Não é verdade que policiais encontraram urna fraudada no DF

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Por Bianca Bortolon — Aos Fatos | Em busca da verdade na política – feed

Não é verdade que policiais descobriram uma urna eletrônica fraudada no Distrito Federal. A gravação que circula como se fosse atual é de 2018. Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) informou na época, houve um “desconhecimento técnico” de um colaborador responsável pela transmissão dos votos, e não havia fraude. Em 2019, os policiais firmaram acordo após serem responsabilizados por perturbar eleições.

Publicações com este conteúdo enganoso acumulavam ao menos 90 mil visualizações no X até a tarde deste sábado (3).

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Fui acionado por um representante do TSE, que é o responsável por fazer a verificação das urnas, a coleta de dados e o envio. Ele informou aí pra gente que quando foi confirmar lá a chave dele, deu erro. A urna que deveria estar zerada já veio com a suspeita de ter votos impressos nela.

A imagem mostra uma captura de tela de um vídeo, com o texto 'Golpe em andamento' na parte superior. No centro, aparece uma pessoa com o rosto desfocado, usando uniforme com colete de proteção que traz a identificação 'PMDF' e, abaixo, o nome 'Sgt. ... Vieira'. Ao fundo, há um prédio, uma árvore e parte de uma placa com a palavra 'FED...'.

Posts nas redes enganam ao compartilhar um vídeo de 2018 em que dois policiais militares afirmam que foram acionados após um funcionário da Justiça Eleitoral identificar uma suposta irregularidade em uma urna eletrônica. Segundo o relato, o equipamento estaria com o lacre violado e já teria votos registrados antes do início da votação. A alegação, porém, foi desmentida ainda naquele ano pelo TSE.

A denúncia decorreu de um desconhecimento técnico do agente de transmissão envolvido no caso, e não de uma fraude no equipamento, segundo o tribunal.

Os agentes de transmissão são cidadãos que, assim como os mesários, são convocados pela Justiça Eleitoral para auxiliar na votação. Cabe a eles a transmissão de resultados após o encerramento do pleito.

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Em comunicado publicado nesta sexta-feira (2), o tribunal voltou a esclarecer que o caso foi investigado e que não houve comprovação de irregularidades. O TRE-DF também reiterou que tanto a zerésima quanto o boletim de urna da seção eleitoral foram emitidos normalmente, sem alterações.

  • A zerésima é um relatório emitido antes do início da votação que demonstra que a urna não possui votos registrados;
  • Já o boletim de urna apresenta os resultados da votação da seção eleitoral.

Essa desinformação também voltou a circular durante as eleições de 2020 e foi checada na época por Aos Fatos.

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Investigação. O episódio ocorreu na região do Guará, no Distrito Federal, durante o primeiro turno das eleições de 2018. Os dois policiais gravaram o vídeo em frente à sede da Polícia Federal, em Brasília, onde acompanhavam o depoimento do colaborador que havia denunciado a suposta irregularidade.

Após apurar o caso, a Justiça Eleitoral concluiu que houve um erro de interpretação das informações apresentadas pelo equipamento. Em entrevista coletiva realizada à época, a então presidente do TRE-DF, Carmelita Brasil, afirmou que o vídeo havia resultado de um mal-entendido entre os policiais e o denunciante.

A Polícia Federal também informou, após ouvir o responsável pela denúncia, que não havia comprovação de fraude.

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Consequências. A divulgação do vídeo também motivou uma investigação sobre a conduta dos policiais. Em janeiro de 2019, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios pediu a responsabilização dos dois agentes por perturbação dos trabalhos eleitorais.

Em maio daquele ano, os policiais aceitaram um acordo judicial que previa o pagamento de um salário mínimo cada um, equivalente a R$ 998 à época, à Abrace (Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias).

O caminho da apuração

Aos Fatos recuperou a checagem publicada em 2020 e consultou os esclarecimentos divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e pelo TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal) sobre o episódio ocorrido em 2018.

A reportagem também incluiu a nova manifestação do TRE-DF, publicada na sexta-feira (2).

Fonte: Aos Fatos | Em busca da verdade na política – feed

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