Para reduzir gastos com zeladoria, Mabel anuncia bônus por produtividade de até R$ 1,7 mil na Comurg
Por João Reynol — Jornal Opção

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, anunciou o pagamento de um prêmio de produtividade de até R$ 1,7 mil para trabalhadores da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). A medida busca ampliar a capacidade das equipes próprias durante o período chuvoso e reduzir os gastos dos cofres públicos com a contratação de empresas terceirizadas para serviços de zeladoria.
Ao todo, 652 empregados da companhia serão contemplados pelo programa, entre trabalhadores operacionais, fiscais e supervisores. O valor recebido mensalmente dependerá do cargo e do cumprimento de metas de roçagem estabelecidas pela Comurg.
Segundo Mabel, a estratégia é aumentar a frequência da manutenção dos gramados de uma para duas vezes por mês sem recorrer à contratação de empresas externas. Para o prefeito, no ano passado, a administração municipal gastou quase R$ 12 milhões com a execução desse tipo de serviço.
“Nós vamos fazer um plano de produtividade. Onde nós roçamos uma vez por mês, vamos roçar duas. No ano passado, nós nos perdemos, você lembra que a grama cresceu muito. Este ano, nós não queremos contratar empresa de fora, que custa mais caro”, afirmou.
O programa terá custo máximo de R$ 359,97 mil por mês, podendo alcançar R$ 2,52 milhões até abril de 2027, quando termina o período previsto para a iniciativa. O prêmio não será incorporado ao salário dos empregados.
A comparação apresentada pela Prefeitura é que o pagamento por produtividade permita executar o serviço com a estrutura da própria Comurg, evitando a necessidade de novas contratações terceirizadas.
Pagamento por produtividade
Dos 652 trabalhadores contemplados, 610 são operacionais, 28 fiscais e 14 supervisores. O maior prêmio será destinado aos supervisores, que poderão receber até R$ 1,7 mil mensais. Para os fiscais, o limite será de R$ 800.
Entre os trabalhadores operacionais, aqueles que atuam no período noturno poderão receber até R$ 550, enquanto o teto para o turno diurno será de R$ 500.
No caso dos operacionais, R$ 300 estarão vinculados ao resultado da própria equipe e outros R$ 200 ao desempenho geral da companhia. O pagamento começa quando a equipe alcançar pelo menos 85% da área prevista.
Entre 85% e 89,9% da meta, o trabalhador terá direito à metade do valor previsto. Caso o resultado fique entre 90% e 99,9%, serão pagos três quartos do prêmio. O pagamento integral ocorrerá quando a equipe alcançar ou superar 100% da meta.
Já fiscais e supervisores terão parte do pagamento calculada conforme o número de equipes sob responsabilidade que atingirem os objetivos. O fiscal receberá R$ 120 por equipe, acompanhando entre duas e cinco, enquanto o supervisor receberá R$ 150 por equipe e poderá ficar responsável por quatro a dez. Ambos ainda poderão receber R$ 200 pelo resultado geral da Comurg.
A Gerência Técnica Executiva (GTE) ficará responsável pela apuração e consolidação dos resultados, com dupla conferência. Faltas injustificadas retiram o trabalhador do programa, enquanto atestados médicos podem reduzir o prêmio. A regra não será aplicada em casos de acidente de trabalho, licença-maternidade e pré-natal.
Meta de 551 mil m² por dia
Para ampliar a frequência da zeladoria, a Comurg estabeleceu metas de produtividade por turnos de 12 horas, descontados os períodos de pausa, deslocamento e paralisação de equipamentos.
As equipes que trabalham com trator giro zero deverão roçar 15 mil m² durante o turno diurno e 15,3 mil m² no noturno. Na roçagem manual, as metas serão de 5,4 mil m² e 5,5 mil m², respectivamente.
Somadas, as equipes terão como objetivo atender 551 mil m² diariamente. Segundo a companhia, a capacidade operacional é de 626 mil m² por dia, o que faz com que a meta represente aproximadamente 88% do total. A diferença deverá funcionar como margem para chuvas, problemas com equipamentos e outros imprevistos.
Para o presidente da Comurg, Cleber Aparecido Santos, o modelo busca atrelar a remuneração adicional diretamente à quantidade de serviço executado.
“A meta foi calculada por turno, com o tempo real de trabalho. Cada equipe sabe quanto precisa roçar em cada jornada, e a apuração é feita área por área. Quem entrega mais serviço recebe mais. A regra é a mesma para todos, e o resultado aparece na rua, com a grama cortada duas vezes por mês”, afirmou.
A iniciativa ocorre durante o processo de reestruturação da Comurg promovido pela gestão municipal. Em abril deste ano, a Prefeitura assinou um novo contrato com a companhia para a execução dos serviços de zeladoria urbana pelos próximos cinco anos, com valor estimado de R$ 7,5 bilhões e previsão de pagamento conforme os serviços efetivamente medidos e executados.
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Fonte: Jornal Opção