Nunes Marques “tem atuação partidarizada e desequilibra eleição”, diz Randolfe Rodrigues
Por André Barrocal — Carta Capital
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DIRETO DA REDAÇÃO: Nunes Marques volta a censurar o ‘Exército de Lula’
Líder do governo Lula no Congresso vê “lealdade” do presidente do TSE ao bolsonarismo, responsável por alçar o juiz ao STF
O presidente Lula disse no fim de semana, antes de uma passeata em São Paulo a favor da reeleição dele, que estava “desconfiado” do Tribunal Superior Eleitoral e que o comandante da corte, Kassio Nunes Marques, não tem tido um comportamento “republicano”. Agora, o líder do governo no Congresso dá um passo além na reclamação.
“Ele (Nunes Marques) está sendo leal a quem o nomeou. Sua atuação é partidarizada e desequilibra a eleição”, afirma o senador Randolfe Rodrigues (PT).
Nunes Marques foi indicado em 2020 pelo então presidente Jair Bolsonaro para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. É a presença no STF que lhe garante participação no TSE. Dos sete membros, a corte eleitoral tem sempre três que são egressos do Supremo.
Ao apontar atuação “partidarizada” de Nunes Marques, Randolfe faz alusão à candidato presidencial do filho do ex-presidente. São inúmeros os casos nesta eleição de decisões do comandante do TSE a favor de pedidos dos advogados de Flávio Bolsonaro (PL) e contra Lula.
Um exemplo: em agosto, o PT pediu ao TSE para tirar da web um vídeo no qual Flávio dizia que Lula tinha ido aos Estados Unidos em maio na qualidade de “defensor do PCC e do Comando Vermelho”. O petista não concorda com o carimbo de “organização terroristas” aplicado pelos EUA às duas facções. Ao rejeitar a ação lulista, Nunes Marques escreveu não ter havido demonstração de que o vídeo citava fato sabidamente inverídico. Tradução: endossou a fake news bolsonarista.
Posteriormente, a liminar de Nunes Marques favorável ao PL foi cassada pelo plenário do TSE.
A última decisão pró-Flávio do chefe da corte foi proibir de novo um grupo de WhatsApp criado pelo deputado André Janones (Rede) em apoio à reeleição. O grupo, batizado “Exército do Lula”, havia sido proibido por ele em 11 de outubro, a pedido dos advogados de Flávio. Um dia depois, o corregedor do TSE, Ricardo Villas Bôas Cueva, ressuscitou o grupo.
Na manhã desta terça-feira 13, Marques restaurou a proibição. O grupo só poderia voltar caso fosse registrado no TSE como integrante da campanha lulista. Essa vinculação coloca Lula ao alcance de punições, caso Janones espalhe fake news contra Flávio. Caberia um processo de cassação da chapa lulista por uso indevido dos meios de comunicação e abuso de poder político, por exemplo.
A decisão foi dada durante um evento de Lula no Palácio do Planalto, do qual Randolfe Rodrigues participou. Janones compareceu também e, ao comentar a ordem do TSE, disse que iria cumprir a ordem judicial e que não atacaria a corte.
André Barrocal
Repórter especial de CartaCapital em Brasília
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Fonte: Carta Capital