Na véspera do Sairé, símbolo da Amazônia entra na lista brasileira de espécies ameaçadas: o boto-tucuxi

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Na véspera do Sairé, uma das maiores manifestações culturais da Amazônia, um dos protagonistas da festa ocupa também um lugar de alerta para a conservação . O boto-tucuxi (sotalia fluviatilis), personagem da tradicional disputa entre os botos tucuxi e cor-de-rosa em Alter do Chão, distrito de Santarém (PA), foi incluído na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção , atualizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Presente no imaginário amazônico, nas lendas e nas águas dos rios da região, o tucuxi é um golfinho de água doce encontrado na bacia Amazônica. A entrada na lista nacional reconhece oficialmente que a espécie enfrenta risco elevado de desaparecer da fauna brasileira e deve servir de alerta para orientar políticas públicas, pesquisas e medidas de conservação.

Há seis anos, em 2020, o boto-tucuxi foi incluído na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) . Embora as duas classificações tratem do risco de extinção, elas têm funções diferentes. A lista da IUCN avalia a situação das espécies em escala global, enquanto a lista nacional reúne as espécies ameaçadas dentro do território brasileiro e serve de base para planos de ação, monitoramento e definição de prioridades para a conservação.


Boto-tucuxi durante o Festival do Sairé, em Alter do Chão, Santarém (PA) – Foto: Prefeitura de Santarém.

Espécie pressionada pelos efeitos da emergência climática

A decisão ocorre em um contexto de agravamento das pressões sobre os ecossistemas amazônicos. Entre as principais ameaças ao boto-tucuxi estão a degradação dos rios, a poluição, a captura acidental em redes de pesca, o aumento do tráfego de embarcações e os impactos das mudanças climáticas, que intensificam secas e ondas de calor na região.

Um dos episódios mais emblemáticos dessa crise aconteceu em Tefé, no Amazonas, durante a seca histórica de 2023 . Em poucos dias, centenas de botos morreram no Lago Tefé, onde a temperatura da água ultrapassou os 39°C em alguns pontos. A mortandade chamou atenção para os efeitos dos eventos climáticos extremos sobre a fauna aquática da Amazônia e mobilizou pesquisadores, órgãos ambientais e comunidades locais.

Tefé também foi um dos municípios que mais sentiram os impactos das secas de 2023 e 2024. Com os rios em níveis historicamente baixos, comunidades inteiras enfrentaram dificuldades para conseguir água potável, alimentos e transporte, além do isolamento provocado pela interrupção de rotas fluviais.

Desde então, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá reorganizou sua atuação para responder a esse novo cenário. A instituição passou a fortalecer o monitoramento de botos e outros mamíferos aquáticos, criar protocolos de resposta para eventos extremos, ampliar pesquisas sobre os efeitos das mudanças climáticas e trabalhar em conjunto com comunidades ribeirinhas para identificar áreas mais vulneráveis e medidas de proteção. Saiba mais aqui .

A inclusão do boto-tucuxi na lista brasileira reforça a necessidade de direcionar recursos, atualizar estratégias de conservação e integrar diferentes instituições em ações voltadas à proteção da espécie e dos rios onde ela vive, para que esse símbolo continue fazendo parte da paisagem, da cultura e da biodiversidade da região nas próximas gerações. 

 

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Fonte: InfoAmazonia

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