O off mentiroso da Globo
Por Bepe Damasco — Brasil 247
Antes de qualquer coisa, opino que Dino acertou em cheio ao frear esta palhaçada e impedir prejuízos ainda maiores ao processo eleitoral.
Isto posto, lembro que o saudoso Paulo Henrique Amorim, um dos mais brilhantes jornalistas da nossa história, costumava dizer que uma das grandes pragas do jornalismo brasileiro era o uso desenfreado do off, do sujeito oculto ou indeterminado.
Amorim não estava se referindo ao sigilo da fonte acertadamente protegido por lei, mas a farra em que se transformou esse recurso, muitas vezes voltado para reverberar as posições políticas dos donos dos veículos de comunicação.
E o que aconteceu nas Organizações Globo depois da sessão do STF, tanto na Globonews como no Jornal Nacional, foi mais um exemplo gritante de como fazer política eleitoral com o off.
Ao analisar a repercussão do pedido de vista do ministro Flávio Dino, a Globo tinha que construir uma narrativa para tentar prejudicar a candidatura de Lula.
Logo deram início, então, à ladainha :
“Assessores do governo admitem que com o resultado da sessão de hoje Lula só tem a perder.”
“O pedido de vista de um ministro indicado por Lula é desastroso para a candidatura do presidente, dizem assessores do Planalto.”
“Gente do círculo do presidente não esconde a decepção com a não punição de Moraes.”
Que assessor presidencial ou ministro falaria uma bobagem como essa, para favorecer o inimigo? A menos que Lula estivesse cercado de traidores, o que, evidentemente, não é o caso.
E o timing então foi ridículo: cinco minutos depois de terminada a sessão do Supremo já tinha jornalista da mídia comercial, não só da Globo, falando da repercussão ruim no governo.
Mais fácil crer em Saci Pererê ou em Mula sem Cabeça.
Não acredite nessa conversa fiada. O que eles querem evitar a todo custo é o debate de ideias e projetos para o país, e a vida pregressa dos candidatos, o que certamente é o nosso campo.
Mas a Globo decidiu eleger um delinquente presidente da República. Para tentar atingir esse objetivo, a estratégia era chegar a 4 de outubro com o noticiário típico de páginas policiais, com polícia, Ministério Público, Supremo, denúncias, vazamentos, chantagens e corrupção como temas únicos.
Já há um estrago considerável às eleições, mas era preciso estancar essa sangria.
Valeu, Dino.
Fonte: Brasil 247