foi apresentado em 24 de setembro; os documentos contra Nunes Marques e Fux foram protocolados em 29 de setembro.
As três petições têm como eixo as relações dos ministros, ou de pessoas próximas a eles, com Vorcaro e o Banco Master, mas fazem acusações diferentes em cada caso. Paulinho sustenta que os episódios descritos nas representações justificam a abertura de processo por crime de responsabilidade.
A ofensiva acontece na mesma semana em que Paulinho abriu outra frente contra Nunes Marques e Mendonça. Na terça-feira 29, o presidente do Solidariedade pediu ao ministro Flávio Dino , do STF, que os dois fossem afastados da atuação na fiscalização da propaganda eleitoral no TSE .
Nunes Marques é presidente do Tribunal Superior Eleitoral e Mendonça, vice-presidente. Paulinho questiona o fato de os dois ministros efetivos acumularem a direção da Corte eleitoral com a atuação em processos e na fiscalização de propaganda. O deputado argumenta que isso teria provocado demora na análise de pedidos de direito de resposta e outras ações eleitorais.
A petição foi apresentada no contexto da disputa envolvendo decisões sobre publicações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida . Dino havia derrubado uma decisão de Mendonça sobre as publicações, e posteriormente Luiz Fux interveio para restabelecer a decisão anterior , num jogo de “derruba derruba” e ampliando o conflito entre os ministros.
O documento diz que Mendonça “tem atuado de forma parcial e com direcionamento político-eleitoral” e fala na “criação de eventos processuais que possam favorecer o grupo político com quem ele tem ligação ”.
Paulinho relaciona essa acusação à atuação de Mendonça em investigações que atingem Alexandre de Moraes e à condução do caso Banco Master. O deputado menciona ainda um encontro entre Mendonça e o banqueiro para tratar supostamente de precatórios ligados ao Master.
Outro argumento utilizado por Paulinho é o que considera uma diferença de tratamento entre as informações relacionadas a Moraes e aquelas envolvendo outros ministros. A petição questiona, por exemplo, por que Mendonça teria adotado providências em relação a Moraes, mas não teria tomado medidas diante de informações envolvendo Nunes Marques.
No pedido contra Nunes Marques, Paulinho concentra a acusação em suspeitas de relações financeiras e benefícios envolvendo Vorcaro, o ministro e pessoas de seu entorno. A representação menciona mensagens atribuídas ao banqueiro sobre o custeio de hospedagens e eventos para Nunes Marques.
Também cita a chamada “ Turma do KN ”, além de um suposto pagamento de 500 mil reais de Vorcaro ao advogado Kevin Marques, filho do presidente do TSE.
A petição também questiona um contrato de 427 milhões de reais atribuído à chamada “Turma do KN” com o Banco Master. A partir desses episódios, Paulinho sustenta que deveriam ter sido adotadas providências para investigar as relações mencionadas nos documentos.
Contra o ministro Luiz Fux, Paulinho sustenta que o ministro não deveria atuar em processos relacionados ao Banco Master por causa de uma possível situação de suspeição. A petição cita contatos entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro.
O episódio mencionado envolve um precatório bilionário ligado à Agro Industrial Tabu, que, segundo a representação, interessava ao Banco Master. Paulinho afirma que o contato ocorreu às vésperas de um julgamento no Supremo.
A partir disso, o deputado afirma que Fux teria impedimento para continuar julgando o caso e enquadra a conduta no dispositivo da Lei do Impeachment que trata de comportamento incompatível com o cargo. Na representação, Paulinho afirma que Fux “procede de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro do cargo” .
O deputado também questiona o momento em que Fux teria se manifestado sobre o episódio. Segundo a argumentação apresentada na petição, o ministro somente votou contra o pedido relacionado ao caso em junho de 2026, quando Vorcaro já estava preso, em uma decisão que acabou sendo unânime.
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Fonte: Carta Capital