Paralisação de oleoduto na Arábia Saudita ameaça 4% da oferta mundial de petróleo

0

Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – A Arábia Saudita corre o risco de esgotar seus estoques de petróleo voltados para a exportação caso não consiga reativar, nos próximos dias, o seu principal oleoduto com destino ao Mar Vermelho. A paralisação da infraestrutura pode retirar de circulação até 4% de todo o abastecimento mundial da comutação de energia, informa a agência Reuters.

A potencial retração nos fluxos de envio sauditas tende a aprofundar de forma severa a escassez global de oferta. Esse gargalo já vem impulsionando os preços dos combustíveis para patamares recordes, pressionando índices inflacionários em escala global e elevando os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos aos níveis mais altos registrados desde a crise financeira de 2008.

O fechamento do duto leste-oeste ocorreu na última sexta-feira (11), após a infraestrutura ser atingida por ataques com drones. Desde então, o governo de Riad manteve mistério sobre o quadro real da operação, sem divulgar detalhes oficiais sobre a extensão total dos estragos ou a estimativa exata do tempo necessário para que o trecho volte a operar integralmente.

Entre interlocutores e analistas consultados no setor petrolífero, as previsões sobre o tempo de restauração ainda divergem. Enquanto uma das fontes apontou que as equipes técnicas podem levar de cinco a seis semanas para concluir os consertos operacionais, outra projeção sugeriu que o restabelecimento pode acontecer de forma mais célere, permitindo inclusive uma retomada parcial dos fluxos de transporte durante a execução das obras. Procurados para comentar a situação, o Ministério da Energia e a assessoria de imprensa do governo da Arábia Saudita não responderam aos questionamentos.

Gargalo logístico e esgotamento das reservas

Ao longo dos últimos seis meses, o oleoduto que cruza o deserto da Península Arábica serviu como a principal alternativa para blindar a Arábia Saudita dos impactos diretos provocados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. O fechamento daquela rota marítima em decorrência de conflitos armados paralisou quase por completo as exportações dos países vizinhos.

Na condição de maior exportador global do insumo, o reino saudita vinha utilizando a tubulação interna para redirecionar aproximadamente 4 milhões de barris diários — volume equivalente a 4% da produção mundial — em direção ao porto de Yanbu, localizado no Mar Vermelho.

Com a paralisação do oleoduto, no entanto, os níveis de armazenamento em Yanbu caíram para patamares críticos. Três fontes operacionais familiarizadas com o fluxo de embarques sauditas alertaram que o terminal possui estoque suficiente para sustentar as exportações por um período de apenas cinco a sete dias.

Como alternativa complementar, Riad dispõe de reservas para abastecer seus clientes internacionais por poucos dias a partir dos portos egípcios de Ain Sukhna, situado no Mar Vermelho, e de Sidi Kerir, no Mar Mediterrâneo. Estimativas do setor indicam que a capacidade máxima de armazenamento de Yanbu é de 35 milhões de barris, ao passo que os terminais egípcios de Ain Sukhna e Sidi Kerir suportam até 18 milhões e 20 milhões de barris, respectivamente. As fontes reforçam, contudo, que esses depósitos não estão em sua capacidade máxima e irão se esgotar inevitavelmente se o duto leste-oeste não voltar a funcionar a tempo.

A interrupção ocorre em um momento crítico para a produção do país. Segundo dados divulgados na última sexta-feira pela Agência Internacional de Energia (AIE), o fornecimento total de petróleo saudita caiu em agosto para o patamar mais baixo registrado em mais de três décadas, reflexo direto da redução dos fluxos navegáveis no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho. A AIE, entidade responsável por coordenar as políticas energéticas das nações ocidentais, calcula que a oferta mundial de petróleo sofrerá uma redução anual de 5,7 milhões de barris por dia, o que representa um encolhimento de aproximadamente 6% no mercado global.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *