O desafio institucional e o desafio fiscal do presidente eleito em 25 de outubro

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Publicado em 17 de Outubro de 2026 às 04:00

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No dia seguinte, dia 26 de outubro, curada a ressaca cívica e eleitoral da campanha presidencial, o presidente eleito ou reeleito vai ter que começar logo a pensar o que vai dizer aos brasileiros na hora da diplomação em 18 de dezembro e, depois, na hora da posse em 5 de janeiro de 2027.

O cenário para 2027 é de queda do crescimento, aumento do desemprego, continuidade dos juros altos, persistência de inflação acima da meta, e reprodução do endividamento das empresas, das famílias e do governo.

Para sair do “modo alarmista”, o presidente eleito, Flavio Bolsonaro ou Lula, vai precisar trabalhar na mudança das expectativas já a partir da diplomação e depois, com mais detalhes, na posse. Na economia e na política, como sabemos, as expectativas importam muito.

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Portanto, será preciso ancorar as expectativas institucionais e fiscais já no início do jogo. Quanto ao desafio institucional, anunciar um governo de coabitação com o Congresso e um ministério formado por uma frente ampla – sem hegemonia do PL (se for Flavio) ou sem hegemonia do PT (se for Lula).

Quanto ao desafio fiscal, todos sabemos que o ideal é um ajuste de 3% do PIB. Mas para ser crível e executado, a mediana das propostas na mesa sugere 2% do PIB em até quatro anos. Tão importante quanto o tamanho do ajuste é a credibilidade e a confiança do mercado político e do mercado financeiro de que vai ser realmente aprovado pelo Congresso e executado.

O nome do jogo é ancoragem das expectativas. Para atravessar o rubicão em 2027. Anunciar a agenda logo no início do jogo e criar compromisso e consenso com o Congresso, sob os olhos atentos dos brasileiros.

Não é pouca coisa o que tem acontecido no país nos últimos dias. Os brasileiros foram às ruas em massa, por iniciativa espontânea de jovens estudantes. E vão às ruas outra vez a partir deste sábado e durante a próxima semana, nas vésperas das eleições do dia 25, domingo. Tanto o eleitorado de Lula quanto o eleitorado de Flavio voltaram às ruas.

Pensemos bem no significado. É eleitoral? Sim, claro. Mas é também um aviso tanto aos senhores candidatos presidenciais, quanto às Suas Excelências os políticos eleitos ou reeleitos nestas eleições de 2026. Algo do tipo “queremos mudanças concretas, bem-estar e futuro”. O outro lado da moeda pode ser desobediência civil.

No fiscal, a modelagem das propostas críveis está na mesa, na trilha dos 2% do PIB. Anúncio de agenda crível significa ancorar expectativas e repercutir nos juros e no câmbio.

Felipe Salto e Josué Pelegrini propuseram ajuste de 2% do PIB em 4 anos. Sendo que um terço seria de elevação da receita e dois terços via redução de gastos. Na parte das receitas, a proposta deles é de redução linear de 23,5% nos gastos tributário com desonerações e benefícios fiscais e subsídios.

No lado dos gastos, medidas importantes são a desvinculação do benefício previdenciário e de outros benefícios sociais do salário mínimo. E que os gastos obrigatórios com saúde educação sejam indexados pelo menos indexador do arcabouço fiscal – sugerem Salto e Pelegrini.

Resta claro que a governança do país em 2027 dependerá de uma nova agenda de reformas e ajustes institucionais e fiscais. Os problemas e soluções críveis estão todos mapeados.

José Roberto Mendonça de Barros foi cirúrgico. Para ele, essa eleição é uma eleição de transição para 2030. Mas, diz ele, “não dá para esperar”.

E conclui: “No ano que vem, vai ter de acontecer alguma coisa, senão vamos ver coisas muito mais complicadas. Essa combinação de deterioração fiscal, deterioração da governança e investimento e produtividade que não crescem vai levar a uma piora para todos os lados”.

É uma alerta para os dois candidatos à Presidência da República, Flavio Bolsonaro e Lula.

Antônio Carlos de Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços nessas áreas

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