Oito anos após o ‘BolsoDoria’, João Doria indica voto em Flávio contra Lula
Por Leonardo Miazzo — Carta Capital
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O rompimento com Jair Bolsonaro, os ataques das milícias bolsonaristas e o negacionismo do ex-capitão não foram suficientes para afastar de vez o ex-tucano do clã
O ex-governador de São Paulo João Doria indicou que votará em Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição para presidente da República contra Lula (PT), no próximo domingo 25. A sinalização ocorreu durante um evento na Federação Israelita do Estado de São Paulo, neste domingo 18.
Após criticar a conduta do governo federal em relação a Israel, Doria afirmou: “O meu voto, pela segunda vez, no próximo domingo, será contra aquela pessoa que não teve a dignidade de respeitar a comunidade judaica no Brasil”.
O ex-tucano volta, assim, ao guarda-chuva do bolsonarismo — ao menos nas urnas. Antes de ser governador entre 2019 e 2022, Doria se elegeu prefeito da capital paulista em 2016 no primeiro turno, feito inédito até então. Em 2018, quando disputou e conquistou o Palácio dos Bandeirantes, apoiou Jair Bolsonaro (PL). À época, adotou até o slogan “Bolsodoria”.
O rompimento com o ex-capitão veio na pandemia de Covid-19, quando Doria se levantou contra o negacionismo que Bolsonaro transformou em política de Estado. Mais de 700 mil pessoas morreram no País enquanto o então presidente menosprezava a doença, atacava especialistas e transformava o Brasil em pária internacional.
Após o afastamento, Doria se tornou um dos principais alvos das milícias digitais bolsonaristas e se converteu em inimigo da extrema-direita. Ainda assim, a negação da ciência e a tentativa de golpe de Estado não foram, aparentemente, suficientes para fazê-lo se afastar de vez do clã Bolsonaro.
Ao contrário do que insinua o ex-governador paulista, Lula critica o governo do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não a comunidade judaica. Um dos embates mais notórios ocorreu em setembro de 2025, quando a embaixada israelense no Brasil divulgou uma nota na qual, sem citar Lula, alegou que autoridades internacionais “compram mentiras” do Hamas. Essas inverdades, segundo a representação, “estão prejudicando israelenses e judeus no Brasil e no mundo todo”.
“Vem dizer que é antissemitismo? Precisa parar com esse vitimismo”, disse Lula em uma entrevista coletiva em Brasília. “O que está acontecendo na Faixa de Gaza é um genocídio, a morte de mulheres e crianças que não participam de guerra. É a decisão de um governo que nem o povo judeu quer.”
O petista afirmou na ocasião que é exatamente devido ao que os judeus sofreram ao longo da história que a gestão de Netanyahu deveria ter bom senso no trato com os palestinos. “Eles (o governo de Israel) se comportam como se o povo palestino fosse de cidadãos de segunda classe. Só haverá paz quando a gente tiver a consciência de que o palestino tem direito ao seu Estado.”
Os números dão tração ao discurso de Lula: o ataque de 7 de outubro de 2023, realizado pelo Hamas em Israel, deixou mais de 1.200 mortos, enquanto a ofensiva militar israelense em represália matou mais de 74.200 pessoas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza — cujos números a ONU considera confiáveis.
Logo após o primeiro turno da eleição brasileira, em 4 de outubro, Netanyahu parabenizou Flávio por ter sido o mais votado e desejou sorte ao candidato do PL. “Estou ansioso para restaurar a extraordinária amizade entre Israel e o Brasil”, completou.
Leonardo Miazzo
Editor de CartaCapital
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Fonte: Carta Capital