Operação da PF apreende armas e carros de luxo em apuração sobre desvio de emendas para Dark Horse
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A Polícia Federal (PF) apreendeu armas de fogo e veículos de luxo durante as buscas e apreensões realizadas na manhã desta quinta-feira (10), no âmbito da Operação Make Up. A ação tem como objetivo aprofundar as investigações sobre um esquema de desvio de recursos públicos originados de emendas parlamentares. Entre as principais linhas de apuração dos investigadores está o possível uso desse dinheiro para o financiamento de Dark Horse, filme que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro (PL), segundo Mirelle Pinheiro, do Metrópoles.
Entre os principais alvos da ofensiva policial estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina da Gama, sócia da produtora Go Up Entertainment, empresa responsável pela realização do longa-metragem. Durante o cumprimento das medidas cautelares, os agentes da corporação apreenderam o telefone celular do parlamentar. Ao todo, a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cobrindo endereços localizados no Distrito Federal e nos estados do Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro. Além dos automóveis de alto padrão e do armamento, foram recolhidos documentos e aparelhos eletrônicos que passarão por análise pericial.
A operação é conduzida de forma conjunta entre a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU). As apurações apontam para o desvio de verbas repassadas a uma organização da sociedade civil mediante a celebração de termos de fomento. De acordo com os levantamentos da PF, há indícios concretos do funcionamento de uma organização criminosa estruturada por agentes públicos e privados. O modus operandi consistia no direcionamento de valores públicos para empresas subcontratadas de maneira irregular, sem que houvesse a comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados.
A dimensão financeira do esquema impressiona os investigadores. Análises bancárias e patrimoniais identificaram a circulação de centenas de milhões de reais entre empresas vinculadas à teia sob investigação. A Polícia Federal destacou que as manobras para dissimular a origem ilícita e o repasse das verbas desviadas continuaram ocorrendo até julho deste ano. Diante dos fatos apurados, os envolvidos são investigados, em tese, pelos crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em licitações.
O desdobramento relativo à produção audiovisual busca determinar se verbas de emendas destinadas a entidades ligadas a Karina da Gama foram canalizadas para custear a obra sobre Bolsonaro. Em paralelo, a PF investiga os repasses financeiros efetuados pelo empresário Daniel Vorcaro para a mesma finalidade. Áudios e mensagens interceptados ou obtidos pela investigação revelam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) procurou Vorcaro diretamente para solicitar apoio financeiro ao projeto cinematográfico sobre seu pai. A PF trabalha para esclarecer os detalhes dessas transferências e verificar se houve alguma contrapartida ilícita envolvida nos pagamentos. Em sua defesa, o senador Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade e sustenta que não exercia a gestão dos recursos da produção.
Por fim, os investigadores desdobram as apurações para checar outra suspeita central: a de que parcelas dos valores desviados no esquema das emendas parlamentares possam ter sido utilizadas para custear as despesas de permanência do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) durante sua estada nos Estados Unidos. Todo o material recolhido nas buscas desta quinta-feira será incorporado aos autos para subsidiar as próximas etapas do inquérito.
Fonte: Brasil 247