Nunes Marques e Dias Toffoli não votarão no julgamento sobre abertura de investigação contra Moraes
Por Carolina Maingué Pires — JOTA
Os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), não votarão no julgamento de abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por conta de envolvimento no caso Master. Nunes Marques se declarou impedido e Dias Toffoli alegou suspeição por motivos de “foro íntimo”.
A situação de Dias Toffoli era tida como mais prevista, mas o impedimento de Nunes Marques acaba por ajudar Moraes. Isso porque, nos bastidores, Nunes Marques é alinhado ao grupo de Mendonça. Ele disse que seu filho nunca prestou serviços ao Master. Ainda sim, disse não se sentir à vontade para participar do julgamento. Já Toffoli citou que aceitou sugestão de Flávio Dino para que se declarasse suspeito.
“Não tenho dúvida de que, em que pese os debates vão fluir, que esse julgamento eventualmente pode também impactar no cenário politico eleitoral, então, na condição de presidente do TSE, eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo meu impedimento”, disse Nunes Marques.
Havia expectativa de que Nunes Marques de declarasse impedido, mas em função de mensagens trocados entre seu filho, Kevin Marques, e Daniel Vorcaro. As mensagem foram divulgadas na manhã desta terça-feira (15/9) a partir do compartilhamento do conteúdo do celular de Vorcaro com ministros. Os prints indicam que Kevin Marques teria recebido pagamentos de R$ 500 mil do banqueiro.
Durante o julgamento, Nunes Marques disse que nunca julgou “nenhum processo relacionado ao Master” e que seu filho “nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco”.
“Quanto a isso, eu tenho absoluta isenção e minha isenção está calcada e absolutamente comprovada nos votos que eu proferi. Se eu me sentisse desconfortável ou cooptado de alguma forma, jamais teria votado pela confirmação da prisão de Daniel Vorcaro, de sue pai e outras pessoas envolvidas”, afirmou o magistrado.
Ele disse, porém, que “impedimentos não decorrem de culpabilidade”, mas de fatores “intrínsicos e extrínsecos”.
Ao citar sua atuação como presidente do TSE, ele falou que tem uma missão que lhe foi “conferida pela constituição brasileira e até agora está sendo assegurada por Deus”, o que ele considera mais importante do que o julgamento do caso Master.
Assista ao vivo ao julgamento de Alexandre de Moraes no STF
Fonte: JOTA