O mercado imobiliário não espera: por que as eleições de 2026 não vão travar o setor
A Gazeta

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*Por Christiano de Souza
Pereira
A cada aproximação de ciclo
eleitoral no Brasil, surge no imaginário popular e nas conversas sobre consumo
uma máxima defensiva: “É melhor esperar as eleições passarem para
fechar o negócio.”
A ideia de que a volatilidade política ou a
alternância de poder têm a capacidade intrínseca de paralisar as decisões das
famílias e o fluxo de capitais é uma narrativa recorrente no mercado. Trata-se,
contudo, de uma percepção frágil quando confrontada com o histórico econômico e
com a real dinâmica das forças de oferta e demanda.
O setor imobiliário brasileiro
opera sob premissas estruturais que já precificaram os cenários do pleito de
2026. A busca contínua por moradia, associada ao desejo fundamental de proteção
patrimonial contra oscilações financeiras e inflacionárias, sobrepõe-se às
incertezas do calendário político.
A evidência
dos números: demanda e consumo em alta
Para
fundamentar essa tese e afastar especulações, é indispensável analisar o
comportamento da sociedade sob a ótica dos dados primários mais recentes:
- Decisão mantida ou antecipada: estudo
conduzido pelo portal Portas – Dados & Inteligência, amparado
em amostragem de 1.400 entrevistados, aponta que 51% afirmam
categoricamente que a disputa eleitoral não altera em nada seus planos de
aquisição imobiliária. Além disso, entre 19% e 21% declararam a
intenção de antecipar a compra para se blindar de eventuais mudanças
econômicas pré-eleitorais. Na prática, cerca de 70% do público
comprador está decidido a manter ou acelerar sua decisão de fechamento. - Intenção de compra em recorde histórico: esse
comportamento é ratificado por pesquisa da consultoria Brain Inteligência
Estratégica, compilada no portal da Associação Brasileira das Entidades de
Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP) a partir de reportagem do jornal Valor
Econômico. O estudo aponta que a intenção de aquisição de imóveis
atingiu 52% em junho de 2026 — o teto da série histórica iniciada
em 2019, ficando 9 pontos percentuais acima da média histórica (43%)
e registrando alta de 3 p.p. na comparação interanual com 2025 (49%).
Trata-se de uma trajetória de expansão consistente que supera, inclusive,
o impacto do patamar elevado das taxas de juros. - Volume operacional real: a intenção tem se
traduzido em liquidez no mercado físico. No primeiro semestre de 2026, o
volume de transações imobiliárias no Brasil ultrapassou 226 mil
unidades comercializadas, registrando uma expansão de 5,4%
frente ao mesmo período do ano anterior.
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Fonte: A Gazeta