O popular que deve estar no poder
Por Danilo Espindola Catalano — Brasil 247
Em 2023, estive observando as estratégias, tanto de Gustavo Petro na Colômbia como a do Partido Morena no México, que não só focaram nas eleições para o Executivo do país, como na ativação das massas para poder conseguir cadeiras nos respectivos congressos dos países.
Estratégia essa que o Brasil parece ter esquecido desde que Lula ganhou as eleições.
Na Colômbia, o governo Petro esteve constantemente junto às massas; suas políticas e decisões sempre tinham o apoio ou protestos para poder pressionar o Congresso Nacional para que aprovasse as intenções dele, mostrando o poder popular sobre os políticos de direita.
Já o governo mexicano conseguiu, dentro de um processo democrático em que as bases do partido, durante o governo de Manuel López Obrador, estiveram percebendo as necessidades básicas de cada estado do país, aproximar-se da população e tornar-se a força política mais importante do país, tanto eleitoralmente como na atuação política.
Mas o governo brasileiro eleito em 2022 não teve nenhuma estratégia do tipo, sem se preocupar com as mudanças sociais e políticas do país e da América Latina, colocando Lula como o salvador da pátria e acreditando que teria uma possível reeleição sem dificuldades após os quatro anos de governo. Mas, mesmo com um Congresso igual ao de Petro, não seria fácil passar os anos, pois muitas políticas não seriam aceitas e nem levadas a cabo.
O México ganhou de forma surpreendente em todas as esferas políticas do país, mesmo com as dificuldades atuais e possíveis ingerências do mal, principalmente do seu país vizinho, os Estados Unidos. Mas a estratégia levou à defesa da soberania nacional, mesmo com espaço para protestos democráticos contra tal governo.
Gustavo Petro não conseguiu eleger seu candidato à presidência, mas, diferentemente do Brasil após o primeiro turno, ele conseguiu aumentar de forma surpreendente as cadeiras das duas casas do Legislativo (Deputados e Senado), o que dá voz aos povos, mesmo sem ter o Executivo, e segura ações antidemocráticas por parte do presidente, que se alinha a políticas internas e externas que beiram o extermínio. Sendo o que deveria ter sido concretizado no Brasil, mas parece que a estratégia da esquerda morre com uma figura e não com a comunidade e as estruturas que a fazem ser o que é, pois havia sido uma promessa na posse em Brasília, ao tentar se alinhar às estratégias, assim como foi feitos pelo Pacto Histórico, que se aproxima dos movimentos sociais e dos povos, mas isso não ocorreu.
Um exemplo importante desta crítica foi a PEC da Blindagem, que caiu por terra por conta do povo nas ruas, aproximando o exemplo com o que ocorria na Colômbia e o México, mas foi um exemplo em quatro anos e não foi aproveitado pelos políticos, partidos e nem pelos movimentos sociais brasileiros, que se acomodaram em um momento tão estratégico e definitivo para a América Latina.
É possível constatar que falta reconhecer o que nos ensinaram os povos andinos e o que apresenta Álvaro García Linera, que é o reconhecimento da proximidade com os povos, com as necessidades populares, com a relação do grupo e não por uma única imagem, como salvadora, mas com o social e o comum como a criação daquilo que deve ser concluído e apresentado, que é o que realmente importa, pois só assim as dificuldades contemporâneas serão sanadas.
Fonte: Brasil 247