O sinal universal que salvou criança de 9 anos de ser estuprada no Paraná

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Por Laís Gouveia — Brasil 247

247 – Uma menina de 9 anos, vítima de uma tentativa de estupro em Curitiba, no Paraná, foi acolhida por funcionários de um posto de combustíveis após conseguir pedir ajuda por meio do sinal universal de socorro. A criança estava em estado de choque, chorava e demonstrava medo de que o homem que havia tentado levá-la à força retornasse ao local. O suspeito, de 54 anos, foi preso em flagrante após a intervenção de frentistas, clientes e agentes da Guarda Municipal.

De acordo com reportagem do g1, publicada nesta quarta-feira (14), a gerente de pista do estabelecimento, Josiane Rodrigues Aires, relatou os momentos de tensão vividos pela menina após o resgate. O caso aconteceu na manhã de sexta-feira (9), no bairro Sítio Cercado, quando a criança seguia para a escola acompanhada de outras crianças, entre elas um primo de 10 anos.

“Abracei tanto ela, quanto o priminho dela que estava nervoso. Choraram bastante. Ela tremia muito, e falava: ‘Ô, tia, ele tá vindo? Ele vai vir de novo?’ Eu falava: ‘Não, fica calma que ele não vai vir’. A preocupação dela era ele chegar perto de novo”, contou Josiane.

Segundo a Guarda Municipal, o homem abordou a menina durante o trajeto até a escola e ofereceu dinheiro para convencê-la a acompanhá-lo. Diante da recusa, segurou sua mão à força e começou a conduzi-la.

Sem conseguir escapar, a criança utilizou o sinal internacional de pedido de socorro, feito ao posicionar o polegar sobre a palma da mão e fechar os outros quatro dedos sobre ele. O gesto foi percebido pelo primo, que imediatamente procurou ajuda.

Primo de 10 anos reconheceu pedido de socorro e mobilizou funcionários

O menino correu até um posto de combustíveis nas proximidades e alertou os trabalhadores sobre a situação. A movimentação foi registrada por câmeras de segurança do estabelecimento.

“Eu cheguei falando que o homem estava tentando roubar a minha prima. Eles já levaram a sério”, lembra o menino.

Ao receberem o alerta, funcionários e clientes saíram em direção ao suspeito, que fugiu ao perceber a aproximação do grupo. Os frentistas também chamaram uma viatura da Guarda Municipal que passava pela região.

Os agentes localizaram o homem e efetuaram a prisão em flagrante por tentativa de estupro de vulnerável. A identidade do suspeito não foi divulgada.

De acordo com a corporação, ele já era monitorado por tornozeleira eletrônica desde 2017 em razão de um caso de estupro de vulnerável.

Crianças aprenderam sinal de socorro pela televisão e com a avó

O conhecimento prévio do gesto foi decisivo para que o menino compreendesse a situação enfrentada pela prima e buscasse auxílio rapidamente.

Em entrevista à RPC, as duas crianças explicaram que haviam aprendido a identificar o sinal por meio de reportagens exibidas na televisão e de orientações recebidas da avó.

“Eu sabia [do sinal] pela TV e pela avó ensinar. Ela falou que, quando nós estivermos em perigo, é só fazer o sinal que daí as pessoas ajudam”, detalha a menina.

A avó contou que mantém o hábito de conversar com os netos sobre medidas de segurança durante os deslocamentos pela cidade. Entre as recomendações estão evitar contato com desconhecidos e nunca aceitar doces ou dinheiro oferecidos por estranhos.

Como funciona o sinal universal de socorro

O gesto utilizado pela criança surgiu no Canadá, em abril de 2020, durante a pandemia de Covid-19. A iniciativa foi desenvolvida como uma forma discreta de permitir que pessoas em situação de violência doméstica solicitassem ajuda sem chamar a atenção dos agressores.

O movimento consiste em mostrar a palma da mão aberta, dobrar o polegar para dentro e, em seguida, fechar os demais dedos sobre ele. A sequência pode ser realizada silenciosamente, inclusive durante chamadas de vídeo.

Embora tenha sido criado inicialmente para auxiliar vítimas de violência doméstica, o sinal passou a ser utilizado também em outras situações de ameaça, como a registrada em Curitiba.

Especialistas orientam que, ao identificar o gesto, a pessoa procure oferecer ajuda de maneira discreta, sem expor a vítima a riscos adicionais. Quando houver condições de segurança, a recomendação é conduzi-la a um ambiente protegido, como um estabelecimento comercial, e buscar apoio das autoridades.

Caso não seja possível uma aproximação segura, a orientação é acionar a polícia e comunicar as circunstâncias observadas.

No episódio ocorrido no Sítio Cercado, o reconhecimento do gesto pelo primo e a rápida mobilização dos trabalhadores do posto permitiram interromper a ação do suspeito e garantir o atendimento imediato à criança.

Fonte: Brasil 247

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