Mostra Cine Rua Infantil promove oficinas gratuitas de audiovisual em três comunidades do Recife
Por Fátima Pereira — Brasil de Fato
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Crianças dos bairros do Ibura, da Várzea e do Pina, no Recife, podem participar de oficinas gratuitas de produção audiovisual até 7 de novembro, com atividades realizadas em espaços comunitários e conduzidas pela fotógrafa e educadora popular Layane Santos. A iniciativa integra a terceira edição da Mostra Cine Rua Infantil e busca estimular a criação de documentários sobre os territórios onde as crianças vivem, suas experiências e o sentimento de pertencimento.
Os curtas-metragens produzidos durante a formação serão lançados em encontros presenciais previstos para dezembro, com datas, horários e locais ainda a serem divulgados.
A programação começou nesta quarta-feira (21), na Horta Comunitária Mãos de Milagres, no Ibura, na Zona Sul da capital pernambucana. As próximas oficinas serão realizadas em três espaços comunitários do Recife. Na Várzea, a Associação Gris Espaço Solidário(Rua Diogo Barbosa Machado, nº 15) recebe as atividades nos dias 23 e 24 de outubro e 6 e 7 de novembro, com encontros das 15h às 17h nas sextas-feiras e das 14h às 16h aos sábados.
No Ibura, a Horta Comunitária Mãos de Milagres (Rua Cantora Clara Nunes, s/n) terá atividades nos dias 24 de outubro, das 10h às 12h, 28 de outubro, das 15h às 17h, e 7 de novembro, das 10h às 12h. Já no Pina, o Compaz Atriz Leda Alves (Rua José Rodrigues, nº 586, Comunidade do Bode) receberá a formação nos dias 27 de outubro, 3 de novembro e 5 de novembro, sempre das 15h às 17h30.
Durante as oficinas, os celulares serão utilizados como ferramentas para registrar histórias, imagens e sons a partir das perspectivas das próprias crianças. A proposta combina aprendizado técnico e atividades lúdicas, incentivando a criatividade, a escuta e a produção coletiva.
“A oficina é uma experiência de criação audiovisual para crianças em que vamos utilizar o celular para contar histórias, trazendo o olhar delas sobre o lugar onde vivem. A ideia é transformada numa vivência lúdica e participativa, estimulando a criatividade, a escuta e o trabalho coletivo. Mais do que ensinar a gravar vídeos, a atividade proporciona um momento artístico-cultural em que as crianças contam suas próprias histórias e mostram como enxergam o mundo ao seu redor. Vale reforçar também que a oficina tem como resultado o lançamento de curtas-metragens documentais”, destaca Layane Santos.
A formação está organizada em etapas que vão da troca de experiências à realização dos registros audiovisuais. No primeiro encontro, as crianças são convidadas a compartilhar suas histórias, brincadeiras e os espaços que frequentam em suas comunidades. A intenção é identificar temas e situações do cotidiano que possam inspirar os documentários.
Na segunda etapa, serão apresentados recursos básicos de gravação com celular, incluindo enquadramento e o uso da luz e da sombra. Depois, os participantes irão produzir imagens, sons e cenas que poderão integrar os filmes. O material reunido será utilizado na construção dos curtas-metragens.
Layane Santos é natural do Recife e cresceu na comunidade do Coque. Fotógrafa, artista, comunicadora e educadora popular, ela integra o coletivo Revelar.si – Fotógrafas do Coque, no qual desenvolve formações em fotografia. Também é cofundadora do Elas Fotografando, coletivo de mulheres que realiza ensaios, coberturas e projetos audiovisuais.
Seu trabalho artístico tem como eixos a memória, a identidade e as narrativas periféricas, utilizando a comunicação e a produção de imagens como instrumentos de expressão e fortalecimento comunitário.
Criada pela pernambucana Palas Camila, pedagoga, educadora popular e produtora cultural, a Mostra Cine Rua Infantil busca ampliar o acesso ao cinema e incentivar a participação das crianças na criação artística. Além das exibições ao ar livre, o projeto desenvolve atividades educativas que abordam questões relacionadas às identidades racial, social, de gênero, política e cultural.
Para a idealizadora, democratizar o acesso ao audiovisual também significa oferecer condições para que as crianças produzam suas próprias narrativas, em vez de ocuparem apenas o lugar de espectadoras.
“A mostra surge pela necessidade de democratizar o acesso ao cinema sem paredes e de ocupar espaços públicos do Recife com encontros, cultura e filmes. Ao mesmo tempo, incentivamos a criação de obras audiovisuais nas infâncias. A gente acredita que, além de democratizar o assistir, é preciso realizar o fazer para que as crianças possam contar suas próprias histórias e imaginações, valorizando o território. E é por isso que essas formações chegam à diversos territórios e comunidades recifenses”, declara Palas Camila.
A primeira edição da mostra aconteceu em 2023, com exibições gratuitas de 17 filmes em espaços públicos do centro do Recife, como a Praça Dom Vital, o Pátio de São Pedro e a Praça do Diário. As sessões reuniram produções de classificação indicativa livre, organizadas em temáticas como cultura popular e experiências sensoriais.
Em 2025, a segunda edição ampliou a ocupação de espaços públicos com sessões de cinema e atividades educativas na Rua da Imperatriz, no Pátio de São Pedro e na Ilha de Santa Terezinha, no bairro de Santo Amaro. A programação também apresentou curtas-metragens de animação produzidos por crianças de comunidades recifenses participantes das oficinas.
A terceira edição da Mostra Cine Rua Infantil conta com incentivo do Sistema de Incentivo à Cultura do Município do Recife (SIC), por meio do Fundo de Incentivo à Cultura (FIC), vinculado à Fundação de Cultura da Cidade do Recife, à Secretaria de Cultura e à Prefeitura do Recife.
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Fonte: Brasil de Fato