Nassif relembra amizade com Márcio Chaer: ‘Amigo que nunca deixou de ser’
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – Luís Nassif prestou uma homenagem ao jornalista Márcio Chaer ao recordar episódios de uma amizade construída ao longo de décadas, desde os tempos em que ambos trabalhavam na cobertura política e do Judiciário. Em texto publicado pelo Jornal GGN neste sábado (3), Nassif destacou a generosidade profissional de Chaer e a relação que os dois mantiveram muito além das redações.
“O jornalista Márcio Chaer, que morreu tragicamente hoje, era um cultivador de amigos”, escreveu Nassif. Ao relembrar a trajetória do colega, ele afirmou que a proximidade começou em um episódio envolvendo o então consultor-geral da República Saulo Ramos e o procurador-geral da República Sepúlveda Pertence.
Na ocasião, Nassif havia feito denúncias sobre a atuação de Saulo Ramos. Segundo seu relato, Chaer, que cobria o Judiciário pela Folha de S.Paulo, foi responsável por lhe fornecer uma informação decisiva sobre o encaminhamento do caso no Ministério Público.
“Foi ele quem me passou a informação que me levou a Brasília, onde confrontei Sepúlveda durante um intervalo da sessão do Supremo Tribunal Federal. A partir daí, tornamo-nos amigos para a vida inteira”, afirmou.
O episódio também foi relatado anteriormente por Nassif ao reconstruir a disputa que travou com Saulo Ramos. Ele contou que Chaer o informou de que uma denúncia encaminhada a Sepúlveda Pertence havia passado inicialmente por um procurador favorável ao arquivamento e, posteriormente, sido entregue a outro integrante do Ministério Público.
Uma amizade além das redações
Na homenagem, Nassif descreveu Chaer como alguém cuja relação com os colegas não se restringia à atividade profissional. Ao rever fotografias antigas, disse ter encontrado registros do jornalista em encontros musicais e bares, muitas vezes acompanhado de outros amigos.
“São registros de uma convivência que ia muito além do jornalismo”, escreveu.
Nassif também relembrou o período em que tentou desenvolver uma publicação jurídica semanal, iniciativa que acabou tendo curta duração. Pouco depois, Chaer criou o Consultor Jurídico, o ConJur, veículo especializado na cobertura do Judiciário e do universo jurídico.
“Em pouco tempo, fez dele a principal referência do setor”, afirmou Nassif.
O jornalista ressaltou ainda a importância dos anuários lançados por Chaer sobre o Poder Judiciário e a interlocução que o fundador do ConJur passou a manter com integrantes dos tribunais superiores.
Para Nassif, porém, a proximidade com autoridades não alterou uma característica que marcou Chaer ao longo da carreira: a disposição de ajudar amigos e abrir espaço para debates públicos.
“Márcio tornou-se amigo de ministros e um assessor influente. Mas a proximidade com o poder não o afastou dos amigos nem do jornalismo. Continuou solidário, colocando as páginas do Consultor Jurídico à disposição das grandes causas”, escreveu.
Ao encerrar a homenagem, Nassif resumiu a lembrança que guarda do jornalista em uma frase: “Ficam a obra que construiu e as lembranças do amigo que nunca deixou de ser”.
Chaer morreu após sofrer um ataque cardíaco enquanto perseguia um homem que havia roubado o celular de outra pessoa.
Fonte: Brasil 247