Mounjaro, Ozempic e botox: veja quais procedimentos e medicamentos dentistas podem indicar

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Por Mylenna Scheidegger — Jornal Opção

Mounjaro, Ozempic e botox: veja quais procedimentos e medicamentos dentistas podem indicar

Mais de 150 mil buscas foram feitas no Google Brasil, nos últimos 12 meses, por pessoas tentando descobrir quais medicamentos e procedimentos podem ser prescritos ou realizados por dentistas. Entre as perguntas que mais despertaram interesse estão duas relacionadas a temas que ganharam popularidade nos últimos anos: dentista pode receitar Mounjaro? E pode aplicar botox?

O levantamento, realizado pela Dental Speed, analisou pesquisas feitas entre agosto de 2025 e agosto de 2026 a partir de termos relacionados a “dentista pode” e “procedimento com dentista”. As principais dúvidas se concentraram na prescrição de medicamentos e na realização de procedimentos estéticos na face.

Somente as pesquisas por “dentista pode prescrever Mounjaro” e “dentista pode receitar Mounjaro” ultrapassaram 73 mil consultas no período. Quando consideradas também as buscas relacionadas ao Ozempic, o volume passa de 80 mil.

O interesse ocorre em um momento de mudanças e disputas sobre os limites da atuação dos cirurgiões-dentistas, especialmente em áreas que se aproximam de procedimentos tradicionalmente associados à medicina.

Dentista pode prescrever Mounjaro?

Depende da finalidade da prescrição. A Lei nº 5.081/1966, que regulamenta o exercício da Odontologia, permite aos cirurgiões-dentistas prescrever medicamentos indicados para tratamentos relacionados à sua área de atuação. Isso significa que a possibilidade de receitar determinado medicamento não depende apenas da substância, mas da finalidade para a qual ela será utilizada.

O Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida, ganhou popularidade principalmente pelo uso associado à perda de peso. Em outubro de 2025, no entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação do medicamento para o tratamento da apneia obstrutiva do sono em adultos com obesidade.

A apneia do sono também pode integrar a área de atuação de profissionais da Odontologia do Sono. Nesse contexto, a prescrição pode ocorrer quando estiver vinculada ao tratamento odontológico e dentro das atribuições e habilitação do profissional.

A situação é diferente quando o objetivo é exclusivamente o emagrecimento. A possibilidade de prescrição dentro de uma indicação odontológica não significa autorização geral para que dentistas prescrevam Mounjaro para perda de peso.

O mesmo princípio se aplica a outros medicamentos que ganharam projeção como “canetas emagrecedoras”, entre eles o Ozempic, à base de semaglutida.

E dentista pode aplicar botox?

Outra dúvida frequente envolve a toxina botulínica, popularmente conhecida como botox.

O produto é utilizado em procedimentos relacionados à Harmonização Orofacial (HOF) e pode ser aplicado por cirurgiões-dentistas dentro das atribuições da profissão e dos limites relacionados à formação e à habilitação do profissional.

O tema, porém, voltou ao centro de uma disputa jurídica em agosto deste ano. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) anulou a Resolução nº 198/2019, do Conselho Federal de Odontologia (CFO), que havia reconhecido a Harmonização Orofacial como especialidade odontológica.

A decisão ocorreu após recurso apresentado por entidades médicas. O Conselho Federal de Odontologia informou que pretende recorrer e sustenta que a decisão, neste momento, não retira dos cirurgiões-dentistas as atribuições para a realização de procedimentos de Harmonização Orofacial.

A discussão judicial, portanto, envolve o reconhecimento da HOF como especialidade e não significa, por si só, que todos os procedimentos associados à área tenham sido automaticamente proibidos para dentistas.

Rinoplastia, blefaroplastia e lipo de papada também geram dúvidas

As perguntas dos brasileiros não se restringem ao Mounjaro e à toxina botulínica. O levantamento também identificou buscas sobre a possibilidade de dentistas realizarem procedimentos como rinoplastia, blefaroplastia e lipo de papada.

A discussão ganhou um novo capítulo em março de 2026, quando o Conselho Federal de Odontologia reconheceu a Cirurgia Estética Orofacial como especialidade odontológica.

O reconhecimento ampliou o debate sobre quais intervenções podem ser realizadas pelos profissionais e quais limites devem ser observados. A possibilidade de executar determinado procedimento, contudo, não depende simplesmente do diploma de Odontologia. Formação específica, especialização, habilitação profissional e normas aplicáveis a cada intervenção precisam ser consideradas.

7 em cada 10 consideram procedimentos estéticos

O interesse por estética também aparece fora das pesquisas feitas no Google. Em outro levantamento realizado pela Dental Speed, com 500 adultos de todas as regiões brasileiras, sete em cada dez entrevistados afirmaram já ter realizado ou considerar a realização de algum procedimento odontológico por razões estéticas.

Facetas ou lentes de contato dental foram mencionadas por 27,9% dos participantes. A aplicação de toxina botulínica apareceu para 23,6%, enquanto 22,4% citaram preenchimento facial.

Para Samuel Suhwan Oh, diretor de Marketing da Dental Speed, o volume de pesquisas indica que os pacientes procuram entender melhor os limites de atuação dos profissionais antes de realizar um tratamento.

“As buscas mostram um paciente mais curioso e atento ao próprio cuidado, que quer entender quem pode tratá-lo e de que forma”, afirma.

Segundo ele, esse comportamento também aumenta a necessidade de os profissionais acompanharem mudanças regulatórias e explicarem aos pacientes quais procedimentos podem realizar e em quais circunstâncias.

Como foi feito o levantamento

A Dental Speed analisou pesquisas realizadas no Google Brasil entre agosto de 2025 e agosto de 2026. Foram considerados termos relacionados às expressões “dentista pode” e “procedimento com dentista” para identificar as principais dúvidas sobre a atuação dos cirurgiões-dentistas.

Separadamente, a empresa ouviu 500 adultos com acesso à internet, distribuídos pelas diferentes regiões do país. Os participantes responderam a dez perguntas sobre a relação com clínicas e consultórios odontológicos na última década, incluindo experiências e interesse em tratamentos estéticos.

E o botox?

A aplicação de toxina botulínica é outro assunto que aparece entre as dúvidas dos brasileiros. O procedimento faz parte dos tratamentos associados à Harmonização Orofacial (HOF), área que há anos é objeto de discussão dentro da Odontologia. A aplicação pode ser realizada por cirurgiões-dentistas dentro das atribuições profissionais e respeitando os limites de formação e atuação.

O tema voltou ao centro das discussões em agosto deste ano, quando o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) anulou a Resolução nº 198/2019, do Conselho Federal de Odontologia (CFO), que reconhecia a Harmonização Orofacial como especialidade odontológica. A decisão ocorreu após recurso apresentado por entidades médicas. O CFO anunciou que pretende recorrer e afirmou que, neste momento, a decisão não altera as atribuições dos cirurgiões-dentistas para realizar procedimentos de Harmonização Orofacial.

Na prática, portanto, a discussão judicial sobre o reconhecimento da HOF como especialidade não significa que os procedimentos tenham sido automaticamente retirados da atuação dos dentistas.

Rinoplastia, blefaroplastia e lipo de papada

As dúvidas encontradas pela Dental Speed não se limitam à toxina botulínica. Também aparecem pesquisas sobre procedimentos como rinoplastia, blefaroplastia e lipo de papada. Em março de 2026, o Conselho Federal de Odontologia reconheceu a Cirurgia Estética Orofacial como especialidade odontológica. A mudança ampliou a discussão sobre quais procedimentos podem ser realizados por cirurgiões-dentistas e em quais condições.

A possibilidade de realização de um procedimento, porém, não depende apenas de o profissional ser dentista. É necessário considerar sua formação, especialidade, habilitação e os limites estabelecidos pelas normas da profissão.

O interesse pelos procedimentos estéticos não aparece apenas nas buscas do Google. Em outra pesquisa realizada pela Dental Speed, com 500 adultos de todas as regiões do país, sete em cada dez entrevistados disseram já ter realizado ou consideram realizar algum procedimento odontológico por razões estéticas.

Entre os procedimentos citados estão facetas ou lentes de contato dental, mencionadas por 27,9% dos participantes; aplicação de toxina botulínica, com 23,6%; e preenchimento facial, citado por 22,4%. Os números ajudam a dimensionar o espaço que a estética ocupa atualmente na relação entre pacientes e consultórios odontológicos.

Para Samuel Suhwan Oh, diretor de Marketing da Dental Speed, o volume de buscas mostra que os pacientes estão procurando mais informações antes de escolher um tratamento. “As buscas mostram um paciente mais curioso e atento ao próprio cuidado, que quer entender quem pode tratá-lo e de que forma”, afirma.

Segundo ele, a procura por informação também exige dos profissionais atualização e clareza na comunicação com os pacientes.

Metodologia

O levantamento sobre as buscas foi realizado pela Dental Speed a partir de pesquisas feitas no Google Brasil entre agosto de 2025 e agosto de 2026. Foram analisados termos relacionados às expressões “dentista pode” e “procedimento com dentista”, com o objetivo de identificar quais eram as principais dúvidas dos usuários sobre a atuação dos cirurgiões-dentistas.

Além da análise das buscas, a empresa realizou uma pesquisa com 500 adultos de todas as regiões do país que têm acesso à internet. Os participantes responderam a dez perguntas sobre a relação com clínicas e consultórios odontológicos na última década, incluindo experiências com procedimentos estéticos e tratamentos odontológicos.

Os dois levantamentos foram utilizados pela Dental Speed para identificar os assuntos que mais despertam dúvidas entre pacientes e consumidores de serviços odontológicos.

Leia também: Da perda de peso à flacidez: médica explica efeitos das canetas emagrecedoras e busca por tratamentos

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Fonte: Jornal Opção

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