Por Alex Solnik — Brasil 247

Não sei se por orientação da Globo ou porque ela é fraquinha mesmo, mas a jornalista Renata Lo Prete teve um desempenho pífio ontem na entrevista com o Flávio Bolsonaro. Ela deixou de fazer muitas perguntas fundamentais. Por exemplo: “o senhor disse que seu pai vai passar a faixa presidencial para o senhor, se o senhor for eleito. Como isso é possível? Primeiro, porque ele está preso e, segundo, a faixa presidencial está com o presidente Lula.” Depois: “o senhor vai anistiar o seu pai?” Outra: “o senhor falou em redemocratizar o país. Como estamos numa democracia, o que o senhor quer dizer com isso?” Outra pergunta: “o que o senhor acha do governo Viktor Orbán na Hungria? O senhor pretende seguir o mesmo modelo?” Outras: “O senhor vai pedir impeachment de Alexandre de Moraes?” “O senhor vai destituir o PGR?” Bom, essas foram as perguntas que faltaram. Agora, muitas respostas dele – que na verdade ele não respondeu – ela, em vez de contestar, só disse: “Ah, então posso considerar que o senhor não respondeu?” Isso é o mínimo, né? “O senhor não respondeu”. Claro, nós vimos que ele não respondeu. Como, por exemplo, na questão do dinheiro do Daniel Vorcaro. Ela fez uma boa pergunta. “O senhor pediu 160 milhões, o filme custou 60 milhões. O que foi feito com essa diferença?” Ele não respondeu, é claro, mas ela em vez de questionar, disse, simplesmente: “Ah, então posso considerar que o senhor não respondeu, né?” Não sei se ela é incompetente mesmo ou se foi orientação superior. Agora, tem aquela máxima do Mino Carta, com quem trabalhei (e briguei) muito: “se você quer que a sua opinião saia na na revista, funde uma revista”. Ou, no caso, funde a TV Globo. O que é mais complicado ainda. Mas o fato é o seguinte, ou os fatos. Além dessa dúvida sobre a “redemocratização”, as duas questões fundamentais, se o Flávio for eleito, o que não deve acontecer, mas, se essa desgraça ocorrer, as duas questões são a anistia do pai dele, do irmão, dos golpistas e o impeachment de ministros do STF. Sobretudo do Alexandre de Moraes, ele só falou no Alexandre de Moraes, falou mais do Alexandre de Moraes que do Lula, ou igualmente. Faltou a Renata Lo Prete esclarecer como isso ocorre, como isso é possível. “Ah, o senhor vai anistiar o seu pai?” “Sim”. “Mas, para anistiar seu pai não basta ter a maioria no Congresso. A palavra final é do STF. E na formação atual do STF, é claro que o STF não vai anistiar o Jair Bolsonaro condenado a 27 anos, ele teria apenas três votos: do Fux, do Kássio Nunes e do Mendonça. Na atual composição seria 7 a 3. Além disso, não basta ter maioria no Senado nem a presidência do Senado. Só o chefe da PGR pode iniciar o processo de impeachment. E o atual PGR, Paulo Gonet, não vai fazer isso, já demonstrou claramente que não vai fazer isso. O mandato dele vai até dezembro de 2027. O que o Flávio Bolsonaro pode fazer é demiti-lo. E em seu lugar nomear alguém do Ministério Público com o compromisso de iniciar um processo de impeachment. Então, em vez de perguntar se ele pretende derrubar o PGR ela fez uma porção de perguntas inúteis:

“Ah, o senhor vai nomear o seu irmão chanceler?” O irmão dele está condenado. Se ele voltar ao Brasil, tá preso. Ele depende também de uma anistia. E é o mesmo caminho do pai, para ter anistia, precisa ser aprovada pelo STF. Na atual composição não é possível. Então, é inútil perguntar se ele vai nomear o irmão chanceler ou o pai ministro. Agora, essas perguntas que a Renata Lo Prete não fez, ou por incompetência, ou por orientação, são perguntas que o Lula deve fazer, tanto no debate da Band quanto no debate da Globo. Espero que ele faça.

Fonte: Brasil 247

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