O cerco colonial e a ofensiva popular: classe, guerra híbrida e soberania nacional

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Por José Evangelista Rios da Silva — Brasil 247

1.A Inflexão Geopolítica e a Natureza de Classe da Ofensiva Reacionária – A encruzilhada histórica enfrentada pela sociedade brasileira no processo eleitoral de outubro de 2026 inscreve-se na crise estrutural do sistema imperialista mundial e na reorganização das forças que disputam a hegemonia global. Sob o rigor metodológico do materialismo histórico-dialético e da paralaxe classista, desmistifica-se a tese liberal que reduz o embate entre dois projetos de poder a um mero torneio de marketing político institucionalizado. O confronto expressa o antagonismo irreconciliável entre a afirmação da soberania do Sul Global — alicerçada na multipolaridade e na integração estratégica dos BRICS+ — e a violenta tentativa de recolonização do território sul-americano pilotada pelo consórcio hegemônico euro-atlântico.Enfrentando perdas de posições hegemônicas no leste da Eurásia e no Oeste Asiático, os centros do capital financeiro internacional voltam seus olhos para a América Latina como reserva de valor indispensável à sustentação de sua acumulação parasitária. A correia de transmissão interna desse cerco geopolítico consolida-se na aliança orgânica entre a burguesia compradora, o latifúndio agroexportador predatório e as bancadas da extrema-direita parlamentar. Essa fração oligárquica atua como agente direta de desmonte do Estado nacional, visando a apropriação predatória do excedente gerado pelo trabalho e a entrega subordinada de bens energéticos, minerais críticos e do Pré-Sal aos conglomerados monopolistas transnacionais.

2. A Guerra Cognitiva, a Sabotagem Institucional e a Memória Histórica de 1964 – A tática de dominação orquestrada pelas forças da reação patronal combina métodos avançados de guerra híbrida com a reedição dos arroubos autoritários que assolaram o país durante o ciclo da ditadura militar de 1964 a 1985. Naquele momento histórico, a ruptura constitucional patrocinada pela tutela externa impôs o terrorismo de Estado, a tortura de opositores, o aniquilamento das organizações populares e o estrangulamento da soberania industrial para adequar o Brasil à dependência colonial. No cenário contemporâneo, a operação golpista atualiza suas ferramentas por meio da desestabilização psicológica e da sabotagem deliberada do processo democrático: A produção intencional de caos e fadiga logística no primeiro turno, materializada em atrasos nas seções, transferências desordenadas de zonas eleitorais e filas quilométricas, operou como instrumento de desestímulo físico voltado a induzir a abstenção nas periferias e nos bolsões onde o voto popular é hegemônico.A infiltração sistemática de redes financeiras clandestinas no tecido comunitário e familiar busca semear a desconfiança, o desalento e o constrangimento moral sobre os trabalhadores, promovendo o ressentimento para minar a adesão consciente ao projeto democrático. O uso sistemático de falsificações conspiratórias acerca da integridade do sistema eleitoral cumpre o propósito de justificar previamente a desobediência civil da burguesia e pavimentar o caminho para a contestação antidemocrática das urnas.

3. A Anatomia do Pacote Legislativo de Terra Arrasada – Enquanto os aparatos de propaganda fascista mobilizam histerias morais e preconceitos identitários como cortina de fumaça, o bloco parlamentar da reação avança nos bastidores institucionais com uma agenda legislativa desenhada para aniquilar as bases de sustentação do Estado social:A extinção simultânea de instituições fundamentais de soberania alimentar e saúde coletiva — como a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) — destrói os estoques reguladores de grãos e a proteção sanitária de pequenas comunidades, entregando o preço dos alimentos à especulação predatória do agronegócio e privatizando serviços essenciais de saneamento básico.A aniquilação dos pilares de memória e comunicação pública soberana, através da investida contra a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e a Agência Nacional do Cinema (ANCINE), opera o apagamento cultural da nação, garantindo o monopólio irrestrito dos algoritmos e do império midiático estrangeiro sobre a subjetividade das massas. O desmantelamento das garantias elementares da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a asfixia das aposentadorias públicas, por meio da desvinculação em relação ao salário mínimo, promovem o empobrecimento planejado da velhice e a precarização absoluta da força de trabalho jovem em favor da liquidez bancária. Esse arrocho sobre a maioria trabalhadora contrasta frontalmente com a proposta de isenção de tributos sobre a cúpula do estamento militar, expondo a compra de lealdade armada para reprimir a insatisfação social. O Despertar da Práxis Popular: Vetores de Capacidade e Virada Histórica – A leitura situacional do confronto dialético demonstra que o apetite voraz das forças reacionárias expõe suas maiores debilidades de classe. O suicídio eleitoral induzido — no qual o trabalhador espoliado é levado pelo ressentimento a votar no próprio carrasco — desmorona no instante em que a verdade material das propostas patronais é despida de sua camuflagem moralista. O protagonismo da juventude trabalhadora e estudantil, que ocupou ininterruptamente as avenidas dos principais centros urbanos do país em repúdio à anistia golpista e em defesa da educação pública, marca a ruptura do conformismo e atua como detonador da energia revolucionária das massas. Essa mobilização de rua, articulada ao bastião inexpugnável de resistência classista do Nordeste e da Bahia, estabelece o terreno para a contraofensiva geral. A tarefa imediata e indeclinável de todas as forças democráticas, sindicais e populares nestas duas semanas reside em desatar os nós críticos da abstenção: *Organizar brigadas populares de esclarecimento nas periferias urbanas para resgatar os votos dos setores silenciados e das pessoas idosas. Assegurar a fiscalização vigilante e militante sobre a gratuidade irrestrita do transporte público no dia 25 de outubro. * Desmascarar o projeto rentista evidenciando que quem vota contra a previdência, a CLT e a soberania alimentar vota pela destruição da própria família. A história da emancipação humana não se escreve pela resignação diante do arbítrio, mas pela têmpera da luta de classes. Ao empunhar com rigor e firmeza o programa da soberania nacional, da autodeterminação dos povos e da dignidade material de quem trabalha, a classe trabalhadora brasileira transformará a resistência em vitória inapelável, sepultando nas urnas o neofascismo e resgatando o destino altivo e soberano da pátria.

Fonte: Brasil 247

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