Partido de Putin conquista maioria recorde nas eleições parlamentares na Rússia

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Por AFPCarta Capital

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A legenda deve ficar com mais de 350 cadeiras no parlamento, em um total de 450

O partido Rússia Unida, do presidente Vladimir Putin, obteve uma maioria recorde na Câmara Baixa do Parlamento após três dias de eleições legislativas rigidamente controladas, sem a participação de partidos críticos ao Kremlin ou à guerra na Ucrânia.

As eleições, também organizadas em territórios ucranianos controlados e anexados pela Rússia, foram abaladas por um ataque em larga escala de Kiev contra Moscou e por denúncias de ciberataques.

Segundo os resultados preliminares, que correspondem a mais de 95% das seções eleitorais, o partido Rússia Unida obteve uma esmagadora maioria na Duma, a Câmara Baixa, com 355 das 450 cadeiras.

Estas foram as primeiras eleições legislativas organizadas desde o início da ofensiva contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022, um conflito que deixou centenas de milhares de mortos e afetou consideravelmente a vida cotidiana dos russos neste ano.

O Kremlin celebrou o resultado nesta segunda-feira e afirmou que reflete “um nível excepcional de coesão da sociedade russa em torno do chefe de Estado”, que está no poder desde 1999.

O Partido Comunista da Rússia conquista 40 cadeiras, o partido nacionalista LDPR, 25, e a legenda Gente Nova, 20. Todos apoiam a ofensiva na Ucrânia e a maioria das políticas de Putin.

O único partido abertamente contrário à guerra na Ucrânia, Yabloko, foi excluído do pleito por decisão judicial.

O partido Rússia Unida mantém assim uma supermaioria de pelo menos dois terços dos assentos (301), o que permite a aprovação de reformas constitucionais sem a necessidade do apoio de outras legendas.

Durante uma entrevista coletiva, a presidente da Comissão Eleitoral, Ella Pamfilova, também comemorou uma participação “recorde”, que oficialmente superou 59%.

“É a maior taxa de participação já registrada em eleições deste nível”, disse.

Os resultados definitivos devem ser anunciados na sexta-feira.

Dmitri Medvedev, ex-presidente e atual líder do Rússia Unida, celebrou uma demonstração de confiança no governo e prometeu “respaldar a linha traçada pelo presidente” e “aproximar o país da vitória”.

O conflito se intensificou nos últimos meses com ataques das duas partes e, segundo a ONU, atingiu um nível de vítimas civis que não era registrado desde os primeiros meses da guerra.

O último dos três dias de votação foi marcado por um ataque ucraniano na madrugada de domingo com mais de mil drones. Duas pessoas morreram na periferia de Moscou, segundo as autoridades russas.

Na capital, uma importante refinaria foi danificada, segundo o prefeito Sergei Sobyanin, que denunciou um ataque “claramente planejado com o objetivo de perturbar as eleições”.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que os ataques da Ucrânia tiveram “um impacto muito importante na região de Moscou”.

Ele conversou por telefone com o presidente americano, Donald Trump, que nos últimos dias pediu a Kiev para interromper os ataques contra as refinarias russas.

Zelensky anunciou que programou uma reunião em Nova York com o presidente dos Estados Unidos, com quem abordou “ideias para medidas de desescalada”.

A eleição aconteceu em um contexto social tenso, com a Rússia enfrentando sanções econômicas ocidentais, ataques ucranianos frequentes, escassez de combustíveis e restrições ao funcionamento da internet em várias regiões.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, rejeitou as “supostas” eleições russas. “O Kremlin silenciou a dissidência, excluiu o único partido registrado que é contrário à sua guerra na Ucrânia e impediu o acesso de observadores eleitorais internacionais”, denunciou.

“Na Rússia, resta apenas a aparência de democracia”, acrescentou.


AFP

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Fonte: Carta Capital

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