O medo mudou de lado? O detalhe da pesquisa Quaest que pode azedar as apostas do mercado em Flávio Bolsonaro

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Por Juliana Caveiro — Seu Dinheiro

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A bolsa brasileira começou esta quarta-feira (21) em alta, mas perdeu o fôlego ao longo da manhã e passou a cair. Há pouco, o Ibovespa recuava 0,22%. No radar dos investidores, a nova pesquisa Quaest trouxe ingredientes para uma reta final de eleição com mais indecisões do que gostariam aqueles que apostam na vitória de Flávio Bolsonaro (PL).

O senador aparece com 45% das intenções de voto, contra 44% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A distância, que era de dois pontos na semana passada, passou para um. Os candidatos continuam tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.

Confira os detalhes da pesquisa neste link.

Mas os detalhes do levantamento ajudam a dimensionar a incerteza que cerca a votação de domingo (25). O medo do retorno da família Bolsonaro ficou numericamente acima do temor de uma reeleição de Lula, a rejeição ao petista caiu e a indecisão aumentou na pergunta espontânea.

Para quem montou posições no mercado contando com uma vitória de Flávio, essa combinação coloca a confiança no resultado à prova. O senador mantém a dianteira numérica, mas a pesquisa não mostra uma abertura de vantagem.

O medo da volta dos Bolsonaro

Na nova rodada, 44% dos entrevistados dizem temer mais o retorno da família Bolsonaro ao poder, enquanto 42% têm mais medo de outro mandato de Lula.

Na pesquisa anterior, divulgada em 14 de outubro, os dois grupos estavam empatados em 43%. É a primeira vez desde agosto que o temor da volta dos Bolsonaro aparece numericamente à frente.

A diferença é pequena, mas ganha relevância quando observada junto a outros indicadores do levantamento, especialmente a rejeição.

A parcela dos eleitores que dizem não votar em Lula de jeito nenhum caiu de 53% para 47%. A rejeição a Flávio também recuou, mas em intensidade menor, de 54% para 52%.

Com isso, a distância entre as rejeições aumentou de 1 para 5 pontos percentuais. Lula manteve seus 44% das intenções de voto, mas passou a enfrentar uma resistência menor — o que pode abrir espaço para buscar eleitores, sem garantir que essa redução será convertida em votos.

O potencial de voto dos dois candidatos também oscilou para cima: o de Lula passou de 47% para 49%, enquanto o de Flávio foi de 46% para 48%.

A surpresa entre os independentes

Outro sinal de indefinição aparece na pesquisa espontânea, em que os entrevistados respondem sem ouvir os nomes dos candidatos.

Nessa modalidade, Lula e Flávio estão empatados em 40%, enquanto os indecisos passaram de 7% para 14% em uma semana.

“O que cresceu da rodada anterior foi a indecisão. Dobrou”, destacou Felipe Nunes, diretor da Quaest, em sua análise do levantamento.

Entre os eleitores independentes, o movimento foi ainda mais acentuado: a indecisão saltou de 13% para 31%. Na avaliação do professor, esse grupo reúne eleitores menos vinculados ideologicamente aos candidatos e terá papel decisivo no domingo.

Nunes interpreta o avanço como um sinal de descontentamento com as opções e com a campanha negativa. Entre as mulheres, os dois candidatos perderam intenção de voto espontânea, e a indecisão chegou a 17%.

Há ainda outro componente de imprevisibilidade: 10% dos entrevistados dizem que ainda podem mudar o voto. Entre os eleitores de Lula, são 9%; entre os de Flávio, 7%.

Esses números não indicam para quem os votos irão. Mostram, porém, que existe uma parcela do eleitorado cuja decisão ainda pode mudar em uma disputa apertada.

Onde a Quaest identifica uma possível mudança

Apesar desses movimentos, Nunes ressalta que o cenário geral permanece estável. A retenção dos votos do primeiro turno continua elevada já que Flávio conserva 94% dos eleitores que declaram ter votado nele, enquanto Lula mantém 95%.

O sinal de possível mudança identificado pelo diretor da Quaest está entre os beneficiários de programas sociais. Nesse segmento, a vantagem de Lula aumentou de 29 para 37 pontos percentuais.

Esse também é o grupo em que mais cresceu o medo do retorno da família Bolsonaro. Entre os beneficiários do Bolsa Família, o temor passou de 58% para 63%, enquanto o receio de uma reeleição de Lula caiu de 29% para 23%.

Para Nunes, o argumento usado pela campanha petista pode estar funcionando nesse segmento.

Bolsa sente o baque

A combinação de rejeição menor a Lula, avanço da indecisão e mudança nos temores dos eleitores oferece elementos para questionar a segurança das apostas em Flávio. Mas não permite afirmar que a eleição mudou de direção.

“A distância de 2 pontos passou para 1 ponto, mas essa oscilação na margem de erro não nos permite tirar nenhuma conclusão sobre ‘virada’, ‘mudança’ ou ‘vantagem’”, afirmou Nunes.

Para o investidor, o ponto é a incerteza. Uma eleição ainda aberta aumenta o risco de posições montadas com base em um único resultado.

A Quaest ouviu 2.154 pessoas com 16 anos ou mais, entre 17 e 20 de outubro. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08535/2026.

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Fonte: Seu Dinheiro

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