O que a Medicina Chinesa tem a dizer sobre três fases decisivas da vida da mulher

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Por Silvia Melo — Catraca Livre

A construção de uma carreira profissional e as transformações do corpo feminino acontecem, muitas vezes, ao mesmo tempo. Enquanto algumas mulheres conquistam posições de liderança, empreendem ou ampliam suas responsabilidades no trabalho, também atravessam mudanças relacionadas ao ciclo menstrual, à fertilidade e, mais tarde, à transição para a menopausa.

Essas etapas, embora façam parte da vida de uma mesma pessoa, nem sempre são abordadas de maneira integrada. A saúde menstrual, o planejamento reprodutivo e os sintomas do climatério costumam ser tratados como questões distintas, sem considerar como podem interferir no bem-estar ao longo dos anos.

Entenda como as mudanças no corpo feminino acompanham diferentes fases da carreira e conheça abordagens de cuidado para a saúde da mulher

Para Chris Martinkovics, profissional de Medicina Tradicional Chinesa (MTC), uma forma de compreender essa trajetória é dividi-la em três momentos: Raiz, Semente e Florescer. A proposta reúne diferentes necessidades de cuidado, desde a atenção ao ciclo menstrual até as questões relacionadas à maternidade e às mudanças hormonais da meia-idade.

Raiz: a importância de observar os sinais do corpo

Antes de tomar decisões sobre a maternidade, a mulher pode se beneficiar de uma atenção mais cuidadosa a aspectos como regularidade menstrual, qualidade do sono, ansiedade e presença de dores. Em meio às exigências profissionais, esses sinais podem acabar em segundo plano, especialmente quando a rotina é marcada por cobranças e responsabilidades constantes.

Na Medicina Tradicional Chinesa, as emoções são tradicionalmente relacionadas a diferentes sistemas funcionais do organismo. A raiva, por exemplo, é associada ao Fígado; a preocupação, ao Baço; e o medo, aos Rins. Essa interpretação pertence ao modelo teórico da medicina chinesa e não corresponde diretamente às classificações da medicina ocidental. Sentir ansiedade, portanto, não significa apresentar uma doença ou disfunção hepática.

A perspectiva integrativa propõe observar a relação entre o bem-estar físico e emocional sem desconsiderar as causas médicas dos sintomas. Essa abordagem também é relevante quando há dor menstrual intensa ou persistente.

A endometriose é um exemplo de condição que pode ser confundida com cólicas menstruais comuns, o que contribui para o atraso no diagnóstico. A doença exige avaliação médica e pode afetar diferentes aspectos da vida, incluindo o sono, o humor, a disposição e a produtividade.

A acupuntura tem sido investigada como terapia complementar para o controle da dor pélvica e menstrual. Embora alguns estudos apontem resultados promissores, as evidências ainda apresentam limitações. Também não há fundamento científico para atribuir a endometriose a uma suposta causa emocional.

Semente: fertilidade e planejamento da maternidade

A decisão de ter filhos pode acontecer em diferentes momentos da vida e, para algumas mulheres, surge após anos dedicados à formação, à carreira e à estabilidade financeira. Quando a maternidade passa a ser uma prioridade, a idade pode se tornar um fator importante no planejamento reprodutivo.

A partir dos 35 anos, a fertilidade feminina tende a diminuir de maneira mais significativa, em um processo relacionado, entre outros fatores, à redução da quantidade e da qualidade dos óvulos. Isso não significa que uma gravidez seja impossível nessa fase, mas reforça a importância de uma avaliação individualizada e de orientação médica adequada.

Nesse contexto, a acupuntura é estudada como possível recurso complementar em tratamentos de reprodução assistida, incluindo a fertilização in vitro (FIV). Os resultados das pesquisas, entretanto, não permitem afirmar que a técnica, por si só, aumente as chances de gravidez de maneira consistente.

A Medicina Tradicional Chinesa pode integrar o plano de cuidado de algumas pacientes, desde que não substitua a investigação das causas da infertilidade, os tratamentos indicados ou o acompanhamento especializado. A escolha das abordagens deve considerar as necessidades de cada mulher e as evidências disponíveis.

Florescer: os desafios da perimenopausa no trabalho

Entre os 45 e os 55 anos, muitas mulheres chegam a uma etapa de maior experiência profissional, com responsabilidades de liderança e decisões importantes na carreira. Esse período também pode coincidir com a perimenopausa, fase de transição que antecede a menopausa e durante a qual ocorrem mudanças hormonais capazes de provocar diferentes sintomas.

Fogachos, suores noturnos, alterações do sono e oscilações de humor estão entre as manifestações possíveis. A intensidade e a frequência variam de pessoa para pessoa, e os sintomas podem interferir na concentração, na disposição e na qualidade de vida.

Apesar disso, o climatério ainda recebe pouca atenção em muitos ambientes profissionais. A falta de informação pode levar à desvalorização das queixas ou à interpretação equivocada de que seriam apenas consequências do envelhecimento ou de questões emocionais.

A acupuntura também é investigada como alternativa complementar para aliviar sintomas como fogachos e suores noturnos. Os resultados das pesquisas são variáveis, e a técnica não deve ser apresentada como um método comprovado de regulação hormonal.

O acompanhamento nessa fase pode incluir mudanças de hábitos, tratamentos específicos para os sintomas e terapia hormonal da menopausa, quando houver indicação e após avaliação médica. A escolha depende do histórico de saúde, das manifestações apresentadas e das preferências de cada paciente.

Um cuidado que acompanha as diferentes fases da vida

Ciclo menstrual, fertilidade e climatério fazem parte de uma mesma trajetória e exigem atenção às necessidades de cada etapa. Para Chris Martinkovics, o cuidado com a saúde feminina deve considerar essa continuidade, integrando o olhar sobre o corpo, as emoções e as transformações vividas ao longo dos anos.

Na Clínica CULT, na Vila Olímpia, em São Paulo, ela desenvolve um trabalho com Medicina Chinesa Integrativa voltado às particularidades de cada fase da vida da mulher, utilizando os recursos da Medicina Tradicional Chinesa de forma complementar ao acompanhamento médico convencional. Chris possui certificação internacional pela WFAS e atua com foco na saúde feminina.

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Fonte: Catraca Livre

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