Mulheres marcham com Lula contra o bolsonarismo e a retirada de direitos
Por Schirlei Alves — ICL Notícias
Por Jessica Gustafson – Portal Catarinas
O centro de Florianópolis parou na manhã deste sábado para acompanhar a passagem das mulheres em luta pela democracia. Há menos de dez dias do segundo turno das eleições presidenciais, a manifestação organizada pelo 8M Santa Catarina reuniu o que tem de mais caro ao feminismo: arte, música, consciência política, afeto, denúncia e resistência.
A frase “livres, vivas e seguras” estampava um dos cartazes que circularam na região central ao longo da caminhada e simbolizava o desejo mais básico de quem estava ali.
Unidas pela reeleição do presidente Lula e pela garantia dos direitos das mulheres, estes sempre em risco, reafirmaram o seu compromisso com o Estado Democrático de Direito, a liberdade, a garantia de autonomia pelos seus corpos e suas decisões. Inclusive para ir e vir quando quiserem e com quem quiserem, amando e sendo amadas, dançando, cantando, estudando, trabalhando e construindo possibilidades de futuro.
“Eu quero livros e não fuzil”, gritaram durante a caminhada, que saiu do Largo da Alfândega, e convocou trabalhadores e trabalhadoras para se somarem ao ato. “Estou aqui para que 2027 não seja de novo 1964”, estampava outro cartaz que aludia aos riscos democráticos evidentes que uma possível vitória de Flávio Bolsonaro representa ao País.
Contra o autoritarismo, os riscos de mudanças na Constituição, os moralismos, a retirada de direitos trabalhistas. Essas foram algumas das grandes bandeiras que as mulheres evidenciaram durante a longa marcha.
“Eu não quero que as pessoas passem o que eu passei. Eu fui presa quatro vezes, a polícia vinha a cavalo, batia e levava a gente presa. Presa por que? Eu não fiz nada! Só porque eu estava na rua”.
O relato é da professora de piano Célia Maria Pereira, de 83 anos, que enfrentou os horrores da ditadura civil-militar vivida no Brasil enquanto trabalhava como repórter.
Para ela, o temor é que com uma possível vitória de Flávio Bolsonaro, o contexto de repressão retorne e as liberdades sejam novamente perdidas. “Se ele ganhar, a ditadura pode voltar. A última vez que eu fui presa, achei que iriam me matar”.
Na abertura do ato, uma performance fazia alusão ao romance distópico O Conto da Aia, da escritora Margaret Atwood, e alertava sobre os perigos de um regime totalitário, principalmente para às mulheres.
Cartazes carregados pelas participantes da manifestação artística lembraram os direitos conquistados pela luta feminista, dos mais antigos, como aqueles que nos deram a possibilidade de votar e sermos votadas, até os mais recentes, como o direito à igualdade salarial.
A jornalista e professora Raquel Wandelli Loth disse que sentiu muito tocada pela performance, pois a fez pensar sobre a exploração dos corpos das mulheres, a falta de dignidade com que são tratadas.
Ela destacou que as recentes mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, que revelaram a centralidade dele no financiamento de uma rede internacional de exploração sexual que recrutava mulheres refugiadas, demonstram a gravidade dos riscos que corremos. Inclusive, um dos implicados no caso é o Ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro.
“Eu fiquei muito mexida por essa performance que mostra a violência contra a mulher, mas não mostra só essa violência, assim, um olhar pro passado, ela faz com que a gente veja o nosso presente. E isso me fundiu às imagens do Conto da Aia, com as imagens das orgias promovidas com dinheiro público, dinheiro da mulher trabalhadora, do trabalhador, do aposentado, com meninas refugiadas em condição de vulnerabilidade total”.
Os direitos das trabalhadoras também foram defendidos pelas participantes do ato. Poucos dias após a aprovação do fim da jornada 6X1 no Senado, as manifestantes reforçaram a importância de votar em Lula para que este direitos seja realmente efetivado e que outros avanços na legislação trabalhista sejam garantidos.
Gabriela Valença, empregada doméstica, destacou o orgulho que sente pelo seu trabalho.
“Essa é uma profissão muito subestimada pelas pessoas e o Lula trouxe muitos benefícios para a gente. A gente não teria tantos direitos hoje, inclusive o direito de se impor”.
Os principais direitos alcançados pela categoria das trabalhadoras domésticas foram garantidos com a chamada Lei das Domésticas, que passou a vigorar durante o governo da presidenta Dilma Rousseff, em 2015. Neste ano, uma nova norma foi sancionada pelo presidente Lula e endureceu as penas para crimes praticados contra estas trabalhadoras.
“Entendemos que nesse momento histórico, estar com Lula por mais quatro anos é importante para a consolidação das políticas públicas para as mulheres, para a questão do combate ao feminicídio, das violências contra as mulheres. Ainda temos muita coisa a fazer ainda, então precisamos estar com Lula para construir isso”, enfatizou Elaine Sallas, professora e representante do 8M Santa Catarina.
As mulheres querem avanços em seus direitos e não pretendem desistir da luta. Retroceder, não é uma opção. Por isso, neste sábado, caminharam lado a lado, apostando na democracia e na reeleição de Lula. Pelos direitos das mulheres e de toda a população.
Programa registrado no TSE não assegura preservação das regras atuais, enquanto empresários ligados à articulação econômica defendem aposentadoria aos 67 anos
Fonte: ICL Notícias