Nobel Alternativo premia luta contra violência patriarcal, autoritarismo e abusos da IA

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Por CartaCapital — Carta Capital

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A premiação sueca destacou atuações de advogada paquistanesa, organização sul-africana de mulheres rurais, grupo georgiano de juristas e pesquisadora norte-americana

A fundação sueca Right Livelihood Award, conhecida como Nobel Alternativo, anunciou nesta quarta-feira 30 os vencedores de 2026. A premiação reconhece iniciativas de impacto social em quatro áreas distintas: combate à violência patriarcal, defesa da terra e das sementes, resistência ao autoritarismo e uso ético da inteligência artificial.

Cada um dos quatro laureados receberá um milhão de coroas suecas, o equivalente a 88 mil euros (cerca de R$ 520 mil). A cerimônia de entrega está marcada para 1º de dezembro, em Estocolmo.

Defesa de minorias no Paquistão

A advogada paquistanesa Jalila Haider foi reconhecida por sua atuação na proteção de minorias étnicas, religiosas e de gênero . Nascida em Quetta, em 1984, ela se tornou a primeira mulher da comunidade hazara a exercer a advocacia no País.

O júri destacou que Haider combina trabalho jurídico com ativismo de rua e fortalecimento comunitário, o que permitiu levar justiça a milhares de pessoas perseguidas ou ignoradas pelas autoridades.

Em 2018, ela liderou uma greve de fome contra assassinatos de membros da etnia hazara. A mobilização resultou em negociações com o governo e na redução de ataques contra essa comunidade.

Como cofundadora da Frente Democrática das Mulheres, Haider impulsionou a primeira marcha de mulheres do Baluchistão.

Por meio de sua organização ‘Nós, os Humanos’, auxiliou mais de 400 viúvas de vítimas do terrorismo a conquistar independência financeira. Também garantiu que mais de 600 ativistas políticos e defensores de direitos humanos recuperassem a liberdade de circulação.

Mulheres rurais e soberania alimentar

A Assembleia das Mulheres Rurais, organização sul-africana fundada em 2009 na Cidade do Cabo, foi premiada por unir camponesas em defesa da terra, das sementes e da autonomia corporal.

Segundo o júri, a entidade se contrapõe ao modelo tradicional de ONGs ao adotar uma estrutura horizontal dirigida por voluntárias.

A organização reúne mais de 178 mil agricultoras de pequena escala em 11 países. O grupo documentou centenas de variedades de sementes indígenas e defendeu sistemas tradicionais de comercialização.

Além disso, a atuação política da assembleia contribuiu para a aprovação de uma lei na Zâmbia, em 2016, que estabelece distribuição equitativa de terras às mulheres. Na Suazilândia, impulsionou legislação contra abusos sexuais e violência doméstica, aprovada em 2018.

Resistência democrática na Geórgia

A Associação de Jovens Advogados da Geórgia foi distinguida por sustentar o poder civil diante da repressão autocrática no país do Cáucaso.

Fundada em 1994, é a organização de direitos humanos mais antiga da Geórgia. Seus membros participaram da redação da primeira Constituição após a queda da União Soviética, em 1991.

O júri descreveu a entidade como espinha dorsal da sociedade civil georgiana. A organização já prestou cerca de 1,5 milhão de consultas jurídicas gratuitas em um país com 3,7 milhões de habitantes.

Também contribuiu para assegurar direitos de pessoas com deficiência e garantir acesso à educação infantil. Apesar da repressão prevista na nova lei contra agentes estrangeiros, a associação decidiu permanecer no território georgiano.

Ética na inteligência artificial

A pesquisadora norte-americana de origem eritreia Timnit Gebru foi premiada por seu trabalho sobre concentração de poder no setor de inteligência artificial . Ex-diretora da equipe de ética do Google, ela fundou o Instituto de Investigação em Inteligência Artificial Distribuída, que reúne pesquisadores de diversos países e continentes.

O júri reconheceu que Gebru chamou a atenção para os danos causados pela IA a comunidades discriminadas e para a forma como a tecnologia é desenvolvida. Ela também criou a Black in AI, organização voltada a ampliar a presença da população negra nesse campo. O modelo distributivo proposto por ela contrapõe-se aos conceitos centralizados das grandes empresas de tecnologia.

Histórico da premiação

O Right Livelihood Award foi instituído em 1980 pelo escritor e ex-deputado europeu sueco-alemão Jakob von Uexküll. Desde então, já distinguiu cerca de duzentas pessoas e organizações em todo o mundo.


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Fonte: Carta Capital

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