Mosassauro, um salvador?*
Por Heraldo Campos — Brasil 247
Começando a ler o livro “Sobre a fé e a ciência” [1] de Frei Betto e Marcelo Gleiser, organizado por Waldemar Falcão, logo de cara, dois trechos dos prefácios dos autores me chamaram a atenção.
O primeiro, de Frei Betto, diz: “A muitos, inclusive a mim, soa absurdo, em pleno século XXI, supor que fé e ciência se contrapõem. No entanto, essa polêmica foi ressuscitada pela pandemia do coronavírus, quando líderes políticos e religiosos chegaram a afirmar que se tratava de ‘castigo de Deus’, ‘basta oração para cura’, e em Israel judeus ultraortodoxos se negaram às medidas de prevenção sob alegação de que a pandemia sinalizava a vinda do Messias…
Ao longo dos séculos, muitos defenderam a prevalência da fé sobre a ciência, como se a fé pudesse explicar a disseminação das pestes e dispensar cuidados médicos. Há até quem tenha fé em ideias equivocadas, supostamnte científicas, como é o caso dos que defendem que a Terra é plana…”.
O segundo, de Marcelo Gleiser, diz: “Em meio a tempos conturbados, quando nossas suposições de como viver nossa vida são desafiadas por um inimigo invisível, um vírus que nos ataca de forma impune, sem plano ou diferenciação, nada mais importante do que retomar debates sobre questões que definem nossos valores e visão do mundo.”
Sem ainda avançar na leitura dos diálogos dos dois autores, mediados pelo organizador do livro, durante o ano de 2020, no esparramo da pandemia de coronavírus e com um governo federal negacionista, maturando um golpe de estado que quase rolou em 08/01/2023, as recentes e frequentes noites de insônia me fizeram lembrar de uma pequena crônica que escrevi nesse cenário narrado no livro.
Assim, pelo que tenho acompanhado nos últimos movimentos da extrema direita no nosso país, tentando voltar ao poder via essa eleição geral de 2026 que se aproxima, a pergunta que faço é: será que precisamos de um mosassauro, um salvador? No campo da ficção, vejamos se esse possível roteiro para um filme, para concorrer contra um “Dark Horse”, faz algum sentido nos dias de hoje.
“Segundo a Wikipédia, a enciclopédia livre, ‘Os mosassauros foram os répteis pré-históricos da família Mosassauridae que eram os principais predadores dos oceanos do final do Cretáceo. O grupo não está relacionado proximamente, com os dinossauros, com os plesiossauros ou com os ictiossauros (répteis marinhos), pertencendo antes à ordem dos escamados que inclui atualmente as cobras e os lagartos.’
Nos últimos dois filmes da criação de Steven Spielberg, da série Jurassic Park, esse réptil marinho escamoso aparece em cenas muito especiais.
No penúltimo filme (Jurassic World) esse grandão dos oceanos sobe para comer um tubarão de aperitivo num parque aquático e, já perto do final do filme, ele vai dar um jeito de acabar com a festa de um dinossauro de laboratório, que estava fazendo aquele estrago na história.
No último filme (Jurassic World: Fallen Kingdom), esse aparente justiceiro marinho, deixa todo mundo em suspense, para o próximo filme da série, porque aparece, através de sua enorme silhueta, na frente de uma grande onda e no meio de surfistas.
Desse mundo da ficção jurássica, onde esses bichos pré-históricos convivem e brigam com o homem numa luta hollywoodiana, sempre vai acabar sobrando um monstro desses, do mal e do bem, para a sequência da próxima história.
E aqui no país da jabuticaba?
Quais são os nossos monstros predadores?” [2]
Para fechar, as eleições desse ano de 2026, que estão batendo na porta, vão dar chance, de novo, para os golpistas de plantão? Tem-se a esperança que a “herança” do Bozosaurus rex [3] não prevaleça e vire uma realidade, mais uma vez, como rolou no triste período de 2019 a 2022.
“O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.” – Ariano Suassuna.
Fontes
[1] Livro “Sobre a fé e a ciência” de Frei Betto e Marcelo Glieser de 2020. Organização Waldemar Falcão. 3ª Edição. Rio de Janeiro. Editora Agir. 396p.
[2] Crônica “Está faltando um mosassauro?” de Heraldo Campos de 02/04/2020.
[3] Crônica “Bozosaurus rex” de Heraldo Campos de 03/06/2025.
Fonte: Brasil 247