Negativados em bancos e fintechs ao mesmo tempo quadruplicam e acumulam duas vezes mais dívidas
Por Allan Ravagnani — Carta Capital
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Grupo passou de 1,96 milhão para 8,92 milhões em menos de sete anos e já responde por um em cada seis inadimplentes com instituições financeiras
Quase 9 milhões de brasileiros tinham, em julho de 2026, dívidas negativadas em bancos tradicionais e fintechs ao mesmo tempo. O contingente de 8,92 milhões de pessoas equivale a 16,5% dos consumidores inadimplentes com instituições financeiras e supera em mais de quatro vezes o total de dezembro de 2019, quando 1,96 milhão estavam na mesma situação.
Segundo levantamento da Serasa Experian, esse grupo correspondia a 6,4% dos inadimplentes do setor financeiro no começo da série histórica. Na prática, hoje um em cada seis devedores negativados em instituições financeiras tem pendências nas duas pontas do sistema.
Além do número de pessoas, os dados revelam um acúmulo maior de compromissos. Quem está negativado nos dois tipos de instituição carrega, em média, 4,18 dívidas, pouco mais que o dobro das 2,02 registradas entre os devedores que aparecem apenas em bancos tradicionais. Entre os que devem somente a fintechs, a média recua para 1,14.
Da mesma forma, o valor pendente sobe. A dívida média desse grupo chega a R$ 7.963, contra R$ 5.753 entre os negativados só em bancos, uma diferença de 38%.
Ao mesmo tempo, os bancos perderam participação no estoque de dívidas em atraso. Essas instituições ainda concentram a maior parte do valor inadimplido, mas a fatia delas recuou de 89% em 2018 para 66,4% em 2026.
Enquanto isso, a procura por crédito avançou 17,1% nos 12 meses encerrados em julho, com pressão maior sobre as faixas de renda mais baixas.
Para Edson Vasconcelos, CEO e fundador da ecomm|it, a expansão do crédito exige uma leitura integrada dos dados de cada consumidor. “O crédito ficou mais acessível, mais digital e mais distribuído. Isso é uma evolução importante do mercado”, afirma.
Segundo ele, quando uma pessoa passa a manter relações com várias instituições ao mesmo tempo, fica mais difícil dimensionar a exposição financeira dela. “Não basta olhar para uma dívida isoladamente. É preciso enxergar o conjunto”, diz.
Por outro lado, a convivência entre bancos e empresas digitais de crédito multiplica as portas de contratação e abre caminho para a sobreposição de dívidas. Assim, o consumidor pode espalhar seus compromissos por diferentes instituições sem que nenhuma delas enxergue, sozinha, o tamanho total do endividamento.
Dessa forma, a escalada do grupo desde 2019 aponta para uma mudança que vai além da perda de capacidade de pagamento. A oferta de dinheiro se diversificou, e a mesma variedade de opções que facilita o acesso ao crédito torna mais difícil medir o peso das contas em atraso.
Por isso, na avaliação de Vasconcelos, o avanço das fintechs pede outra régua para medir a inadimplência. “Para medir o tamanho do problema, olhar apenas para quem está inadimplente já não basta. É preciso entender quantas dívidas essas pessoas carregam e quanto representam, somadas, para o orçamento”, conclui.
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Fonte: Carta Capital