O vento a favor que fez o Ibovespa decolar 4 mil pontos, inverter o sinal e fechar setembro no azul
Por Carolina Gama — Seu Dinheiro

O Ibovespa viveu uma jornada e tanto nesta quarta-feira (30): deu um salto de cerca de 4 mil pontos da abertura à máxima do dia, para terminar a sessão com alta de 1,37% (186.340,46 pontos).
O apetite ao risco tomou conta da bolsa brasileira embalado por uma dobradinha no exterior e no mercado interno.
Lá fora, dados de inflação mais brandos reforçaram as apostas de uma pausa no aperto monetário do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
No plano doméstico, o termômetro eleitoral esquentou com a pesquisa da Futura Inteligência mostrando o senador Flávio Bolsonaro (PL) na liderança em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A combinação que levantou o Ibovespa, derrubou o dólar. A moeda norte-americana operou em queda firme ante o real, encerrando o dia cotada a R$ 5,1750 (-0,81%).
O vento de fora sobre o Ibovespa
O grande combustível para a arrancada do Ibovespa veio logo pela manhã. O índice de preços para gastos pessoais (PCE) dos EUA — indicador de inflação queridinho do Fed — subiu 0,3% em agosto e 3,4% no acumulado em 12 meses.
O dado ficou abaixo das estimativas do mercado, que esperava 0,4% e 3,7%, respectivamente. O núcleo do indicador também trouxe alívio ao avançar 0,2% no mês.
A leitura de preços mais comportados deu respaldo às declarações recentes do presidente do Fed de Nova York, John Williams, de que não há urgência para novas altas de juros.
Com isso, o mercado passou a precificar uma chance de 65% de manutenção da taxa na reunião de outubro, abrindo alas para o retorno do capital estrangeiro em busca de pechinchas na bolsa brasileira.
Vale lembrar que os juros nos EUA foram elevados pela primeira vez em três anos no início deste mês e agora encontram-se na faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano.
O sopro eleitoral na bolsa brasileira
Se a inflação norte-americana trouxe sossego, a política nacional tratou de dar ritmo aos negócios a apenas quatro dias do primeiro turno.
A pesquisa Futura Inteligência, divulgada nesta quarta-feira (30), apontou Flávio Bolsonaro à frente no segundo turno, com 49% das intenções de voto, contra 43,5% de Lula.
O levantamento juntou-se a outros divulgados no dia que desenham uma disputa acirrada e empatada na margem de erro.
Para os analistas, a percepção de um afunilamento da corrida presidencial — e a possibilidade de uma virada de jogo fiscal/econômico nas projeções de mercado — atraiu investidores para a ponta compradora e movimentou o mercado de opções na B3.
Os destaques da bolsa
O alívio nas taxas dos juros futuros (DIs) — beneficiados pelo câmbio mais ameno e pela postura cautelosa do Banco Central brasileiro — abriu caminho para a disparada das ações ligadas ao consumo interno.
A grande estrela do pregão foi o Magazine Luiza (MGLU3), que liderou os ganhos dp Ibovespa ao saltar 12,37%.
No setor financeiro, que concentrou boa parte do fluxo estrangeiro pela liquidez elevada, o Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 4,94%. A exceção do setor ficou por conta das units do Santander (SANB11), que amargaram queda de 2,77%.
Entre os pesos-pesados da B3, a Petrobras (PETR4) subiu impulsionada pelo avanço do petróleo Brent e a Vale (VALE3) acompanhou o bom humor do mercado.
Na ponta oposta, as ações a Cury (CURY3) recuaram 3,48%, seguidas pela Totvs (TOTS3), que baixou 3,41%.
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Ibovespa e dólar no mês e no trimestre
Com o rali de hoje, o Ibovespa inverte o sinal no mês e fecha setembro no azul, acumulando alta ao redor de 5,03% no mês e um avanço próximo a 8,31% no trimestre. No ano, o ganho é de 15,6%.
O período de julho a setembro foi marcado por um vaivém dos estrangeiros, com entrada de R$ 4,3 bilhões em julho na bolsa, mas uma saída de R$ 18,1 bilhões em agosto.
Em setembro, houve uma retomada parcial da entrada de dinheiro desses investidores, de R$ 9,6 bilhões até o dia 28, segundo dados da B3.
Já o dólar encerra setembro com baixa de 0,10%, após valorização de 2,16% em agosto. No trimestre, houve alta de 0,23%. No ano, a queda é de 5,72%.
O real foi a única moeda latino-americana a se apreciar em setembro, o que é atribuído em grande parte às expectativas em torno da corrida presidencial.
O favoritismo de Lula, que era marcante em agosto, deu lugar, nas últimas semanas, à percepção de uma disputa acirrada contra Flávio Bolsonaro.
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Fonte: Seu Dinheiro