Os doadores das campanhas de Lula e Flávio
Por Camila Bezerra — GGN
Levantamentos sobre as prestações de contas das campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) mostram perfis distintos entre os principais doadores individuais. No caso de Lula, a maioria das pessoas que fizeram contribuições de pelo menos R$ 2.500 diretamente à campanha ocupa cargos no governo federal ou em empresas estatais. Já entre os maiores financiadores individuais de Flávio aparece o empresário Erasmo Carlos Battistella, que também doou para a campanha do presidente.
Segundo dados parciais da Justiça Eleitoral analisados pela Folha de S.Paulo, 76 pessoas haviam doado ao menos R$ 2.500 diretamente à campanha de Lula, sem utilização de plataformas de financiamento coletivo. Desse grupo, 57 foram identificadas como ocupantes de cargos no governo ou empregados de empresas estatais. As contribuições desse grupo somavam R$ 425 mil, sendo R$ 355 mil em transferências bancárias e aproximadamente R$ 70 mil em serviços estimados na prestação de contas.
Entre os doadores estão ministros, secretários, diretores, assessores e dirigentes de estatais. O levantamento identificou ainda oito pessoas que acumulam funções em conselhos de empresas públicas federais diferentes de seus locais de trabalho, atividades pelas quais recebem remuneração adicional, conhecida como jeton.
Os cinco ministros identificados entre os doadores são Miriam Belchior, da Casa Civil, que contribuiu com R$ 28 mil; Luiz Marinho, do Trabalho, com R$ 24 mil; José Guimarães, das Relações Institucionais, com R$ 13 mil; Leonardo Barchini, da Educação, com R$ 10 mil; e Márcia Lopes, das Mulheres, com R$ 4 mil. Miriam Belchior também integra o Conselho de Administração de Itaipu.
Até o período analisado, a campanha de Lula havia declarado R$ 66,9 milhões em receitas. Desse total, R$ 65,2 milhões eram provenientes dos fundos eleitoral e partidário repassados pelo PT. As doações individuais diretas somavam uma parcela menor, enquanto o financiamento coletivo havia arrecadado R$ 283 mil.
A campanha de Lula negou ter solicitado contribuições a integrantes do governo. Em nota, afirmou que “jamais houve qualquer orientação ou pedido de doações por parte de integrantes do governo” e que os recursos foram transferidos de forma voluntária e individual, dentro dos parâmetros da legislação eleitoral.
Os ministérios consultados também negaram qualquer orientação ou incentivo institucional para as contribuições. As pastas da Educação, Casa Civil, Relações Institucionais, Trabalho e Mulheres afirmaram que eventuais doações foram decisões pessoais dos servidores e agentes públicos.
Flávio Bolsonaro
Na campanha de Flávio Bolsonaro, os dados disponíveis até 24 de setembro indicavam uma concentração ainda maior dos recursos em repasses partidários. A candidatura havia declarado R$ 56,9 milhões em receitas, dos quais aproximadamente R$ 53,5 milhões foram transferidos pelo Partido Liberal.
As doações feitas diretamente por pessoas físicas somavam cerca de R$ 3,27 milhões. Entre os maiores doadores individuais estava Erasmo Carlos Battistella, CEO da Be8, que destinou R$ 500 mil à campanha de Flávio. Segundo o levantamento da Folha, Battistella também fez uma contribuição de R$ 500 mil para a campanha de Lula.
Outro doador de destaque é Walter Schlatter, prefeito de Chapadão do Sul (MS), que destinou R$ 300 mil à candidatura de Flávio. Em 2022, ele havia doado R$ 700 mil para Jair Bolsonaro, sendo R$ 500 mil no primeiro turno e R$ 200 mil no segundo.
Também aparecem entre os maiores doadores de Flávio Waldemar Verdi Junior, presidente do conselho do Grupo Rodobens, com R$ 180 mil; Marco Antonio Branquinho Junior, CEO da Vicunha, com R$ 125 mil; Taicia Fofanoff Junqueira, com R$ 122 mil; e Alexandre Ribeiro Chequer, com R$ 120 mil.
Os valores correspondem aos registros disponíveis no período analisado e podem ser atualizados com o avanço da campanha.
Outro dado levantado na prestação de contas é a ausência de Luciano Hang, proprietário da Havan, entre os financiadores da campanha de Flávio Bolsonaro. O empresário registrou R$ 300 mil em doações eleitorais em 2026, mas os recursos foram destinados a candidatos a deputado estadual e federal.
A ausência contrasta com a atuação de Hang nas eleições de 2022. Naquele ano, o empresário desembolsou aproximadamente R$ 1,6 milhão para campanhas eleitorais, dos quais R$ 1 milhão foi destinado diretamente à candidatura presidencial de Jair Bolsonaro.
As informações sobre receitas e despesas das candidaturas podem sofrer alterações ao longo da campanha, à medida que novos recursos e gastos são registrados na Justiça Eleitoral. Os dados oficiais são disponibilizados pelo sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
*Com informações da Folha de São Paulo e IG.
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Fonte: GGN