O Brasil perde Amelinha Teles
Por Luís José Bassoli — Brasil 247
Morreu nesta terça-feira (15/9), aos 81 anos, a incrível jornalista, escritora e defensora dos Direitos Humanos, Maria Amélia de Almeida Teles, que militou contra a ditadura militar, nas fileiras do PCdoB.
Mineira de Contagem, Amelinha foi presa em dezembro de 1972, aos 27 anos, em São Paulo, junto com seu marido César Augusto Teles e o militante Carlos Nicolau Danielli; foi submetida a inomináveis sessões de tortura, pelas mãos do carrasco Brilhante Ustra (aquele que foi homenageado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro), que teve o requinte de crueldade de levar os filhos dela, Janaína (de 5 anos), e Edson (4 anos), para assistirem à mãe ser torturada – ao vê-la coberta de hematomas, a filhinha perguntou: “Mamãe, por que você está azul?”. Carlos foi assassinado na prisão.
Amelinha resistiu para se tornar ícone da luta pelos direitos das mulheres, autora dos livros “Breve História do Feminismo no Brasil”, “O que é Violência contra a Mulher?” e “O que são Direitos Humanos das Mulheres?”.
(Em 2008, a Justiça reconheceu Brilhante Ustra como torturador, decisão consolidada pelo STJ em 2014; Ustra morreu no ano seguinte, ciente da condenação).
Em 2023, Amelinha foi tema principal do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da minha filha Lavínia Louzada Bassoli e das colegas Anna Scudeller e Victoria Bezerra, formandas em Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), com orientação do professor Edson Rossi – uma revista-conceito, feminista, interseccional, feita por mulheres, com mulheres, para mulheres (e pessoas não binárias), impressa, chamada LILITH. A entrevista com Amelinha Teles é enigmática e espetacular!
Em setembro de 2025, por intermédio do ex-deputado Adriano Diogo (que também foi preso e torturado pelo mesmo carrasco Ustra), Amelinha tomou conhecimento do livro “Cadê Aquele Menino Lindo?”, de minha autoria, biografia do taquaritinguense Francisco Emanuel Penteado, o Chiquinho, militante da ALN, assassinado por agentes da repressão em 1973, em São Paulo.
Fonte: Brasil 247