“O senhor André Mendonça tinha muitas informações nas mãos e segurou”, critica Lula, sobre o caso Master

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – O presidente Lula (PT) fez duras críticas à condução de investigações dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) e classificou com profunda preocupação o envolvimento de integrantes da Corte com os esquemas do Banco Master.

Ao analisar, em entrevista à Rádio Tupi nesta sexta-feira (18), a crise que atinge o Judiciário e o impacto do escândalo centralizado na figura do empresário e banqueiro Daniel Vorcaro, ex-titular do Banco Master, Lula apontou retenção de provas durante a condução das apurações. “E ainda não saiu tudo, porque o senhor André Mendonça tinha muitas informações nas mãos e segurou”, declarou o presidente. Ele ponderou, no entanto, que o conteúdo na íntegra virá a público em breve: “Vai sair tudo porque o ministro Zanin, o ministro Flávio Dino e o ministro Gilmar já têm as fitas que estavam só com o André – acho que todos os ministros têm e uma parte da imprensa já tem”, revelou.

Em tom contundente, o mandatário descreveu o cenário que envolve o empresário e figuras de proa do Executivo anterior, do Legislativo e do próprio Judiciário como inaceitável para a sociedade brasileira. “Vejo esse cenário com muita tristeza, a crise no STF. A sociedade não tem como aceitar isso como normal”, afirmou. Lula destacou como a instituição financeira ganhou relevância no mercado e acabou sob investigação policial: “O governo Bolsonaro fez ele virar banqueiro, um ninguém, e esse cidadão virou prisioneiro no meu governo”.

As gravações obtidas no âmbito do processo expõem, segundo o presidente, uma ampla teia de cooptação institucional. “Se você for ver nas fitas, ele corrompeu todo mundo, patrocinava orgias, envolveu gente da Suprema Corte, do Legislativo, todo mundo. Contamina tudo”, disparou. “Tem muita gente com medo na República. Era orgia e mais orgia, uma sacanagem. Essa baixaria tem que acabar na política”, completou.

Diante do quadro, o presidente ressaltou que, embora reconheça atuações relevantes no passado, condutas impróprias não devem ser chanceladas. “Alexandre de Moraes teve um papel extremamente importante nas eleições e na manutenção da democracia”, ponderou, acrescentando: “Ninguém está defendendo o contrato que Moraes fez com o Master, ou o Toffoli que fez acordo com o Banco Master. A Suprema Corte deve ser um sacerdócio, ter muita ética”.

O chefe do Governo recordou ainda um encontro direto que teve com Vorcaro, ocasião em que o executivo fez reclamações sobre o tratamento dispensado ao seu negócio. “Esse Vorcaro me procurou um dia, reclamando, e lhe disse que ninguém é perseguido, e disse que vamos investigar, e se houvesse algo incorreto fecharíamos. E fechamos”, pontuou.

Lula ressaltou que as ramificações do caso exigem medidas profundas no sistema de Justiça do país. “Obviamente me preocupa porque temos que discutir como vamos consertar isso. Agora quero fazer a reforma no Judiciário, mas antes temos que resolver esse problema, está todo mundo ali, cinco ministros ligados direta ou indiretamente”, analisou, sinalizando que a discussão sobre o arcabouço institucional será inevitável. “Vamos ter que rediscutir o papel das instituições”.

Por fim, o presidente projetou as consequências políticas do escândalo e a necessidade de responsabilizar as origens das relações expostas. “Isso tudo está apodrecendo, e acho que vai respingar na reta final da campanha eleitoral. Vamos mostrar quem é o culpado disso: Bolsonaro”, concluiu.

Fonte: Brasil 247

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