Por Urariano Mota — Brasil 247

Quase toda a gente não se dá conta da História no momento em que vive a História. Assim foi, assim tem sido em momentos decisivos que mudam o mundo. Não é nem ter a consciência de que viu o nunca visto antes. É mais do que o vislumbre do que virá. Mas seria a consciência de viver no ato o que ficará além dos seus dias e tomará conta do futuro. Seria como um louco  proclamar: “Ei, imaterial, eu já sei que serás a matéria do próximo tempo”. Loucura. Ainda assim, a tentação de espalhar a intuição para todos é grande. Coisa de maluco. 

Da noite da quinta-feira primeiro de outubro de 2026 até agora, quando mal conseguimos dormir, aconteceram tantas coisas que mal podemos acreditar. O presidente Lula não foi a um debate na Rede Globo de Televisão, mas ganhou o debate. Absurdo. Pode? Pôde. No mesmo horário, participou do Flow Podcast, que alcançou 10 milhões de visualizações no YouTube até há pouco. Mas a quantidade não para, pois a sucessão dos números naturais é infinita. No mundo, ele está na mídia do Xinhua, China Daily, The Guardian, Le Monde, El País, New York Times, Kommersant, Russia Today,  como uma esperança da democracia. Mas aqui no Brasil… “Tapetão judicial derruba debate da Globo”, “Ataque de juízes prejudica neutralidade da eleição”. 

Em que mundo estamos? Na imprensa mais longe, nos jornais do Brasil ou na realidade brasileira? No romance “A mais longa duração da juventude”, escrevi: 

“Vejo as águias encanecerem, acompanho os fios brancos de suas cabeças se tornarem frágeis, quebradiços, e me falo e percebo que algumas não piscaram no alto. No píncaro do tempo, não decaíram, como se fossem uma revolta contra a biologia, contra a organização da vida que se desorganiza e se desintegra quando chega ao fim. Parodiando Goethe no poema Um e Tudo, eles foram atravessados pela alma do mundo, e com ela lutaram sem descanso, como se vivos pudessem ter a eternidade. Tomaram outras formas, é certo, mas mantiveram a permanência do ser da juventude”. 

Então eu vejo Lula aos 80 anos clamando e chamando à luta todas as mulheres e homens para a luta permanente contra o fascismo. O que podemos dizer então em harmonia com esse homem que espelha todos nós, nós de pronome e nós que ele liberta? Que nos integremos de vez ao que falam a intuição e as ruas do Brasil.  

Se a maluquice for uma profecia, vivamos então este futuro mais seguro, porque mais perto: o presidente Lula será eleito no primeiro turno, no próximo domingo. E depois, ah, depois fiquemos com frevo Ciranda de Maluco:

Prévia de Vassourinhas de Olinda ao som do frevo Ciranda de Maluco – Sáb, 12/10/2019 

Fonte: Brasil 247

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